Desde o início de 2025, o banco mantém uma visão positiva para o setor de distribuição de combustíveis, inicialmente sustentada pela recuperação das margens e pelas avaliações atrativas das empresas. Posteriormente, essa perspectiva foi reforçada pelo aumento da fiscalização contra irregularidades no mercado.

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Em 2026, as restrições geopolíticas à oferta global de combustíveis deram impulso adicional às margens, favorecendo a geração de caixa, a redução do endividamento e os retornos aos acionistas.

Esse cenário se refletiu no desempenho das ações. Desde o início de 2026, a Vibra acumula alta de 45%, enquanto a Ultrapar avança 91%.

Embora as condições macroeconômicas devam continuar sustentando os preços internacionais dos combustíveis acima dos níveis anteriores ao conflito e as margens do setor devam permanecer saudáveis, o JPMorgan avalia que a relação entre risco e retorno ficou menos atraente para a Ultrapar. A Vibra, por sua vez, ainda oferece uma combinação mais favorável de valuation, geração de caixa e potencial de desalavancagem.

Ultrapar ( UGPA3 )

O JPMorgan rebaixou a recomendação da Ultrapar para neutra, com preço-alvo de R$ 42,50, apesar de manter uma avaliação positiva sobre a execução operacional da companhia.

O rebaixamento, portanto, reflete uma avaliação menos atraente das ações, e não uma deterioração dos fundamentos da empresa.

A Ipiranga foi beneficiada por margens maiores e pela melhora do ambiente competitivo, enquanto a Ultragaz também contribuiu positivamente, especialmente em um cenário de menor pressão regulatória. Os resultados favoreceram a geração de caixa, a rápida redução do endividamento e o aumento dos retornos aos acionistas.

Após a forte valorização das ações, porém, o banco considera que a relação entre risco e retorno se tornou mais equilibrada. Uma parcela significativa da melhora da rentabilidade já estaria incorporada aos preços, reduzindo o espaço para expansão dos múltiplos e revisões positivas das estimativas de lucro.

O banco estima que a Ultrapar negocie a 12,7 vezes o lucro projetado para 2027, com retorno de fluxo de caixa livre de 9%. A projeção de lucro líquido do JPMorgan está alinhada ao consenso da Bloomberg, o que sugere ausência de espaço relevante para revisões das estimativas.

Entre os riscos para essa avaliação estão a possibilidade das margens permanecerem significativamente elevadas por mais tempo do que o esperado e as decisões de alocação de capital.

Vibra ( VBBR3 )

O JPMorgan reiterou a recomendação equivalente à compra para a Vibra, com preço-alvo de R$ 44,50, que continua sendo sua ação preferida no setor. Na visão do banco, o papel oferece uma combinação mais atraente de valuation, potencial de melhora operacional e redução do endividamento.

A empresa deve continuar se beneficiando do cenário favorável para a distribuição de combustíveis e ainda dispõe de espaço para capturar ganhos operacionais e financeiros.

A desalavancagem é outro componente importante da tese. A geração robusta de caixa pode fortalecer o balanço e abrir espaço para retornos maiores aos acionistas ao longo do tempo.

O JPMorgan projeta que, até o fim de 2027, a alavancagem da Vibra, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, fique em aproximadamente 1,6 vez, acima das 0,7 vez estimadas para a Ultrapar.

Segundo o banco, em um cenário de redução adicional das taxas de juros de longo prazo, a Vibra poderia se beneficiar mais da transferência de valor da dívida para o patrimônio dos acionistas.

O JPMorgan também destaca a Nova Futura (Inpasa), acionista relevante da Vibra, como potencial fonte de suporte adicional às ações. A empresa elevou recentemente sua participação para 15% e anunciou novas parcerias.

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