O Corinthians pode enfrentar mais um desafio financeiro neste período de crise que está vivendo. A Esportes da Sorte, que é a patrocinadora máster do clube e teve seu contrato congelado devido à Medida Provisória das apostas, manifestou o desejo de encerrar o contrato de patrocínio, que tinha um valor fixo de R$ 150 milhões anuais e validade até o final de 2029.

Diante do cenário, a diretoria alvinegra pretende se reunir com representantes da empresa para entender os motivos da possível rescisão e avaliar os próximos passos. A eventual perda do acordo representaria um desafio adicional para as finanças do Corinthians, que acumulam um déficit de mais de R$ 240 milhões na temporada.

Corinthians busca alternativas para compensar perdas

O Corinthians já havia anunciado um acordo com a Shopee para ocupar o espaço de patrocinador máster nos nove jogos restantes do Campeonato Brasileiro. A parceria previa exposição da marca no uniforme, nos painéis de publicidade da Neo Química Arena e nas plataformas digitais do Corinthians, além de ações comerciais envolvendo a venda de camisas.

A projeção inicial era arrecadar pelo menos R$ 1 milhão por partida com o patrocínio temporário, o que representaria uma receita mínima de R$ 9 milhões até o encerramento do Brasileirão.

Além disso, o Timão acertou um contrato com a Jota.ai até o fim do ano, com previsão de arrecadação de R$ 3 milhões. Desse total, R$ 1 milhão seria referente ao espaço máster no jogo contra o Internacional, enquanto os outros R$ 2 milhões corresponderiam à exposição na barra frontal inferior da camisa nos demais compromissos.

Embora os acordos representem novas fontes de receita, os valores são inferiores ao montante anual previsto no contrato com a Esportes da Sorte, o que amplia a preocupação com o planejamento financeiro para as próximas temporadas.

Restrição às bets aumenta incerteza no futebol brasileiro

A possível saída da Esportes da Sorte ocorre em meio às mudanças nas regras relacionadas à publicidade de empresas de apostas esportivas. Clubes brasileiros questionam as restrições e seus impactos econômicos, enquanto o governo federal defende medidas voltadas à proteção dos consumidores e ao combate aos problemas associados ao jogo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou uma audiência para 3 de novembro, com a participação de representantes do governo, clubes e empresas do setor, para discutir o cenário. O ministro Luiz Fux, relator do caso, agendou o encontro após ações apresentadas por equipes de futebol.

13 dos 20 clubes da Série A eram patrocinados por casas de apostas, com contratos que somavam mais de R$ 900 milhões fixos por temporada. Parte desses acordos foi suspensa provisoriamente, enquanto outros chegou a ser encerrada.

A Medida Provisória nº 1.394/2026 também está prevista para análise do Congresso Nacional em novembro.