A conferência será de 9 a 20 de novembro. O segmento de líderes, que concentra a presença de chefes de Estado, está marcado para 11 e 12 de novembro.
A presidência brasileira vai até o início da COP31. A Turquia sedia o evento, e a Austrália preside as negociações, em arranjo inédito.
A presidência brasileira da COP30 é liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago, responsável pela condução política da conferência e pela articulação de consensos entre os países. Ana Toni, diretora-executiva do evento, coordena a implementação das ações e as frentes de trabalho.
A presença de Lula foi anunciada em nota à imprensa após telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Em Belém, a cúpula de líderes foi separada do restante da COP por razões logísticas. Na Turquia, o encontro de chefes de Estado fica dentro do cronograma da conferência, como nas edições anteriores.
ENTREGAS DO BRASIL
A COP30 terminou com 56 decisões aprovadas por consenso, entre elas o pacote Mutirão. Ficou de fora do texto final o mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis, que a presidência passou a tratar como iniciativa voluntária, fora da negociação formal.
O Brasil também lançou o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre). O fundo soma cerca de US$ 7,3 bilhões em compromissos e precisa de US$ 10 bilhões até 31 de dezembro para ser ativado. A Noruega, maior doadora, com US$ 3 bilhões, condiciona seu aporte a essa meta.
A COP30 criou ainda o Acelerador Global de Implementação, iniciativa voluntária conduzida em conjunto com a presidência turca. Seu objetivo é apoiar a execução das NDCs (metas climáticas nacionais) e dos planos de adaptação.
Para fechar a presidência brasileira, a gestão prepara a entrega de 3 documentos:
Roadmap dos combustíveis fósseis: terá 7 capítulos. Teve contribuições de 115 países e 247 atores não estatais, número apresentado em Bonn, em junho;
Roadmap de florestas: meta de parar e reverter o desmatamento até 2030;
Relatório do roteiro de Baku a Belém: 1ª atualização do plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. A atualização será apresentada na COP31.
Os mapas sobre combustíveis fósseis e florestas foram anunciados pela presidência brasileira depois de não haver consenso entre os países para aprovar um compromisso mais explícito sobre a transição energética. A proposta brasileira é manter a discussão internacional e oferecer caminhos para avançar nesses temas.
O roteiro de financiamento, elaborado pelas presidências das COP29 e COP30, busca ampliar os recursos disponíveis para países em desenvolvimento. A iniciativa procura coordenar fontes públicas e privadas de financiamento para viabilizar ações de mitigação e adaptação à mudança do clima.
A presidência brasileira também lançou o GIA (Acelerador Global de Implementação), voltado a apoiar os países na execução de suas metas climáticas e de seus planos de adaptação. A iniciativa integra o esforço para reduzir a distância entre compromissos internacionais e ações concretas.
Sérgio Lima/Poder360 – 13.nov.2025
O embaixador André Corrêa do Lago e a CEO Ana Toni durante protesto indígena na COP30. Nos momentos finais da negociação, pediram aos países “espírito de mutirão” para que se entrem em consenso temas-chave da conferência
Desafio é a continuidade
A permanência dessas iniciativas depois da transferência de comando é um dos principais desafios da presidência brasileira. A agenda de ação da COP reúne governos, empresas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil, mas a continuidade dos projetos depende do engajamento dos parceiros e da disposição das próximas presidências em mantê-los.
O acelerador, por exemplo, estabeleceu uma rede de parceiros, uma instituição responsável pela coordenação, um grupo independente de especialistas e um comitê de direção para decidir quais iniciativas avançarão.
A articulação envolve a presidência brasileira e a futura gestão turca. A expectativa é que a estrutura ajude a dar continuidade a projetos da agenda de ação mesmo depois da troca de comando.
O modelo, porém, não elimina o risco de mudanças de prioridade: as recomendações técnicas e a participação de parceiros podem estimular a continuidade, mas não garantem que todas as iniciativas sejam mantidas.
Na COP31, a presidência brasileira pretende apresentar os mapas do caminho elaborados depois da conferência de Belém. A divulgação deve permitir que os países e parceiros conheçam as propostas e discutam como colocá-las em prática durante a nova edição da conferência.
LULA ON THE ROAD
Além da COP31, Lula tem outros compromissos internacionais previstos até o fim do ano. Ele retoma a agenda internacional depois da vitória nas eleições de 2o26 .
A cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) será em novembro, nas Filipinas. O governo brasileiro avalia a participação de Lula na abertura do encontro.
O presidente também poderá participar da cúpula de chefes de Estado do Mercosul, marcada para 4 de dezembro, em Montevidéu, no Uruguai.
Em dezembro, Lula vai viajar aos Estados Unidos para a cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami, sob a presidência norte-americana de Donald Trump.

