No futebol, cada jogador tem seu papel, mas é no trabalho em equipe que o jogo acontece. Foi com essa proposta que Jundiaí promoveu a segunda edição do InterCaps, reunindo crianças e adolescentes atendidos por Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de cinco cidades.

O encontro, realizado no Complexo Esportivo Aramis Polli, reuniu cerca de 80 participantes em uma programação que combinou futebol, integração e atividades de convivência. Mais do que uma competição, a iniciativa busca promover a inclusão social, fortalecer vínculos e valorizar o esporte como instrumento de cuidado e promoção da saúde mental.

Luiz Felipe Neri Germano, de 13 anos, é de Jundiaí e já tinha familiaridade com o futebol, mas encontrou no InterCaps uma oportunidade de fazer novas amizades. “Da primeira vez que eu joguei até os dias de hoje, sinto que melhorei muito como pessoa em campo. Me faz bem jogar e é divertido”, contou.

Luiz Felipe Neri Germano, 13 anos, de Jundiaí: ‘Me faz bem jogar’

A turma de Indaiatuba também chegou animada com a ideia de trocar experiências. “Quando eu estou jogando, sinto como se tivesse renascido. E para mim é muito importante estar na companhia de outras pessoas”, disse Heitor Girotti, 11 anos.

Esse sentimento de pertencimento, a possibilidade de criar laços e a liberdade de se expressar são partes fundamentais do cuidado em saúde mental. Em Jundiaí, esse olhar faz parte do trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que conta com quatro CAPS, dois voltados ao público adulto (CAPS II e CAPS III), um dedicado a pessoas com demandas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas (CAPS AD III) e um destinado a crianças e adolescentes (CAPS IJ).

Em todas as unidades, o acompanhamento multiprofissional é aliado a atividades coletivas, como oficinas artísticas, práticas esportivas e espaços de convivência. As ações integram uma proposta de cuidado individualizado e em liberdade, alinhada aos princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira e às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que valoriza a autonomia, os vínculos sociais e as potencialidades de cada pessoa, para além de sintomas e diagnósticos.

De Indaiatuba, Heitor Girotti, 11, diz que se sente ‘renascendo’ quando joga

“No atendimento infantojuvenil, esse olhar ganha ainda mais importância. Mais do que identificar e tratar sintomas, o cuidado busca acolher crianças e adolescentes em suas singularidades, respeitando suas etapas de desenvolvimento e garantindo oportunidades de brincar, conviver, aprender e construir relações”, salienta o coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas.