Manifestantes encapuzados saquearam lojas em Frankfurt na noite de sábado (31), após dezenas de milhares de pessoas irem às ruas nas principais cidades da Alemanha para exigir melhorias na educação e redução do custo de vida.
Os atos seguem uma onda de manifestações lideradas por jovens da geração Z em diferentes países da Europa neste ano. Na Sérvia, uma mobilização estudantil ajudou a derrotar nas urnas o antigo líder do país, enquanto protestos na França terminaram em episódios de violência e saques.
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🔎 A onda de protestos liderados pela geração Z ganhou força em diferentes partes do mundo ao longo de 2025 e se espalhou por novos países em 2026. As mobilizações têm reivindicações diferentes, mas compartilham a forte presença de jovens e o uso das redes sociais como ferramenta de organização. Os atos envolvem pautas como educação, moradia, emprego e combate à corrupção e à desigualdade.
Na Alemanha, os protestos foram organizados pelo movimento "Gen Z regelt", expressão que significa algo como "a geração Z assume o controle".
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Os atos ocorreram em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. O grupo é contra o serviço militar obrigatório e defende mais investimentos em educação, em meio ao aumento do custo de vida enfrentado pelos jovens.
Em Frankfurt, centro financeiro da Alemanha, ao menos duas lojas foram saqueadas durante os episódios de violência. Outros estabelecimentos foram danificados, enquanto a polícia tentava controlar a situação, segundo uma testemunha da Reuters.
"Os distúrbios violentos continuam", afirmou a polícia de Frankfurt em uma publicação no X.
"No centro da cidade, vitrines de várias lojas foram quebradas. Coquetéis molotov também estão sendo lançados contra equipes dos serviços de emergência. Pedimos a todos que evitem o centro da cidade ou deixem a região."
Números oficiais divulgados na tarde de sábado indicavam que o público ficou abaixo dos 182 mil participantes inicialmente esperados pelos organizadores. As polícias de Frankfurt, Munique e Berlim registraram até 18 mil manifestantes, metade dos cerca de 36 mil informados no site do movimento.
As autoridades alemãs afirmaram que as manifestações de sábado, realizadas no mesmo dia das comemorações de Halloween, foram majoritariamente pacíficas, mas alertaram para tentativas de grupos extremistas de se aproveitar do movimento.
Em Hamburgo, algumas barricadas foram incendiadas.
"Estamos aqui hoje para lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção", afirmou Lina Friedrich, porta-voz do Gen Z regelt, durante o ato em Berlim.
"O que mais importa para nós é ampliar o apoio aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e a favor de uma distribuição mais justa dos encargos."
Lojas protegem vitrines contra possíveis distúrbios
Segundo o Ministério do Interior da Alemanha, integrantes de grupos de extrema esquerda e de movimentos extremistas estrangeiros se mobilizaram para ampliar o apoio aos protestos.
"Todos temos na memória as imagens da França: saques, casas incendiadas, viaturas policiais queimadas e ataques a policiais", disse Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, onde fica Frankfurt.
"A França não deve ser vista como um modelo nesse aspecto."
Algumas empresas protegeram suas vitrines com tábuas e planejaram fechar mais cedo diante do risco de distúrbios, inclusive na Kurfürstendamm, uma das principais avenidas comerciais de Berlim.
Os organizadores afirmam que as gerações mais jovens enfrentam uma pressão crescente na Alemanha, maior economia da Europa.
"O governo não deu nenhuma resposta às nossas preocupações, a não ser continuar fazendo cortes e nos sobrecarregando ainda mais", disse Steve, de 18 anos, que discursaria durante um ato em Munique. A declaração foi dirigida ao chanceler Friedrich Merz.
"Continuaremos a exercer nosso direito fundamental de reunião até que parem de nos ignorar."
A Alemanha tem enfrentado dificuldades para retomar o crescimento econômico. Ao mesmo tempo, aumenta a pressão sobre o sistema previdenciário e os serviços públicos à medida que a geração dos baby boomers se aposenta e a população em idade de trabalhar diminui.
A liderança do movimento, porém, tem sido alvo de questionamentos, diante da variedade de grupos políticos e organizações da sociedade civil envolvidos nos atos. Também há dúvidas sobre até que ponto a iniciativa é efetivamente conduzida por jovens.
A BSK, organização nacional que representa estudantes do ensino básico na Alemanha, distanciou-se da iniciativa e pretende realizar um protesto separado em 20 de novembro.
Sean Baker, estudante da Universidade Técnica de Berlim, afirmou que participaria dos protestos para chamar a atenção para as más condições dos prédios do campus.
"Quando você entra nas salas, parece estar em um prédio abandonado", disse à Reuters. "E, ainda assim, é aqui que devemos estudar todos os dias."
O que motivou os protestos na Alemanha?
Os atos foram organizados pelo movimento “Gen Z regelt” e ocorreram em 34 cidades, entre elas Berlim, Frankfurt e Munique.
Os jovens protestaram contra o aumento do custo de vida, a precariedade das escolas e os cortes no orçamento, além de cobrarem mais investimentos em educação e serviços públicos. O grupo também se opõe ao serviço militar obrigatório e critica o aumento dos gastos militares.
Antes das manifestações, milhares de policiais foram mobilizados em todo o país, enquanto comerciantes protegeram vitrines e fachadas diante do temor de saques.
Os organizadores esperavam inicialmente mais de 170 mil participantes, estimativa que chegou a 182 mil, mas os números oficiais ficaram abaixo da previsão. Em Frankfurt, Munique e Berlim, as polícias contabilizaram até 18 mil manifestantes, ante cerca de 36 mil informados no site do movimento.
As autoridades alemãs afirmaram que os atos foram majoritariamente pacíficos, embora tenham sido registrados episódios de violência.
Em Frankfurt, ao menos duas lojas foram saqueadas, outros estabelecimentos foram danificados e coquetéis molotov foram lançados contra equipes de emergência. Em Hamburgo, barricadas foram incendiadas. O governo também alertou para tentativas de grupos extremistas de se aproveitar das manifestações

