Um levantamento realizado pelo InfoMoney que considera os fechamentos de 2 de outubro , último pregão antes do primeiro turno, e 21 de outubro mostra que a Magazine Luiza ( MGLU3 ) lidera os ganhos, com valorização de 71,35% . Na sequência aparecem a MRV ( MRVE3 ) , com alta de 45,47% , e a Smart Fit ( SMFT3 ) , que avançou 44,13% no período.

O movimento também alcançou outras companhias. C&A ( CEAB3 ) acumula valorização de 34,47% , enquanto Vamos ( VAMO3 ) registra avanço de 34,18% , completando as cinco maiores altas do levantamento.

A disparada começou logo após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro . Na sessão seguinte, o Ibovespa avançou 7,70% , encerrando aos 206.911,89 pontos , em um movimento marcado pela forte entrada de compradores e pela queda das taxas de juros futuros.

Desde então, os investidores passaram a acompanhar com maior atenção as pesquisas eleitorais e as perspectivas para a condução da política econômica a partir de 2027, especialmente em relação ao equilíbrio das contas públicas e à trajetória futura dos juros.

Entretanto, a reta final da campanha também trouxe sinais de cautela. Na quarta-feira ( 21 ), o Ibovespa recuou 0,86%, aos 206.495,23 pontos , em uma sessão marcada pela reação do mercado à nova pesquisa Quaest, que apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

Com parte das ações acumulando ganhos superiores a 40% em menos de três semanas, a principal dúvida agora é se ainda existe espaço para a continuidade da valorização ou se a proximidade do segundo turno poderá intensificar a realização de lucros.

Inscreva-se gratuitamente na newsletter InfoMoney Premium e receba em primeira mão a manchete de amanhã

Veja as 10 ações que mais subiram após o primeiro turno das eleições

O levantamento considera a variação dos preços de fechamento entre 2 e 21 de outubro de 2026 , abrangendo os pregões realizados após o primeiro turno.

Ação Variação Magazine Luiza ( MGLU3 ) +71,35% (de R$ 7,61 para R$ 13,04) MRV ( MRVE3 ) +45,47% (de R$ 5,63 para R$ 8,19) Smart Fit ( SMFT3 ) +44,13% (de R$ 17,63 para R$ 25,41) C&A ( CEAB3 ) +34,47% (de R$ 10,30 para R$ 13,85) Vamos ( VAMO3 ) +34,18% (de R$ 4,74 para R$ 6,36) Azzas 2154 ( AZZA3 ) +31,93% (de R$ 19,54 para R$ 25,78) Localiza ( RENT3 ) +26,37% (de R$ 41,48 para R$ 52,42) Yduqs ( YDUQ3 ) +26,35% (de R$ 11,08 para R$ 14,00) Localiza ( RENT4 ) +25,79% (de R$ 40,95 para R$ 51,51) Lojas Renner ( LREN3 ) +25,43% (de R$ 11,76 para R$ 14,75)

Entre os papéis que mais se valorizaram, destaca-se a concentração de companhias expostas ao mercado doméstico e a setores mais sensíveis ao comportamento das taxas de juros. Além de Magazine Luiza, MRV e Smart Fit, a lista inclui varejistas como C&A, Azzas 2154 e Lojas Renner, além de empresas como Vamos e Localiza.

Embora os ganhos sejam expressivos, a valorização acumulada não significa necessariamente que as ações continuarão subindo. O movimento recente também amplia a importância da análise técnica, principalmente diante da proximidade da votação presidencial.

Magazine Luiza ( MGLU3 ): após disparada de 71%, ainda há espaço para subir?

A Magazine Luiza ( MGLU3 ) registra a maior valorização do levantamento. As ações passaram de R$ 7,61 , no fechamento de 2 de outubro , para R$ 13,04 , em 21 de outubro , acumulando ganho de 71,35% . Somente em 2026 , o papel registra valorização de 47,23% .

Na última sessão, as ações recuaram 3,98% , encerrando cotadas a R$ 13,04 , depois de alcançarem a máxima intradiária de R$ 13,93 . Apesar do movimento negativo, o ativo ainda mantém uma estrutura técnica de alta no curto prazo, após a forte recuperação iniciada em agosto.

No gráfico diário, observo que a Magazine Luiza passou por um prolongado movimento de baixa até atingir a mínima do ano em R$ 3,77 , em meados de agosto. A partir desse patamar, o papel iniciou uma recuperação expressiva, com aceleração do fluxo comprador nas últimas semanas e formação de topos e fundos ascendentes.

A cotação negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos , todas inclinadas para cima, reforçando a tendência positiva. Outro destaque é o crescimento significativo do volume financeiro negociado ao longo dos últimos 30 dias, especialmente nas duas semanas mais recentes, sinalizando maior participação dos investidores no movimento de valorização.

Apesar da estrutura favorável, o avanço acelerado exige atenção. O IFR (14) está em 74,53 pontos , em região de sobrecompra, enquanto o preço permanece relativamente afastado das médias móveis. Na minha leitura, essa combinação aumenta a possibilidade de ajustes ou realização de lucros, embora ainda não exista uma confirmação gráfica de reversão da tendência.

Para que o movimento de alta ganhe continuidade, será necessário superar a resistência imediata em R$ 13,93 , máxima registrada na última sessão. Caso haja rompimento desse patamar, acompanhado de força compradora, os próximos objetivos aparecem em R$ 16,00 , R$ 17,95 , R$ 20,50 e R$ 21,40 , com alvo mais longo em R$ 24,50 .

Por outro lado, um movimento corretivo mais consistente dependeria inicialmente da perda da região de R$ 12,45 . Abaixo desse nível, a atenção se volta para as médias móveis de curto prazo e para os suportes em R$ 10,28 , R$ 8,43 e R$ 7,81 , com referência mais distante na média móvel de 200 períodos, atualmente próxima de R$ 7,27 .

A perda dessas regiões, especialmente acompanhada de aumento do volume vendedor, poderia intensificar a correção e comprometer a estrutura positiva formada nas últimas semanas.

Por enquanto, contudo, mantenho uma leitura favorável à continuidade da tendência de alta. O papel apresenta sinais de movimento esticado, mas a superação de R$ 13,93 poderá abrir espaço para novas valorizações, enquanto a perda de suportes e médias móveis exigirá maior cautela.

Gráfico diário de Magazine Luiza (MGLU3), com destaque para a recuperação desde a mínima anual, médias móveis e principais regiões de suporte e resistência. Fonte: Nelogica.

MRV ( MRVE3 ): alta de 45% mantém ações em tendência positiva

A MRV ( MRVE3 ) aparece na segunda posição entre as maiores valorizações do levantamento, acumulando ganho de 45,47% desde o pregão anterior ao primeiro turno. No período, os papéis passaram de R$ 5,63 para R$ 8,19 . No acumulado de 2026 , a valorização informada na análise técnica é de 5,65% .

No gráfico diário, observo que a construtora também apresentou uma recuperação expressiva após atingir a mínima do ano na região de R$ 4,20 , em agosto. Desde então, o ativo passou a formar topos e fundos ascendentes, alterando a estrutura anterior de baixa e consolidando um movimento positivo no curto prazo.

A valorização ganhou intensidade na primeira sessão após o primeiro turno das eleições, em 5 de outubro , quando as ações avançaram 11,37% . O fluxo comprador se manteve nas sessões seguintes, levando o papel a alcançar recentemente a região de R$ 8,55 .

Atualmente, as ações negociam acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos , com as médias mais curtas apontando para cima. Essa configuração reforça a recuperação e mantém o cenário técnico favorável à continuidade do movimento comprador.

Entretanto, assim como ocorre com Magazine Luiza, a aceleração recente deixou o ativo relativamente afastado das médias móveis. O IFR (14) está em 75,05 pontos , em região de sobrecompra, o que aumenta a possibilidade de uma realização de lucros ou acomodação dos preços.

Na minha leitura, o movimento permanece de alta, mas a intensidade da valorização exige atenção aos próximos níveis técnicos. Até o momento, não identifico uma confirmação mais consistente de reversão, embora a perda de suportes acompanhada de volume vendedor possa alterar esse cenário.

Para dar continuidade ao fluxo de alta, será necessário superar a resistência imediata em R$ 8,55 . Caso o papel consiga romper essa faixa, poderá avançar em direção à região de R$ 8,99 , seguida de R$ 10,53 . Em um movimento mais prolongado, os próximos objetivos aparecem em R$ 11,60 e R$ 12,45 .

Em contrapartida, uma correção mais intensa dependeria inicialmente da perda do suporte em R$ 8,04 , abrindo espaço para um recuo em direção à média móvel de 9 períodos, próxima de R$ 7,54 , e à região de R$ 6,99 .

Abaixo desses patamares, os próximos pontos de atenção aparecem na média móvel de 200 períodos, próxima de R$ 6,64 , e na média de 21 períodos, em torno de R$ 6,44 . Em caso de agravamento do fluxo vendedor, os suportes seguintes estão em R$ 6,10 e R$ 5,95 , com objetivo mais distante próximo de R$ 5,00 .

O rompimento dessas regiões, principalmente com aumento do volume negociado, poderia favorecer uma correção mais profunda após a forte recuperação recente.

Por ora, entretanto, a estrutura permanece positiva. A formação de topos e fundos ascendentes, aliada à negociação acima das principais médias móveis, mantém a tendência de alta predominante. A superação de R$ 8,55 e, posteriormente, da região de R$ 9,00 poderá reforçar a continuidade do movimento comprador.

Gráfico diário de MRV (MRVE3), com destaque para a recuperação desde a mínima anual, médias móveis, IFR e principais níveis técnicos. Fonte: Nelogica.

Smart Fit ( SMFT3 ): ações sobem 44%, mas IFR indica sobrecompra

A Smart Fit ( SMFT3 ) completa o grupo das três maiores valorizações do levantamento, acumulando alta de 44,13% desde o pregão anterior ao primeiro turno. As ações passaram de R$ 17,63 , em 2 de outubro , para R$ 25,41 , no fechamento de 21 de outubro .

No gráfico diário, observo que a companhia apresentou um período prolongado de movimentação lateral, após atingir a mínima anual nas proximidades de R$ 16,40 . Durante essa fase, os preços oscilaram em uma faixa relativamente estreita, sem definição de uma tendência mais consistente.

Esse comportamento mudou na primeira sessão após o primeiro turno, em 5 de outubro , quando o papel registrou valorização de 18,60% , iniciando um movimento mais intenso de recuperação. Desde então, as ações ganharam força e passaram a negociar em patamares significativamente superiores aos observados nas semanas anteriores.

A aceleração do fluxo comprador também fica evidente no comportamento das médias móveis. Atualmente, o ativo negocia acima das médias de 9, 21 e 200 períodos , com as médias mais curtas inclinadas para cima, reforçando a estrutura altista no curto prazo.

Entretanto, o movimento recente deixou a cotação bastante afastada de importantes referências técnicas. O IFR (14) está em 75,38 pontos , indicando sobrecompra e aumentando a possibilidade de realização de lucros após a forte valorização.

Na minha avaliação, embora exista espaço para uma acomodação dos preços ou correção em direção às médias móveis, ainda não há um sinal gráfico suficientemente consistente para confirmar uma reversão da tendência. Por enquanto, o fluxo comprador continua predominante.

Para que o movimento de alta tenha continuidade, será necessário superar a resistência em R$ 26,53 . Caso o papel consiga romper esse patamar, os próximos objetivos aparecem em R$ 29,50 e, posteriormente, na região da máxima histórica indicada no gráfico, em R$ 30,37 .

Por outro lado, uma eventual correção ganharia relevância com a perda da região de R$ 23,69 . Abaixo desse nível, a atenção se volta à média móvel de 21 períodos, próxima de R$ 21,09 , seguida da média móvel de 200 períodos, na faixa de R$ 19,45 .

Em um cenário de maior pressão vendedora, os suportes seguintes estão em R$ 18,65 , R$ 17,70 e, mais distante, na região de R$ 16,40 , próxima da mínima anual.

A perda dessas referências, especialmente acompanhada de aumento expressivo do volume vendedor, poderia intensificar o fluxo corretivo e enfraquecer a estrutura de recuperação formada desde o início de outubro.

Por enquanto, contudo, mantenho uma leitura de tendência de alta para Smart Fit. O papel apresenta um movimento bastante esticado, mas a superação de R$ 26,53 poderá abrir espaço para novas valorizações, enquanto a perda de suportes e médias móveis poderá sinalizar uma correção mais consistente.

Gráfico diário de Smart Fit (SMFT3), destacando a forte valorização após o primeiro turno, médias móveis e regiões de suporte e resistência. Fonte: Nelogica.

Por que essas ações dispararam após o primeiro turno?

Um dos principais fatores foi a queda dos juros futuros, que ganhou força após o primeiro turno e a reavaliação das perspectivas para a política econômica.

Taxas menores tendem a favorecer empresas ligadas ao consumo, ao crédito e ao mercado imobiliário, ao reduzir custos de financiamento e melhorar as expectativas para a atividade.

O contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2029, por exemplo, recuou de 13,75% , em 2 de outubro , para 12,65% na primeira sessão após a votação.

O movimento ajuda a explicar o desempenho de ações como Magazine Luiza, MRV e Smart Fit. No caso da Magalu, o mercado também acompanhou o anúncio de uma parceria comercial com a Shopee .

A alta, porém, reflete sobretudo uma mudança nas expectativas e não necessariamente uma melhora equivalente nos fundamentos. Por isso, a análise técnica ajuda a avaliar se o rali ainda tem fôlego ou se os papéis se aproximam de regiões de correção.

Confira nossas análises:

Vale (VALE3) entra em sobrevenda; ação pode reagir ou ainda tem espaço para cair?

Dólar reage após cair abaixo de R$ 5: quais os próximos níveis e as ações afetadas?

Juros, risco fiscal e capital estrangeiro: o que pode mudar o rumo da Bolsa?

Ações ficam até 69% acima da média de longo prazo após rali; três entram no radar

Segundo turno pode ampliar ganhos ou provocar realização de lucros?

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro , o mercado entra nos últimos pregões antes de uma definição que pode alterar novamente as expectativas.

A pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , dentro da margem de erro.

A reação negativa do Ibovespa na quarta-feira mostrou a sensibilidade da Bolsa às pesquisas após o forte rali pós-primeiro turno.

Para ações que já acumulam ganhos expressivos, o ambiente pode elevar a volatilidade. Uma leitura favorável do resultado pode sustentar novas altas, enquanto uma mudança nas expectativas pode acelerar a realização de lucros.

Nos gráficos, Magazine Luiza, MRV e Smart Fit seguem em tendência de alta no curto prazo , mas já apresentam indicadores de força relativa em região de sobrecompra.

Isso não indica, isoladamente, reversão da tendência, mas mostra que os preços estão mais esticados e aumenta a importância dos próximos suportes e resistências.

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)

Guias de análise técnica:

O que é uma linha de tendência na análise gráfica?

O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de Trade

Bandas de Bollinger: como usar e interpretar?

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader . Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice .

The post MGLU3 sobe quase 70% e lidera rali pós-1º turno; ainda há espaço para alta? appeared first on InfoMoney .