Em 23 trabalhos, 24% dos participantes com diabetes apresentavam perda auditiva de pelo menos 40 decibéis, nível em que a dificuldade para compreender uma conversa já pode ser significativa. Em outra análise, a doença esteve associada a uma probabilidade 2,41 vezes maior de perda auditiva moderada a grave.
“É uma contribuição relativamente nova, porque a maioria das revisões anteriores misturava todos os graus de perda auditiva, incluindo déficits leves ou subclínicos” , afirma o endocrinologista Simão Augusto Lottenberg, do Einstein Hospital Israelita. “A perda auditiva ainda não está sistematicamente integrada aos protocolos de cuidado do diabetes e progride de forma silenciosa, já que os pacientes costumam permanecer sem perceber o declínio até que as limitações funcionais se tornem evidentes” , declara.
Como o diabetes pode afetar a audição
Uma das hipóteses para explicar a associação entre diabetes e perda auditiva é que a glicose elevada de forma persistente possa danificar pequenos vasos sanguíneos e estruturas nervosas da cóclea, região do ouvido interno responsável pela audição. “ É essencialmente o mesmo processo que causa complicações como retinopatia, neuropatia e nefropatia diabéticas, só que atingindo a cóclea” , diz Lottenberg.
Um dos resultados que mais chamou a atenção na revisão se deu entre os mais jovens. Em adultos com menos de 60 anos, o diabetes esteve associado a um risco 3 vezes maior de perda auditiva moderada a grave. Entre aqueles com mais de 60 anos, a associação não foi estatisticamente significativa.
Isso não significa, porém, que a doença deixe de afetar a audição entre os mais velhos. A partir dos 60 anos, a perda auditiva decorrente do próprio envelhecimento é mais comum e pode dificultar a identificação do efeito causado pela doença. “Como em pessoas mais jovens o declínio auditivo natural relacionado à idade é mínimo, a associação robusta nesse grupo sugere que o diabetes pode atuar como um fator de risco mais proeminente nessa faixa etária” , declara o endocrinologista.
O tempo de convivência com a doença também pode influenciar a diminuição da audição. Pessoas que conviviam com o diabetes havia menos de 10 anos tinham probabilidade 2,68 vezes maior de apresentar perda auditiva moderada a grave do que aquelas sem a doença. Um único estudo com pacientes que tinham diabetes havia mais de 10 anos encontrou uma associação ainda maior, mas os pesquisadores ressaltam que os dados são insuficientes para afirmar que o risco aumenta com o tempo.
Os autores defendem que a avaliação auditiva passe a fazer parte do acompanhamento de pessoas com diabetes. “O risco mais que dobrado de perda auditiva reforça a importância de incorporar essa avaliação ao acompanhamento de rotina das pessoas com diabetes, especialmente entre os adultos mais jovens” , diz o médico do Einstein.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein em 25 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .

