Em entrevista à USA Today , Stanley relembrou o cenário na época de lançamento de Detroyer , álbum da banda que completou 45 anos esse mês. Às vésperas da novidade, o Kiss ainda enfrentava críticas por sua excentricidade. Segundo Gene Simmons , esse escrutínio os fazia sentir como se estivessem sendo constantemente empurrados “para a parte funda da piscina, independentemente de saberem nadar ou não”. Essa controvérsia inesperada dificultou a conquista de reconhecimento, mesmo com o crescente grupo de admiradores que entendiam a essência da banda. “Os primeiros anos do Kiss estavam longe de ser glamorosos”, explicou Simmons . “Viajávamos centenas de quilômetros por dia em uma perua. Nos revezávamos na direção e dormíamos no banco de trás.”

Com a chegada do quarto álbum de estúdio da banda, os integrantes ganharam o respeito do público roqueiro de uma vez por todas. Relembrando a época, Stanley afirmou: “Eu fiz esse álbum quando era jovem e aqui estou eu. Foi uma verdadeira experiência de aprendizado trabalhar com o produtor Bob Ezrin , porque éramos apenas garotos de Nova York. Ele nos tratou como os idiotas que éramos, mas idiotas com grande potencial”. O músico completou: “Esse álbum foi fundamental para nós. Certamente pegou muita gente de surpresa porque não soava como Alive! (o álbum que nos lançou ao estrelato em 1975). Criamos um álbum cinematográfico, algo que soa como um filme IMAX. Tenho muito orgulho dele. Não é coincidência que nosso repertório ainda tenha mais músicas do Destroyer do que de qualquer outro álbum.

Uma das faixas de repercussão mais estrondosa do projeto é “ God of Thunder “. Composta por Stanley , a faixa era originalmente mais acelerada e contava com o líder do grupo como vocalista pincipal. Quando o músico apresentou a canção a Ezrin , este ficou encantado, provavelmente sabendo imediatamente que seria um grande sucesso . No entanto, para surpresa de Stanley , o produtor achou que a música deveria ser um pouco mais calma, e , principalmente, que pertencia a Simmons .

Os co-vocalistas do Kiss , que dividiam o repertório, não tinham opção que não aceitar a decisão. Ezrin tomou a música de Stanley para que Simmons a cantasse. “Nossa, fiquei arrasado. Fiquei devastado”, relembra Stanley na conversa com a USA Today .

“Eu trouxe a música e achei que ela seria a minha música de assinatura. Contratamos um produtor por vários motivos, e um deles era para desempatar entre o Gene e eu, porque certamente houve momentos em que discordamos. Então toquei “God of Thunder” e o Bob disse: “Isso é ótimo, o Gene está cantando”, e passamos para outra música. E eu fiquei arrasado”, conta Stanley . “Em retrospectiva, não poderia ter sido uma decisão melhor. É uma música que define muito a personalidade do Gene e ele a interpretou maravilhosamente bem. Às vezes, você tem sorte de estar errado.”

Para além da mudança de voz, o produtor colocou outros toques pessoais na faixa que na época não agradaram tanto seu autor. Aqueles sons estranhos de crianças que permeiam a gravação vieram dos filhos de Ezrin, David e Josh, que visitaram o estúdio com um conjunto futurista de walkie-talkies. O produtor os gravou fazendo sons monstruosos através do equipamento, inicialmente com a intenção de baixar o tom para torná-los mais ameaçadores, no fim mantendo as vozes como estavam.

Na mesma entrevista, Stanley destacou que não vê o Kiss lançando um novo álbum. “Sinceramente, não vejo muita razão para isso. Na maioria das vezes, quando bandas clássicas lançam novos álbuns, eles são analisados, ouvidos e descartados porque não têm a mesma importância, não têm a mesma aura de algo que é uma cápsula do tempo ou que está ligado a um certo período da sua vida. E não sou o único que pensa assim. Quando você vê alguma banda clássica na TV ou em um vídeo de show, desligue o som e eu vou te dizer a cada vez que eles tocam uma música nova, porque o público se senta.”

O último projeto de estúdio do grupo foi Monster , lançado em 2012. “Então, acho estranho que as pessoas sempre queiram que você faça um novo álbum, mas depois digam: “Ótimo, agora toquem seus sucessos”. Honestamente, neste momento, não há uma recompensa real nisso. Há muito mais recompensa em mudar de rumo – eu continuo seguindo em frente”, afirma o líder da banda. Stanley completa: “Mas, em termos de gravar mais material do Kiss, eu meio que penso: “Por quê?” Eu achava que “Modern Day Delilah” ou “Hell or Hallelujah” eram tão boas quanto qualquer coisa que eu já escrevi e tão boas quanto qualquer coisa que gravamos, mas, compreensivelmente, é como vinho novo. Simplesmente não envelheceu. Então, prefiro não tentar empurrar uma pedra morro acima.”

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