O abacaxi de Porto Grande conquistou, em 2024, o registro de IG (Indicação Geográfica). O reconhecimento é concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a produtos ou serviços associados a determinada origem geográfica, conforme os requisitos legais. O Sebrae atua como parceiro dos produtores na estruturação, capacitação e apoio à obtenção e gestão desse registro.
A IG, porém, não significa que todos os produtores estejam automaticamente autorizados a utilizar a indicação geográfica. É preciso cumprir as regras estabelecidas no caderno de especificações técnicas. Eis a íntegra do documento (419 kB – PDF).
Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande e agricultor no município há mais de 15 anos, disse que o Sebrae foi o principal parceiro no processo de obtenção da IG. O registro do abacaxi de Porto Grande, na modalidade Indicação de Procedência, foi o 1º concedido a um produto do Amapá.
Segundo Suel, o reconhecimento contribuiu para a valorização da fruta. O produtor afirmou que antes vendia cada unidade por R$ 2,50 e depois passou a comercializá-la por R$ 5. O preço, portanto, dobrou.
A Associação de Produtores de Abacaxi de Porto Grande foi fundada em 2022 com o objetivo de obter o reconhecimento de Indicação Geográfica para a fruta cultivada no município. Atualmente, segundo Suel, há 32 produtores de abacaxi na cidade.
Abacaxi de Porto Grande
Bruna Rossi/Poder360 - 15.out.2026
Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação de Produtos de Abacaxi de Porto Grande e produtor de abacaxis no município, com abacaxis que ele produziu
Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação de Produtos de Abacaxi de Porto Grande e produtor de abacaxis no município, com abacaxis que ele produziu
Bruna Rossi/Poder360 - 15.out.2026
Abacaxis de Porto Grande
Abacaxis de Porto Grande
Bruna Rossi/Poder360 - 15.out.2026
Geleias fabricadas com abacaxi de Porto Grande
Geleias fabricadas com abacaxi de Porto Grande
Bruna Rossi/Poder360 - 15.out.2026
Produtos de Porto Grande, Amapá
Produtos de Porto Grande, Amapá
Bruna Rossi/Poder360 - 15.out.2026
Entrada do município de Porto Grande, Amapá
Entrada do município de Porto Grande, Amapá
“A nossa variedade de abacaxi é o pérola, que é muito doce. O que faz nosso abacaxi ser diferente é o sol que tem no Amapá. O abacaxi gosta de muito sol, o que interfere na qualidade e faz o produto ficar mais doce. Nós temos uma localização estratégica para o cultivo da fruta. Estamos no meio do mundo” , declarou Suel ao Poder360 .
O produtor disse que a associação realizou, em 2025, um levantamento que estimou a produção de 5 milhões de abacaxis no município em 2026. Suel prevê colher cerca de 120 mil frutas neste ano, mas afirmou que a quantidade varia entre os agricultores. Segundo ele, alguns chegam a colher 600 mil unidades, enquanto outros produzem 4.000.
Suel, porém, disse que 5 milhões de abacaxis em 1 ano é uma quantidade muito grande para um município do tamanho de Porto Grande, que tem cerca de 18.000 habitantes. A solução encontrada pela associação foi produzir itens como geleias de abacaxi, melaço da casca do abacaxi e abacaxi desidratado para evitar o desperdício.
Questionado se não é possível exportar as frutas, Suel disse que a associação realiza estudos para isso, mas que a questão logística dificulta porque o abacaxi de Porto Grande dura no máximo 25 dias. “Se for exportar para muito longe ele não vai chegar com uma boa qualidade” , declarou.
O Poder360 publica uma série de reportagens especiais sobre as oportunidades que as expectativas de exploração de petróleo na Margem Equatorial já começam a movimentar no Amapá. Os textos mostram como empresas e empreendedores locais se preparam para um novo ciclo de desenvolvimento econômico no Estado, impulsionado pela perspectiva de avanço da atividade petrolífera na região. Leia aqui as reportagens.
A jornalista Bruna Rossi viajou ao Oiapoque a convite do Sebrae.

