O agrément é a aceitação formal do país anfitrião ao nome de um embaixador. Sem ele, o diplomata não pode assumir o posto. O governo havia decidido não dar o aval a ninguém antes da eleição. Agora, o tema entra em análise.
Se o nome for aprovado, Perez virá ao Brasil e entregará as cartas credenciais ao presidente. A avaliação é que não haverá obstáculo.
Trump indicou Perez , ex-presidente da Câmara da Flórida e filiado ao Partido Republicano, em 1º de junho, antes de pedir o agrément ao Brasil. A ordem contraria a praxe diplomática.
O ponto sensível é a situação de Maria Luiza Ribeiro Viotti , embaixadora do Brasil em Washington. Em 4 de agosto, os EUA restringiram o visto de Viotti , em reação à demora brasileira quanto a Perez. Hoje, vale para uma única entrada. Se Viotti deixar os EUA, precisará de novo visto para voltar. Washington disse que só o restabeleceria com o aval ao indicado de Trump. O Senado americano aprovou o nome em 7 de agosto .
Quando o agrément for concedido, Perez terá de pedir visto no consulado brasileiro. O entendimento no governo é que o americano não pode receber tratamento melhor do que o dado à embaixadora.
Quem decide o tipo de visto é o Itamaraty. O ministério ainda não detalha como tratará o tema.
O governo nega que o agrément esteja condicionado à normalização da situação de Viotti. Diz que os passos até agora seguiram a reciprocidade estrita, princípio que a gestão Lula aplica a todos os países.
A regra vale para brasileiros nos EUA. O governo de Jair Bolsonaro (PL) isentou americanos de visto sem contrapartida. A gestão Lula acabou com a isenção .
O governo vê a relação com os EUA como o maior desafio da política externa do 4º mandato de Lula. Pretende retomar a negociação comercial, incluindo tarifas.
