A seleção se concentra no rap nacional e reúne diferentes gerações da cena brasileira. Sem enrolação, Rashid apresentou cada álbum com a convicção de quem fala de referências duradouras. Juntas, as escolhas revelam um artista cuja obra se constrói em diálogo constante com as possibilidades do rap. Confira:
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Stefanie — Bunmi (2023)
“Disco absurdo que me fez refletir muito para a criação do meu próprio álbum”, disse Rashid ao apresentar Bunmi . O trabalho de Stefanie dialoga com as tradições do rap paulistano sem abrir mão de uma identidade própria. Para Rashid , o impacto da escuta se estendeu ao processo criativo e à maneira de pensar a própria música.
Kamau — Non Ducor Duco (2008)
“Absurdo. E eu tô lá.” A frase resume a relação de Rashid com Non Ducor Duco , disco de estreia de Kamau , lançado em 2008. O título remete ao lema em latim presente no brasão de São Paulo: “não sou conduzido, conduzo”. Rashid participou do álbum sem imaginar a importância que ele ganharia com o tempo. Ao dizer “quem dera eu soubesse que ia ser um clássico quando gravei, né?”, o rapper combina o orgulho de ter integrado o projeto com o reconhecimento de seu legado para o rap paulistano contemporâneo.
SP Funk — O Lado B do Hip Hop (2000)
“ SP Funk é um grupo fundamental para a formação da minha geração”, afirmou Rashid . E acrescentou: “Os caras que meio que mostraram que dava para usar as rimas de batalha que a gente adorava nas músicas”. O Lado B do Hip Hop levou para as faixas a energia das batalhas, em que cada verso precisava ser certeiro e imediato. Para Rashid e sua geração, o grupo mostrou que a espontaneidade das ruas e o rigor técnico podiam caminhar juntos. Essa combinação se tornou uma referência para o rapper.
Racionais MCs — Sobrevivendo no Inferno (1997)
“ Sobrevivendo no Inferno meio que abriu os portais da minha mente para o que o rap poderia fazer por mim e o que eu poderia fazer com o meu rap para o mundo”. Embora reconheça a dificuldade de escolher um único disco de Racionais MCs , Rashid é preciso ao explicar sua preferência. Lançado em 1997, o álbum ampliou as possibilidades do rap brasileiro e marcou a maneira como a periferia narrava a própria realidade. Para uma geração que encontrou sua vida retratada naquelas faixas, o trabalho funcionou como um mapa. Rashid foi um desses ouvintes: ali, começou a enxergar o rap tanto como espelho de suas experiências quanto como instrumento de transformação.
Emicida — Amarelo (2019)
“Um desses meteoros assim que caem de vez em quando”, disse Rashid sobre Amarelo , álbum do “amigo querido” Emicida , lançado em 2019. A definição vem acompanhada de uma observação: “É um disco que fura a bolha do rap, ao mesmo tempo que é muito rap”. Rashid destaca a capacidade de Emicida de alcançar novos públicos sem se afastar das raízes do rap nacional. Amarelo se tornou trilha sonora da pandemia, mobilizou doações e reuniu Pabllo Vittar , Majur , Gilberto Gil e Zeca Pagodinho em um mesmo projeto. Na avaliação de Rashid , o alcance da obra será duradouro: o disco será estudado pelos próximos 200 ou 300 anos.
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