Um dos textos, disparado na noite de 4ª feira (21.out.2026) e assinado pela conta GovBR, diz: “Informamos que votar nas eleições também vale como prova de vida para o INSS. O procedimento de prova de vida tem validade de 12 meses”. O 2º turno será realizado no domingo (25.out).

O Brasil tem 24,9 milhões de aposentados, seja por idade, tempo de contribuição ou invalidez, mas não se sabe exatamente quantas dessas pessoas receberam os textos automatizados no celular.

O Poder360 perguntou ao Ministério da Previdência e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República sobre os disparos. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Além do WhatsApp, o governo também enviou alerta para aposentados, incentivando-os a ir votar, pelo aplicativo Meu INSS. Essa estratégia de comunicação foi divulgada pelo próprio órgão dias antes do 1º turno.

Aposentados que não fazem a prova de vida deixam de receber o benefício. Ao enviar mensagens pelo WhatsApp para milhões deles, o governo Lula consegue mostrar que está presente na vida dessas pessoas. Sugere que saiam de casa para votar (o que ajudaria a reduzir a abstenção, algo vital para a estratégia eleitoral lulista) ao transmitir implicitamente a ideia de que, ao votar, esses cidadãos não terão a aposentadoria cortada.

Na 3ª feira (20.out), a campanha do senador e candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro , ao TSE em que pede a cassação da chapa de Lula por envio de mensagens em massa via WhatsApp no estilo das citadas acima.

A defesa de Flávio afirma que houve descumprimento da legislação eleitoral, que proíbe, desde 4 de julho, a publicidade institucional de atos, programas, obras e serviços públicos nos 3 meses anteriores à eleição, salvo exceções descritas em lei. Eis a da ação (PDF – 1 MB).

Governo Lula manda milhões de zaps para divulgar programas

Como mostrou o Poder360 , o governo Lula vem enviando pelo WhatsApp mensagens a milhões de brasileiros para divulgar programas sociais e outras ações da administração federal. Os chats são assinados pelo GovBR e direcionados, pelo menos, a inscritos no Bolsa Família , no Gás do Povo e no Luz do Povo e a usuários do aplicativo Celular Seguro .

Não se sabe exatamente quantas mensagens são enviadas por mês nem quantas pessoas as recebem. Mas, se só 30% dos 43,4 milhões de inscritos no Cadastro Único receberem duas mensagens, seriam 26 milhões de envios mensais.

O Poder360 teve acesso a algumas dessas mensagens. Em uma delas, uma beneficiária do Bolsa Família, identificada como Iara, é informada mensalmente de que o dinheiro é depositado em sua conta.

Em 23 de março, Iara recebeu uma mensagem informando que sua família havia sido incluída no Gás do Povo. O comunicado explicava como retirar gratuitamente o botijão de gás em estabelecimentos credenciados.

Em 15 de abril, a beneficiária foi informada de que tinha direito ao desconto na conta de energia elétrica pelo Luz do Povo. A mensagem detalhava as condições do benefício e orientava a manter os dados atualizados no CadÚnico (Cadastro Único).

Já em 2 e 22 de setembro, Iara recebeu mensagens sobre o Bolsa Família, informando que os pagamentos de agosto e setembro, respectivamente, estavam disponíveis. Os comunicados também orientavam a consultar os aplicativos Caixa Tem e Bolsa Família.

Em todos os casos, as mensagens identificavam a beneficiária pelo 1º nome e ofereciam a opção de interromper novos envios sobre cada programa. Para isso, bastava responder com a palavra “SAIR” .

Não está claro quantas pessoas recebem essas mensagens via WhatsApp assinado pelo GovBR, pois a administração federal não revela tais informações. É possível saber a dimensão desses programas e do seu público que pode receber as mensagens. O Bolsa Família atende 19,3 milhões de famílias. O Luz do Povo tem um público de 20,6 milhões de famílias, e o Gás do Povo, de 14,7 milhões. Os números não podem ser somados, já que uma mesma família pode ser beneficiária de mais de um programa. Também não significa que todas recebam as mensagens do governo.

O envio dessas mensagens pelo WhatsApp tem custo. Uma (Serviço Federal de Processamento de Dados), empresa pública federal responsável por serviços de comunicação digital, estabelece valores que variam conforme a finalidade e o volume dos disparos. As mensagens de utilidade, como avisos sobre benefícios, custam de R$ 0,0477 a R$ 0,0636 por unidade. Já as classificadas como marketing custam R$ 0,5849 cada. Há ainda uma cobrança de R$ 0,02 por envio de mensagem padronizada. Eis a (PDF – 64 kB).

Considerando a hipótese de 26 milhões de mensagens por mês , o custo ficaria próximo a R$ 2 milhões mensais , caso todas fossem de utilidade, ou R$ 15,7 milhões , caso fossem classificadas como marketing. Os valores são estimativas baseadas nessa tabela, de 2025, e não representam necessariamente os gastos efetivos do governo, que não são divulgados.

AÇÕES DE GOVERNO

Os informes não se restringem aos beneficiários de programas sociais. O governo também utiliza o WhatsApp para divulgar serviços públicos, orientações de segurança e medidas administrativas, como o aplicativo Celular Seguro.

As mensagens também divulgam o Disque 100, canal para denúncias de violações de direitos humanos, com orientações relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Na imagem abaixo, há um exemplo de como é feita essa abordagem:

O governo também enviou a algumas pessoas, no fim de setembro e início de outubro, um comunicado sobre a medida provisória 1.394 de 2026 , que proibiu a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil.

A mensagem alertava que os usuários de plataformas de apostas deveriam retirar os valores disponíveis até 5 de outubro. Caso o dinheiro não fosse sacado, os bancos teriam até 14 de outubro para realizar a devolução.

Diferentemente dos outros comunicados, a mensagem sobre as bets terminava perguntando ao destinatário se desejava continuar recebendo informações sobre o assunto, com as opções “Sim” e “Não” . A mensagem a que este jornal digital teve acesso não identificava o destinatário nominalmente.