José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, desapareceu no dia 8 de outubro, após cair em um golpe na venda do próprio carro e viajar de São Paulo para o litoral paulista. O jovem foi visto pela última vez em Guarujá. A Polícia Civil investiga o desaparecimento, mas ainda não se sabe se o sumiço tem relação com a fraude.
Segundo as advogadas que representam amigos de José no inquérito, ele transferiu o carro para uma compradora, mas o dinheiro foi depositado na conta de um suposto intermediário. Na data do desaparecimento, o jovem gravou um vídeo relatando o golpe (assista acima).
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Câmeras de monitoramento e relatos de motoristas permitiram reconstruir o caminho de José de São Paulo até Santos e, depois, Guarujá. O último paradeiro conhecido é a frente de um condomínio na cidade, onde ele foi deixado por um motorista. Desde então, não há informações sobre o que aconteceu com o jovem.
Linha do tempo: do golpe ao desaparecimento
José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, saiu com outra roupa minutos após chegar em apartamento em SP
Anúncio do carro:
José anunciou o veículo nas redes sociais. Um homem entrou em contato e se ofereceu para intermediar a negociação;
Golpe na venda:
José transferiu o carro para uma compradora, mas o dinheiro foi depositado na conta do suposto intermediário. O jovem ficou sem o veículo e sem receber o pagamento;
Vídeo sobre o golpe — 8 de outubro:
Na data do desaparecimento, José gravou um vídeo relatando o golpe. Na gravação, afirmou que os compradores do carro não tinham envolvimento com o crime;
Passagem pelo apartamento:
Antes de viajar, José passou pelo apartamento dele, no bairro Bela Vista, em São Paulo. Câmeras registraram que ele permaneceu no imóvel por cerca de oito minutos e saiu com outra roupa;
Viagem de R$ 700 até Santos:
Após a negociação, José pagou R$ 700 a um motorista para levá-lo até Santos, no litoral de São Paulo, em uma viagem particular;
Parada em um bar:
O motorista deixou José em um bar no bairro Boqueirão, em Santos. Imagens de monitoramento registraram o jovem sozinho no estabelecimento;
Corrida de R$ 500 até Guarujá:
José solicitou uma viagem por aplicativo até a balsa. Após entrar no veículo, ofereceu R$ 500 ao motorista para levá-lo a Guarujá por fora da plataforma;
Relato de tristeza:
Segundo as advogadas, o motorista contou que José estava embriagado e triste por ter caído no golpe. Durante o trajeto, o jovem afirmou que queria tomar um banho de mar;
Último paradeiro conhecido:
O motorista deixou José em frente a um condomínio em Guarujá. A família tentou obter imagens das câmeras do local, mas as gravações já não estavam disponíveis;
Mensagem à ex-namorada:
Na noite do desaparecimento, José enviou uma mensagem a uma ex-namorada perguntando se ela estava noiva. Ela respondeu, mas não conseguiu mais contato com ele;
Descoberta do vídeo:
Cerca de três dias depois, o vídeo sobre o golpe foi encontrado no computador de José, que estava desbloqueado no apartamento dele, na capital paulista.
O que se sabe sobre a investigação?
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o caso foi registrado como desaparecimento de pessoa. A investigação é conduzida pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do 46º Distrito Policial (Perus).
As advogadas Bianca Santiago e Vitória Moreira, que representam amigos de José no inquérito, informaram que registros de viagens feitas por aplicativos também ajudaram a reconstituir os deslocamentos do jovem.
As profissionais não acreditam que o desaparecimento esteja diretamente relacionado ao golpe, embora considerem que o episódio possa ter provocado um abalo emocional. Elas aguardam a quebra do sigilo bancário de José para aprofundar outras linhas de investigação.
Até o momento, as informações disponíveis não esclarecem o que aconteceu com José depois que ele foi deixado em frente ao condomínio em Guarujá.
Quem é José Luis?
José Luis é formado como analista de sistemas pelo Instituto Federal do Pará (IFPA) e é o filho caçula de uma família que vive em Itaituba, no oeste do Pará.
Ao g1, o irmão Eustáquio da Costa Oliveira contou que José morou com ele e com o pai até meados de 2023, quando se mudou para Barcarena (PA) para trabalhar em uma empresa de tecnologia. No fim de 2025, foi transferido para a sede da empresa em São Paulo.
Segundo Eustáquio, José sempre foi reservado e não costumava compartilhar seus planos. Apesar disso, mantinha contato com o pai pelo menos uma vez por semana e tinha o hábito de jogar online com o irmão nos fins de semana.
"Nunca fomos muito próximos de compartilhar as coisas um com o outro, mas sempre estávamos em conexão, pois tínhamos o hábito de jogar online aos finais de semana, quando dava", afirmou Eustáquio.
José já havia trabalhado na filial da empresa em Santos e gostava da Baixada Santista por causa da natureza e das praias. Segundo o irmão, ele considerava a região um lugar para recarregar as energias.
A família sofre com o desaparecimento, principalmente o pai, que, segundo Eustáquio, passou noites sem dormir. Os familiares, porém, não consideram viável viajar ao litoral paulista para acompanhar as buscas presencialmente.
"Temos nossos trabalhos e estando em São Paulo não podemos fazer muita coisa para avançar nas investigações, uma vez que isso compete à Polícia Civil e demais órgãos competentes", afirmou.
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