Dois dos quatro casos de hantavirose registrados no estado de São Paulo em 2026 estão na região de Ribeirão Preto. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES), os pacientes identificados são de Guariba e Ribeirão Preto.
Os outros dois são de Oscar Bressane, na região de Marília, e Matão, na região de Araraquara. Uma morte foi confirmada, mas a SES informou que não tem a confirmação do local provável de infecção e ainda está em investigação. Os demais pacientes estão em recuperação.
Todos os infectados até o momento são trabalhadores rurais e não há novos casos suspeitos em análise, ainda segundo a SES.
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Segundo a diretora técnica de Saúde da Divisão de Zoonoses do CVE, Gisele Freitas, a hantavirose é uma doença viral transmitida por excretas de roedores silvestres, como o rato.
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"Quando eles, ou pela alimentação, deixam a saliva, ou fezes, ou urina, esse vírus vai ficar no meio ambiente, ele seca e quando a pessoa vai entrar no local onde tem esses restos de excretas de roedores, e ela vai fazer alguma movimentação, ou pra limpeza, ou pra pegar algum produto, ele sobe e a pessoa inala aqueles fômites com os vírus".
Ao g1, Gisele explicou que a hantavirose é uma doença inespecífica e começa como muitas outras doenças, com sintomas que vão de febre, dor de cabeça, dor no corpo, a náusea, vômito, dor na barriga.
"Não existe um tratamento específico pra ela, então todo tipo de tratamento vai ser de suporte. A pessoa está apresentando sintomas, os médicos vão dar os medicamentos necessários pra melhorar aquele sintoma que ela está apresentando. Por ela ser inespecífica, muitas vezes, quando faz o diagnóstico da hantavirose, o quadro clínico da pessoa já está muito grave e é por isso que a pessoa acaba falecendo. É uma doença que atinge os pulmões, então é uma doença respiratória".
Cuidado e prevenção
Segundo Gisele, o vírus costuma ficar concentrado em locais fechados, como paióis, galpões e empresas com muitos paletes, por exemplo.
"A pessoa adquire [a hantavirose] em locais fechados e que têm coisas que atraem o roedor. Então, ou alimento, ou lixo, ou abrigo para ele".
Uma das formas de prevenção é armazenar todo tipo de alimento adequadamente, bem fechado e bem acondicionado, e evitar jogar lixo sem estar armazenado e descartá-lo em locais específicos para não atrair roedores.
Trabalhadores precisam ter equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras adequadas, além de evitar, por exemplo, a utilização de sopradores de ar pra fazer limpeza.
"Vamos supor que as fezes, a urina e a saliva, secou. O vírus ficou ali no ambiente, quando você joga o ar, você vai estar movimentando e você vai estar inalando", diz a diretora técnica.
Ainda segundo Gisele, antes de entrar em um ambiente com suspeita da presença de roedores, a pessoa precisa ventilar o local por pelo menos 30 minutos.
"A gente recomenda que molhe o ambiente com um material antisséptico, pode ser água sanitária ou outros adequados, jogue e umedeça bem aquele ambiente antes de você fazer, ou a movimentação para pegar o alimento, pegar o que for que tenha naquele local, ou para fazer a limpeza. Umedeça antes, entre com equipamentos de proteção individual, e ventile o local com antecedência".
Rato-do-arroz (Euryoryzomys cerqueirai)
nadiacavalcant / iNaturalist
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