"Os partidos do Centrão vão participar do governo? Eu defendo que participem e [vamos dialogar] para isso. Porém, tem que ser uma participação efetiva, não é meia participação, não é meia governabilidade, tem que ser governabilidade integral e total", disse Guimarães.
🔎 Governabilidade é a capacidade de um governo de aprovar e fazer valer suas propostas e políticas públicas. Um número significativo de deputados e senadores facilita a aprovação de temas no Congresso.
O ministro se reuniu na manhã desta terça com a bancada do PT na Câmara dos Deputados. Segundo ele, os parlamentares petistas concordam que é preciso mudar a relação com o Congresso.
Lula terá Congresso com maioria da oposição e precisará negociar para aprovar projetos.
Guimarães criticou partidos políticos que tiveram até três ministérios durante o atual governo Lula e não entregaram votos para pautas importantes da gestão petista.
"Nós precisamos construir um governo com muitas alianças, mas com nitidez política por conta do que aconteceu nas ruas", disse o ministro.
Para ele, o quarto mandato de Lula precisará considerar as demandas que a população fez durante manifestações no segundo turno das eleições.
Guimarães disse ainda que o encontro de Lula com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já teve um indicativo "para a construção da nova governabilidade" da gestão petista.
Deputado Federal, José Guimarães e o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Ricardo Stuckert / PR
Lula encontrará um Congresso muito mais desafiador a partir de 2027. O PL conseguiu ampliar sua bancada tanto na Câmara como no Senado.
Partidos de direita e de centro que haviam apoiado Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno parabenizaram a vitória do petista. Mas ainda não há acordos com a chapa vencedora.
União Brasil e PSD defenderam diálogo, enquanto o Podemos afirmou que atuará com independência no Parlamento e o PSDB disse que seguirá na oposição.
Assim, o presidente precisará costurar apoios a partir de agora para tentar fazer frente aos 121 deputados e 29 senadores do PL.
Parte das negociações inclui as presidências da Câmara e do Senado. Em 2027, tanto Motta quanto Alcolumbre poderão disputar a reeleição como chefes de suas respectivas Casas Legislativas. A expectativa é que o PT apoie ambos nas disputas.

