No acumulado do ano, o avanço no volume de mercadorias deve fechar em 14% na comparação com 2025, segundo Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain no Brasil.

“O ano de 2026 tem sido um ano acima das expectativas comparado com 2025”, afirmou o executivo ao InfoMoney . A receita da operação também crescerá na comparação anual, segundo Barrios, que não abriu a taxa.

A expectativa da empresa é movimentar mais de 37 milhões de itens apenas em novembro, mês que concentra a Black Friday. O volume representa um salto de 19% em relação a um mês convencional de operação.

Para Barrios, a principal mudança observada nos últimos anos não está necessariamente no tamanho da Black Friday, mas na forma como as promoções passaram a se espalhar ao longo do mês.

“A Black continua sendo uma data tradicional, mas está mais diluída”, disse. “Foram criando Black Week, Cyber Week, Black Monday e foram diluindo esses picos em picos menores.”

Na prática, a mudança faz com que novembro inteiro se torne o principal período operacional para as empresas de logística, substituindo a concentração histórica em apenas um dia de promoções.

A leitura combina com uma pesquisa elaborada pela Confi, por meio da plataforma Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, que projetou crescimento das vendas na Black Friday de 2026 do e-commerce na comparação com o ano passado, impulsionado por compras mais frequentes, de menor valor, e distribuídas ao longo de todo o mês de novembro.

Para absorver o aumento da demanda, a DHL deve reforçar as operações com cerca de 2.600 trabalhadores temporários durante a alta temporada. O número representa um crescimento de 38% em relação a um mês convencional.

Beleza e suplementos compensam segmentos mais pressionados

Na avaliação do executivo, o desempenho positivo da operação reflete uma recomposição do consumo entre diferentes categorias atendidas pela companhia.

Enquanto alguns segmentos são mais afetados pelo ambiente de juros elevados e restrição de crédito, outros seguem em expansão, caso de beleza, suplementos e health & nutrition.

“Alguns setores acabam compensando a perda de outros setores”, afirmou Barrios.

Segundo Barrios, categorias ligadas a saúde, nutrição e beleza vêm ganhando espaço dentro da operação de e-commerce da empresa e ajudam a sustentar o crescimento agregado observado em 2026.

Questionado sobre os impactos das recuperações judiciais e extrajudiciais de grandes redes varejistas, Barrios afirmou que a companhia não observou reflexos relevantes sobre suas operações ou sobre a demanda por seus serviços.

“Nossos volumes continuaram funcionando normalmente. A gente não sentiu nenhum tipo de impacto nas nossas operações nem na nossa relação com os nossos clientes”, disse.

Além da contratação de pessoal, a companhia vem ampliando o uso de tecnologias de automação nos centros de distribuição. Entre as iniciativas estão robôs de apoio à separação de pedidos, sistemas de leitura automática de etiquetas por OCR e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao planejamento operacional.

Segundo Barrios, os robôs utilizados para movimentação horizontal dentro dos galpões já proporcionam ganhos de aproximadamente 14% na produtividade das operações.

“É impossível fazer isso sem tecnologia”, afirmou. “Preciso da tecnologia para que seja possível escalar a operação. E sigo investindo em tecnologia e contratando pessoas.”

O executivo destacou que a DHL conta atualmente com cerca de 24 mil funcionários na divisão de supply chain no Brasil, ante aproximadamente 18 mil no ano anterior. Para ele, o dado mostra que a automação tem acompanhado a expansão das operações, e não substituído mão de obra.

A companhia também vem ampliando sua infraestrutura de fulfillment no país para atender ao crescimento da demanda do comércio eletrônico. A rede DHL Fulfillment Network (DFN) conta atualmente com cinco centros de distribuição localizados em Jandira (SP), Cajamar (SP), Serra (ES), Brasília (DF) e Extrema (MG), somando mais de 35 mil metros quadrados de armazenagem.

Além disso, a companhia opera uma rede de 17 unidades voltadas ao last mile, etapa final das entregas ao consumidor.

Segundo Barrios, a estratégia passa por aproximar os estoques dos consumidores para reduzir prazos de entrega e aumentar a eficiência logística. Como parte desse plano, a companhia prevê abrir novas operações em Fortaleza e Porto Alegre ao longo de 2027, ampliando a capilaridade de sua rede no país.

The post DHL projeta Black Friday 27% maior e vê e-commerce avançar 14% em 2026 appeared first on InfoMoney .