Quando o rio Amazonas atingiu níveis baixos em 2023 e 2024, pesquisadores que estudam os impactos da mudança climática criaram uma exposição virtual para chamar a atenção para o tema. Lançada em 23 de outubro , a mostra reúne imagens de paisagens aquáticas e fotografias de desastres para transmitir uma dupla mensagem: beleza e urgência.

“Nosso objetivo com a exposição e com o site é conscientizar o público sobre a crescente desestabilização do ciclo da água pela mudança climática, manifestada, por exemplo, por secas, inundações, tempestades, derretimento do gelo, deslizamentos de terra e elevação do nível do mar, agravada pelo uso insustentável da água” , disse à Agência FAPESP Cristiano Mazur Chiessi , docente da Each-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) e integrante do Climares ( Centro de Pesquisa em Resiliência em Crises Climáticas e Desastres ), um Cepid (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão) apoiado pela Fapesp.

A curadoria das fotos da exposição “Visualizando os Recursos Hídricos sob as Mudanças Climáticas” foi realizada para cobrir 10 aspectos centrais do ciclo da água que sofrem desestabilização: nível do mar, secas, enchentes, gelo polar, geleiras em montanhas, deslizamentos, chuvas tropicais, ciclones, águas subterrâneas e adaptação na agricultura. O objetivo foi reunir registros que representam regiões do planeta e os principais processos do ciclo da água.

“Embora as mudanças climáticas já estejam transformando o ciclo da água, ainda há tempo para agir de forma decisiva a fim de proteger e restaurar os recursos hídricos” , afirmou Chiessi.

O site está disponível em português e inglês. Uma versão em francês está em produção e versões em outros idiomas serão adicionadas.

Os textos que acompanham cada imagem contextualizam os fenômenos retratados com rigor científico e linguagem direta. “Eles aproximam o público dos processos e das transformações ambientais apresentados. Cada imagem traz um áudio que busca gerar uma experiência imersiva, despertando o interesse e a urgência na discussão do tema” , declarou Chiessi.

O acervo de imagens inclui registros de satélite obtidos em colaboração com o programa Copernicus, da ESA (Agência Espacial Europeia), e fotografias de profissionais independentes e de instituições como o Greenpeace e a Reuters .

A exposição é resultado de colaboração franco-brasileira que reúne os pesquisadores Cristiano Chiessi, integrante do INCT Atlântico (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para os Oceanos do Atlântico Sul); Regina Rodrigues, docente da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina); e Nathalie Philippon , do IGE (Institut des Géosciences de l’Environnement), na França. Os 3 pesquisadores são membros do WCRP (World Climate Research Program, ou Programa Mundial de Pesquisa Climática).

A mostra pode ser visitada no site changingblueplanet.com.br

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Fapesp em 27 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .