A abertura da faixa de areia que ligou a Lagoa da Barra Nova à Praia do Foguete, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, pode estar relacionada ao volume atípico de chuva registrado nos últimos meses, segundo biólogo. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi acionado na quarta-feira (21) e informou que investiga se a conexão aconteceu de forma natural ou por meio de ação humana, o que configuraria crime ambiental.

A Lagoa da Barra Nova é conhecida popularmente como Lagoa Vermelha e, de tempos em tempos, se conecta ao mar. Este acontecimento foi registrado entre domingo (18) e segunda-feira (19). Imagens aéreas (vídeo acima) mostram a mudança que a conexão provocou na paisagem.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra banhistas no local, cavando a areia. Segundo o Inea, os órgãos responsáveis não foram procurados para autorizar qualquer intervenção no local.

Infográfico da Lagoa da Barra, entre Cabo Frio e Arraial do Cabo.

Segundo o biólogo do Instituto Albatroz, Eduardo Pimenta, a abertura da lagoa com o mar pode ter acontecido pelas chuvas registrado nos últimos meses mas não descarta a possibilidade de intervenção humana.

"Caso a abertura tenha sido feita por uma pessoa, a motivação pode ter sido o alagamento de casas no entorno da lagoa", explicou.

Na sexta-feira (16) Cabo Frio registrou 14,9 milímetros de chuva em aproximadamente 30 minutos, segundo a Defesa Civil.

O biólogo pontuou que o desaguamento da lagoa no mar não afeta diretamente a fauna marinha, mas pode implicar na morte dos peixes da lagoa.

"Alguns peixes de água doce que vivem na lagoa, quando chegarem no mar, vão morrer. Mas a maoria que conseguir se manter ali se reproduz e se estabelece a fauna normalmente. O impacto neste sentido não é tao significativo", disse o biólogo.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Jailton Dias, a prefeitura recebeu mensagens e e-mails de moradores do bairro do Foguete sinalizando que a abertura foi feita de forma artificial. Segundo Jailton, em períodos de chuva a lagoa enche e pode afetar casas próximas. Nestes casos a indicação é comunicar os órgãos ambientais para que a gravidade da situação seja avaliada.

"Pedimos ao Inea um parecer, uma perícia geomorfológica daquela abertura e uma análise de balneabilidade para ver se teve alguma alteração na água da Praia do Foguete. Também buscamos câmeras que possam nos ajudar a elucidar esse caso", explicou.

Banhista filmado cavando a areia disse que não foi com intenção de abrir a lagoa

Um dos banhistas filmados no local, Caio Pinheiro, negou que ele e os amigos que aparecem no vídeo estavam na praia com a intenção de abrir a passagem.

"Eu e meus amigos estávamos na praia brincando e cavando uma pequena piscina natural na areia, uma atividade recreativa comum entre frequentadores da praia."

"Inclusive, havia crianças pequenas, de aproximadamente 2 anos, participando da brincadeira. Em nenhum momento nossa intenção foi romper a lagoa, provocar qualquer dano ambiental ou realizar uma abertura irregular", disse Caio.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra banhistas supostamente abrindo a passagem.

O morador afirmou ainda que o rompimento ocorreu cerca de uma semana após a gravação do vídeo.

"Outro ponto importante é a cronologia dos acontecimentos: segundo o que presenciamos, o rompimento da lagoa ocorreu aproximadamente sete dias depois da gravação do vídeo. Na ocasião em que estivemos na praia, o tempo estava ensolarado, após um período de chuvas intensas. Por isso, considero importante que essa diferença de datas seja levada em consideração antes de se estabelecer qualquer relação entre a nossa brincadeira e o rompimento posterior", explicou.

A situação também chamou a atenção de frequentadores da praia. Um surfista que registrou o fenômeno relatou que não via a lagoa naquele cenário havia quatro anos. A lagoa faz parte do Parque Estadual da Costa do Sol.

Em nota, a Prefeitura de Arraial do Cabo informou que acompanha a situação, mas que, até o momento, não há confirmação de que a abertura do canal tenha sido feita de forma intencional.

Na manifestação, Caio declarou que considera injusto que as imagens levem à conclusão de que ele e os amigos foram responsáveis pelo rompimento sem que haja comprovação e afirmou que está à disposição para prestar esclarecimentos durante a apuração do caso.

"Entendo a importância da preservação ambiental e respeito o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização. Entretanto, considero injusto que a divulgação do vídeo leve as pessoas a acreditar que fomos responsáveis pelo rompimento da lagoa, sem que essa responsabilidade tenha sido devidamente comprovada", concluiu Caio.