O estudo faz parte da tese de doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas (PR), sob a orientação da professora Tsai Siu Mui, do Cena-USP, campus de Piracicaba.
Leguminosa nativa da América tropical, a árvore é encontrada em quase todas as regiões do Brasil. Por isso, tem ampla adaptabilidade no país. “ Ela já era considerada uma das melhores espécies de árvore para a integração com pastagens, pois além da sombra proporcionada ao gado, ela é capaz de fixar nitrogênio no solo e ainda produz frutos apreciados pelos animais ”, conta Cipriani.
O pesquisador ressalta que, apesar de o aproveitamento madeireiro do bordão-de-velho não ser tão vantajoso —diferentemente do eucalipto, por exemplo—, os vários benefícios promovidos pela leguminosa a tornam interessante para pecuaristas.
Árvore apresenta múltiplos usos
A Samanea tubulosa , popularmente conhecida como bordão-de-velho, é uma árvore da família Fabaceae, a mesma de leguminosas como soja e feijão. No Brasil, é encontrada em diferentes regiões e formações vegetais e também em outros países sul-americanos.
A espécie apresenta ampla adaptação a diferentes condições ambientais. No Brasil, há registros de ocorrência em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe.
Além de bordão-de-velho, a Samanea tubulosa recebe diferentes nomes populares conforme a região, entre eles barba-de-velho, abobreira, farinha-seca, ingá-de-pobre, samaneiro, sete-cascas e árvore-da-chuva.
A árvore pode atingir cerca de 28 metros de altura e apresenta copa ampla e flores vistosas, de coloração branca, rosada ou púrpura. Seus frutos são vagens procuradas pelo gado, e ramos e frutos podem ser utilizados na alimentação animal.
A espécie também proporciona sombra em pastagens e possui nodulação das raízes associada a bactérias do gênero Rhizobium. Pode ser empregada em sistemas agroflorestais e silvipastoris, além de ter usos paisagísticos e madeireiros.
Estudo amplia perspectivas
O estudo integra uma linha de pesquisa desenvolvida por Cipriani sobre a qualidade do solo em sistemas silvipastoris. O artigo Native tree species in silvopastoral system outperforms Eucalyptus in enhancing soil health , publicado na RBCS (Revista Brasileira de Ciência do Solo), apresenta resultados de amostras coletadas em 2022. A tese de doutorado do pesquisador, por sua vez, analisou amostras coletadas em 2024. Os dois trabalhos se complementam.
Para a orientadora de Cipriani, o trabalho contribui para o debate sobre a sustentabilidade dos sistemas agropecuários tropicais ao demonstrar os benefícios do bordão-de-velho (S amanea tubulosa ) para a saúde do solo em comparação ao eucalipto ( Eucalyptus pellita ). “ Os resultados são promissores e reforçam o potencial da biodiversidade nativa para a ciclagem de nutrientes e o sequestro de carbono, abrindo novas perspectivas para o manejo desses sistemas no Brasil ”, afirma.
Este texto foi publicado originalmente pela Embrapa em 20 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360

