Com 98,27% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,75% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou a disputa 48,25%, dos votos. A diferença entre os candidatos foi de 4,3 milhões de votos, ou 3,5 pontos percentuais.

O resultado representa uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio terminou à frente, com 56,1 milhões de votos (47,03%), enquanto Lula recebeu 53,9 milhões (45,16%). A vantagem do candidato do PL havia sido de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

A vitória de Lula também contraria um padrão observado nas eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização: até 2026, todos os candidatos que chegaram à frente no primeiro turno haviam confirmado a liderança na votação decisiva.

A disputa pela reeleição

A campanha de Lula chegou ao segundo turno pressionada pelo resultado das urnas. Após a primeira votação, o presidente reconheceu problemas na organização da campanha e intensificou a mobilização de aliados, especialmente em regiões onde o PT concentra parte de seu eleitorado tradicional.

O petista também ampliou as críticas às propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, sobretudo à promessa de redução de despesas públicas. A estratégia incluiu a defesa dos programas sociais de seu governo e a tentativa de associar a candidatura adversária a possíveis cortes de benefícios.

Na reta final, Lula voltou a dar destaque à redução da jornada de trabalho, ao combate ao crime organizado e à ampliação de políticas de transferência de renda.

As principais promessas

Entre os compromissos apresentados para o próximo mandato está o fim da escala de trabalho 6×1, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e preservação dos salários.

Na economia, Lula defende a continuidade do atual arcabouço fiscal, a ampliação dos investimentos públicos e uma nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O plano também prevê o aprofundamento da reforma tributária e a expansão de obras de infraestrutura.

A agenda social inclui a manutenção do Bolsa Família, a ampliação do Pé-de-Meia e iniciativas de apoio a microempreendedores. Durante o segundo turno, o governo anunciou medidas de renegociação de dívidas para MEIs e a expansão do Pé-de-Meia para estudantes universitários a partir de 2027.

Na segurança pública, o presidente colocou entre suas prioridades o fortalecimento da atuação federal contra o crime organizado. A estratégia inclui a PEC da Segurança Pública, medidas de bloqueio de celulares em presídios e ações voltadas ao sistema penitenciário.

A pressão por um ajuste fiscal

A situação das contas públicas será uma das primeiras questões enfrentadas pelo presidente reeleito. A dívida pública está próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o crescimento das despesas obrigatórias reduz o espaço para novos investimentos.

Durante a campanha, Lula defendeu a manutenção do arcabouço fiscal e uma redução gradual do déficit, com o objetivo de alcançar superávit primário de 1,3% do PIB até 2030.

A estratégia também prevê crescimento econômico, investimentos públicos e ampliação da arrecadação por meio de uma tributação mais progressiva.

Entretanto, economistas avaliam que o governo precisará discutir mudanças nas regras que determinam a expansão automática das despesas.

Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, apontou que a política de valorização do salário mínimo, os gastos previdenciários, os mínimos constitucionais de saúde e educação e as emendas parlamentares representam desafios importantes para o equilíbrio fiscal.

Segundo ela, mudanças na política de valorização do salário mínimo são pouco prováveis em um quarto mandato, devido à importância do tema para Lula e para o PT.

A consultoria considera mais plausível que o governo discuta alterações nas vinculações de despesas de saúde e educação, além de medidas para conter outros gastos obrigatórios. Essas possibilidades são avaliações da economista e não compromissos anunciados pelo presidente.

O problema político está na necessidade de negociar medidas de contenção de despesas depois de uma campanha marcada pela promessa de ampliar benefícios.

Quarto mandato presidencial

Aos 80 anos, Lula ampliou sua trajetória eleitoral com uma quarta vitória na disputa pelo Palácio do Planalto. Ele completa 81 anos em 27 de outubro, dois dias após o segundo turno.

Nascido em Garanhuns, Pernambuco, iniciou sua carreira política no movimento sindical do ABC paulista, onde se destacou à frente das greves dos metalúrgicos durante a ditadura militar.

Fundador do Partido dos Trabalhadores, disputou sua primeira eleição presidencial em 1989. Depois de três derrotas consecutivas, chegou ao Planalto em 2003 e foi reeleito em 2006. Voltou ao poder em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022.

A nova vitória mantém Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência. Os dois exercerão mandato até 31 de dezembro de 2030.

O resultado também abre uma nova etapa de negociações políticas para o petista. Lula terá de reconstruir sua base de apoio no Congresso eleito em outubro, em um cenário de avanço de partidos de direita e centro-direita nas duas Casas.

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