Cinco homens foram denunciados pela morte da vereadora de Aiuaba, no interior do Ceará, Jucely Alves Arrais, conhecida como Cely Arrais. O crime aconteceu em 21 de fevereiro de 2017. O Ministério Público do Ceará denunciou o grupo nesta quarta-feira (21), mais de 9 anos após o homicídio.
O crime foi flagrado por câmeras de segurança (veja no topo da reportagem). Cely foi assassinada no distrito de Bom Nome, na zona rural de Aiuaba. O MP disse que o crime teria sido motivado por conflitos familiares, políticos e econômicos.
O g1 teve acesso à denúncia contra os suspeitos. Os denunciados são:
Antônio Eldo Nogueira de Sousa, conhecido como "Eldo" ou "Eldo do Felipe", de 44 anos, denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe ou pagamento e por um meio que dificultou a defesa da vítima;
Francisco Elton da Silva Sousa, conhecido como "Teta" ou "Teta do Felipe", de 43 anos (irmão de Eldo), denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe ou pagamento e por um meio que dificultou a defesa da vítima;
Antônio Neves Pereira, conhecido como "Sr. Tonho" ou "Totonho", de 57 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada e homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima;
Francisco André Gonçalves Feitosa, de 36 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada e homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima;
Antônio de Araújo Chaves Neto, conhecido como "Tonho da Ronda", de 50 anos, denunciado por integrar organização criminosa armada.
O g1 não localizou as defesas dos acusados.
A denúncia do MPCE foi baseada em imagens de câmeras de videomonitoramento da região e em material extraído de aparelhos celulares apreendidos com os supostos envolvidos.
Morte da vereadora
Cely, que tinha 35 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde morava, em uma fazenda na zona rural da cidade.
Cely Arrais, que tinha 35 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde morava, em uma fazenda na zona rural da cidade. Segundo o Ministério Público, o homicídio seria uma retaliação à morte de um membro da família de dois dos denunciados.
O homicídio de Cely Arrais está inserido em um contexto de disputas políticas e econômicas de famílias rivais na região. Segundo a denúncia, a morte dela seria uma retaliação decorrente da morte de Marcos Antônio Solano Feitosa, conhecido como “Marcos Baladeira”, ocorrida em outubro de 2016.
Após esse fato, integrantes do núcleo familiar de Cely passaram a ser apontados como alvos de ações violentas, especialmente seu companheiro Francisco Alves de Sousa, vulgo “Josa”, e outros familiares.
À época, familiares da vereadora informaram que ela já havia sofrido ameaças. Contudo, a polícia informou que não pôde realizar um monitoramento extensivo porque a vítima morava em um local ermo.
Após os tiros, a vereadora chegou a ser socorrida a um hospital na cidade de Pio IX, no estado do Piauí. Porém, ela não resistiu aos ferimentos e morreu.
Sequência de homicídios
No ano anterior à execução da vereadora, em 2016, José Valmir de Sousa, cunhado de Jucely e também vereador de Aiuaba, foi morto a tiros durante a campanha eleitoral, após participar de um comício no Distrito de São Nicolau.
No mesmo dia, um agricultor, identificado como Pedro Lopes, foi morto também a tiros pelo filho de José Valmir. A Polícia descartou ligação entre os casos.
Populares informaram, contudo, que o lavrador estava comemorando a morte do pai do suspeito no momento da execução.
No ano de 2017, em janeiro, o irmão da parlamentar, identificado como Jeleudy Arrais, foi assassinado no município Pio IX, no Piauí.
Em março, no mês seguinte, o marido da vereadora, identificado como Josa Arrais, foi morto no bairro Bela Vista.
Já em abril, Graciliano Bezerra, irmão do presidente da Câmara de Vereadores de Aiuaba, Narcélio Bezerra, foi morto em um lava-jato da região.

