Publicado em setembro de 2026, o levantamento mapeia as desigualdades sociais e econômicas no distrito a partir de indicadores de demografia, renda, escolaridade, ocupação profissional e conectividade. A pesquisa analisou 256 setores censitários e 43 localidades , permitindo identificar diferenças tanto em relação à média de Campinas quanto entre as próprias áreas do Campo Grande.
Apesar das disparidades de renda e escolaridade, 90% dos domicílios do distrito têm acesso à internet , índice próximo dos 92% registrados no município.
Estudo identifica 20 mil moradores em favelas e comunidades no Campo Grande
O levantamento também detalha as condições de vida em áreas específicas do distrito. Dos 256 setores censitários analisados, 47 são classificados pelo IBGE como favelas e comunidades urbanas. Nesses locais, vivem aproximadamente 20 mil pessoas.
Segundo a Casa Hacker, a análise em escala territorial permite identificar diferenças que podem ficar ocultas quando os dados são observados apenas pelas médias municipais.
Para Geraldo Barros, diretor executivo e fundador da organização, o mapeamento ajuda a compreender as necessidades de cada região.
“Pesquisar nosso território é uma forma de entender melhor a realidade em que atuamos. Quando conseguimos observar os dados em escala local, identificamos diferenças que acabam desaparecendo nas médias do município”, afirma.
De acordo com Barros, o objetivo é tornar as desigualdades visíveis e contribuir para iniciativas que considerem as características e necessidades de cada território.
Terminal Campo Grande (Foto: Código 19)
Pesquisa amplia análise para toda Campinas
A experiência do estudo sobre o Campo Grande foi ampliada para todo o município em outra pesquisa da Casa Hacker, intitulada “Longe do Centro: o que o Censo 2022 mostra sobre a periferia de Campinas”, também publicada em setembro de 2026.
O trabalho analisa os 2.592 setores censitários de Campinas e investiga a distribuição territorial da renda , da composição racial, das favelas e comunidades urbanas e da infraestrutura. Para isso, considera a distância de cada setor até a Estação Cultura, utilizada como referência para o centro da cidade.
Praça da Concórdia no distrito do Campo Grande (Foto: arquivo)
Renda é menor nas áreas mais distantes do centro
O estudo identificou que 333.939 pessoas , o equivalente a 29,3% da população de Campinas , vivem a pelo menos 10 quilômetros da Estação Cultura.
Nessas áreas, a renda mediana da pessoa responsável pelo domicílio é de R$ 2.567. Nas regiões localizadas a menos de 10 quilômetros do ponto de referência, o valor chega a R$ 3.791.
A pesquisa também aponta diferenças na composição racial da população. Nas áreas mais distantes do centro, pessoas pretas e pardas representam 51,6% dos moradore s, enquanto nas regiões situadas a menos de 10 quilômetros da Estação Cultura a proporção é de 34,2%.
Os resultados dos dois levantamentos mostram diferenças nas condições socioeconômicas entre regiões de Campinas e também entre localidades de um mesmo distrito, especialmente nos indicadores de renda, escolaridade e composição racial.
Karla Marques, gerente de projetos da hub ‘Quebrada em Movimento’ aponta que quanto mais periférica a região, maior a dificuldade enfrentada pela população. “Quanto mais distante, menores os índices e maiores as diferenças. Também é mais difícil acesso aos serviços públicos, como saúde, educação e lazer”, explicou.
Estação Cultura fica no Pátio Municipal de Campinas (Foto: Código 19)
O que é a Casa Hacker?
Fundada em 2018, na periferia de Campinas, a Casa Hacker é uma organização sem fins lucrativos que atua nas áreas de educação, tecnologia e inovação social.
A instituição desenvolve projetos voltados à democratização do acesso à ciência e à tecnologia, à formação de comunidades periféricas e ao fortalecimento de empreendedores e negócios de impacto social.
Os estudos foram elaborados a partir dos dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, e buscam contribuir para uma compreensão mais detalhada das desigualdades socioeconômicas no município.
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