Inaugurada em 1973, a torre tem 59 andares e cerca de 120 mil metros quadrados. Foi o edifício mais alto da França por 38 anos, até ser superada pela Tour First, no distrito empresarial de La Défense, em 2011.

A rejeição dos moradores não é gratuita. Concebida como símbolo de modernidade e expansão dos escritórios, o prédio acabou se tornando um exemplo controverso de arquitetura de grande escala em uma cidade conhecida por seus edifícios relativamente baixos, de tons quase monocromáticos. A rejeição se tornou parte de sua identidade.

Os milhões de turistas que visitam a cidade todos os anos disputam espaço no Trocadero para registrar imagens da Torre Eiffel a partir de um de seus ângulos mais famosos. A fachada escura da Montparnasse é frequentemente registrada imediatamente à esquerda ou alinhada bem atrás.

Localizada no 15º arrondissement de Paris, ao lado da estação ferroviária Gare Montparnasse, o prédio está a menos de 3 quilômetros da Torre Eiffel, também na margem esquerda do Sena.

(Foto: Tourmontparnasse56 / Divulgação)

“Apagar” custa caro

Tamanha a rejeição, somada a aspectos de defasagem do projeto original, que inclua até amianto na estrutura, levou a um caminho óbvio: uma reforma completa. Mas a solução não ficou tão simples, muito menos barata.

O projeto apresentado pelo coletivo de arquitetos Nouvelle AOM, escolhido em 2017, pretendia mudar tanto a aparência quanto os usos da torre. A fachada escura daria lugar a uma superfície de vidro mais clara e reflexiva, com melhorias de eficiência energética.

O plano também previa ampliar a base do edifício, incorporar terraços arborizados e instalar uma estufa agrícola no topo. Parte dos andares seria destinada a um hotel, enquanto outras áreas receberiam escritórios, lojas e serviços. A estrutura principal seria mantida, e a torre ganharia cerca de dez metros de altura.

(Foto: Nouvelle-AOM / Divulgação)

A proposta não era demolir o prédio, mas reduzir seu impacto visual e adaptá-lo a novas funções. Quase como um camaleão, as intervenções propostas na fachada previam retirar o tom escuro e fazer o céu da cidade refletir com mais naturalidade na estrutura.

O observatório, no 56º andar, também fazia parte da história que os responsáveis pelo projeto precisavam considerar: inaugurado em 1974, recebeu mais de 30 milhões de visitantes ao longo das décadas e, antes do fechamento, atraía cerca de 600 mil a 700 mil pessoas por ano.

O custo de toda a reforma, porém, se tornou um dos principais obstáculos. O projeto foi estimado inicialmente em cerca de € 300 milhões, em 2017, e quase 10 anos depois chegou a aproximadamente € 800 milhões. A diferença representa uma alta de 167%. O valor seria bancado pelos proprietários privados, não pelo orçamento da Prefeitura de Paris.

A escalada dos custos se somou a disputas entre os coproprietários sobre a divisão de espaços, a instalação do hotel e as receitas do observatório. Em julho deste ano, a LFPI, principal proprietária individual, com cerca de 28,6% da torre, retirou seu apoio ao plano mais ambicioso e defendeu uma alternativa simplificada, estimada em € 400 milhões.

Em 23 de setembro, os coproprietários rejeitaram por mais de 76% dos votos o início da primeira etapa das obras, que previa a retirada de amianto, a limpeza interna e a desmontagem de parte da fachada. A decisão travou o projeto.

A autorização urbanística existente vence em 26 de novembro, e uma nova proposta pode exigir outro processo de aprovação, o que vai prolongar ainda mais a espera.

A torre está fechada desde 31 de março deste ano. Durante o verão europeu, fragmentos de vidro caíram da fachada, levando à adoção de medidas de segurança.

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