A empresa Chocolates Cassiporé , fundada em 2020, produz chocolates a partir do cacau colhido em Vila Velha. Segundo a companhia, sua missão é trabalhar com produtos da biodiversidade, respeitando os costumes e a as tradições dos povos da região.
“A nossa história começa lá na minha infância. Eu tenho 67 anos e nasci no Cassiporé, rio que divide os 2 municípios de Oiapoque e Calçoene. Nesse rio, nós já tínhamos contato com o cacau nativo de floresta de várzea alta. Depois, eu vim para o Oiapoque. Vendo o potencial do cacau, eu queria colocar esse cacau no Brasil e no mundo” , disse João Dorismar da Paixão, fundador da Chocolates Cassiporé, ao Poder360 .
João afirmou que, ao se aposentar do funcionalismo público, decidiu buscar um atividade econômica e viu no cacau uma oportunidade de negócio. O empreendedor, porém, não tinha experiência na área empresarial e contou com o apoio do Sebrae .
“O Sebrae nos convidou a ir ao rio Cassiporé para estudar esse cacau e nos apresentou um estudo de viabilidade técnica e econômica que nos deu o norte para que pudéssemos ver que dava para tocar o negócio” , declarou o empreendedor.
O cacau usado pela Chocolates Cassiporé é o nativo de floresta de várzea alta, que é um ecossistema de floresta inundável da Amazônia que ocorre em áreas de maior altitude topográfica, sendo banhada por rios.
“O diferencial do nosso cacau de várzea é o aroma, o sabor, as notas sensoriais. É mais intenso por causa das condições climáticas, da maré que sobe já que o rio joga nutrientes para dentro da várzea” , afirmou João.
Na Vila Velha, as famílias colhem o cacau na época da safra, que é no inverno. O fundador da Chocolates Cassiporé afirmou que é possível colher até 42 toneladas de cacau por ano na região. “No ano passado, nós colhemos 15 toneladas. Então, ainda não chegamos às 42 toneladas que são possíveis.”
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Fachada da loja da Chocolates Cassiporé em Oiapoque, Amapá
Fachada da loja da Chocolates Cassiporé em Oiapoque, Amapá
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
João Dorismar da Paixão, fundador da Chocolates Cassiporé
João Dorismar da Paixão, fundador da Chocolates Cassiporé
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Chocolates da marca sabor 50% com nibs de cacau
Chocolates da marca sabor 50% com nibs de cacau
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Chocolates da marca sabor 60% com cumaru
Chocolates da marca sabor 60% com cumaru
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Trufas em cestas feitas por artesãs da região Norte
Trufas em cestas feitas por artesãs da região Norte
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Trufas de Castanha do Pará
Trufas de Castanha do Pará
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Trufas de Amendoim
Trufas de Amendoim
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Trufas de Coco
Trufas de Coco
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Chocolates da marca
Chocolates da marca
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Chocolates da marca
Chocolates da marca
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Loja da Chocolates Cassiporé
Loja da Chocolates Cassiporé
Bruna Rossi/Poder360 - 14.out.2026
Blusa vendida na Chocolates Cassiporé com a frase "Paixão por Cacau"
Blusa vendida na Chocolates Cassiporé com a frase "Paixão por Cacau"
A empresa busca conseguir em breve a IG (Indicação Geográfica), que é um selo concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) que reconhece produtos ou serviços por sua origem geográfica e características únicas. O Sebrae atua como o principal parceiro na estruturação, capacitação e apoio aos produtores para a obtenção e gestão desse reconhecimento.
João disse também que os clientes da empresa são moradores da própria cidade de Oiapoque e turistas que visitam a região. Segundo ele, 50% dos clientes vêm da Guiana Francesa, região da França na América do Sul que faz fronteira com o município brasileiro. O empreendedor afirmou também que é possível comprar os chocolates da companhia pela internet que eles enviam para todo o Brasil.
O fundador da Chocolates Cassiporé tem lojas da marca em Oiapoque e Macapá, e pretende abrir em breve uma unidade em Belém e outra em Brasília. João também planeja expandir a marca por meio de franquias em São Paulo e no Nordeste.
Produtos da Chocolates Cassiporé
A Chocolates Cassiporé vende trufas com sabores típicos da Amazônia, como cupuaçu, açaí, e castanha-do-pará. O valor é de R$ 4 a unidade. Também vende barras de chocolate, com preços que variam de R$ 15 a R$ 18, e alfajores, que custam R$ 12.
A marca também vende itens como bonés, camisetas e chaveiros, sempre com a temática de cacau, chocolates e Amazônia.
Petrobras em Oiapoque
O fundador da Chocolates Cassiporé disse que a atuação da Petrobras no Amapá, especialmente na região de Oiapoque, com atividades de exploração de petróleo e gás em alto-mar, na Margem Equatorial, ajuda muito o seu negócio. O empreendedor afirmou que os funcionários da estatal compram muitos chocolates na sua loja tanto em Oiapoque quanto em Macapá.
João declarou que percebe um aumento no consumo por parte dos funcionários da Petrobras desde aproximadamente 2023. “Se eles saírem daqui nós vamos perder muitas vendas” , afirmou.
A descoberta de petróleo pela Petrobras no poço Morpho, confirmada em agosto de 2026, reforçou as expectativas sobre uma nova fronteira petrolífera no Brasil. Perfurado no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá, o poço está na Margem Equatorial –faixa marítima que acompanha o litoral brasileiro do Amapá ao Rio Grande do Norte e passa por outros países sul-americanos.
A Margem Equatorial brasileira é uma extensa faixa do litoral Norte do país que abrange áreas marítimas situadas ao largo dos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
Essa região é considerada uma nova fronteira exploratória para o setor de petróleo e gás, com potencial ainda pouco conhecido, mas que vem despertando interesse em razão das características geológicas semelhantes às de grandes descobertas em outras partes do mundo, como na costa da Guiana e do Suriname.
A atuação da Petrobras na região faz parte de uma estratégia da empresa de energia de recompor suas reservas de gás e petróleo. O objetivo é atender a demanda nacional de energia durante a transição energética do país.
O Poder360 publica uma série de reportagens especiais sobre as oportunidades que as expectativas de exploração de petróleo na Margem Equatorial já começam a movimentar no Amapá. Os textos mostram como empresas e empreendedores locais se preparam para um novo ciclo de desenvolvimento econômico no Estado, impulsionado pela perspectiva de avanço da atividade petrolífera na região. Leia aqui as reportagens.
A jornalista Bruna Rossi viajou ao Oiapoque a convite do Sebrae.

