As informações são de reportagem do “Fantástico” exibida no domingo (1º.nov.2026). O programa da TV Globo teve acesso a documentos do sistema de imigração da Argentina e de outros que integram a investigação sobre a fuga.
Conforme a reportagem, Menachem entrou no Brasil em 19 de outubro por Guarulhos (SP).
Na noite de 27 de outubro, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., de Foz do Iguaçu, cruzaram a fronteira. No registro de uma delas, contam os dados da mulher e das filhas de Flávio.
O sistema registrou 3 entradas de Flávio na mesma van: às 22h37 (com passaporte italiano), às 22h40 (com carteira de motorista) e às 23h11 (com passaporte brasileiro). Os registros com os documentos brasileiros foram depois cancelados. O ingresso com o passaporte italiano ficou válido.
A 2ª van transportou, segundo o “ Fantástico” , motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy.
O motorista disse que foi contratado para buscar 2 homens em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú,. Ele negou ter visto quaisquer integrantes da família Bolsonaro.
Apesar do registro de entrada terrestre, a Polícia Federal investiga se o senador deixou o Brasil na manhã em um jatinho ligado ao seu amigo e advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets.
Os 2 estão proibidos de se comunicar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O congressista não é foragido da Justiça –não há mandado de prisão contra ele. Tampouco há ilegalidade no uso do avião, caso isso venha a ser comprovado.
Segundo o “Fantástico” , uma das linhas de investigação indica que o candidato derrotado à Presidência pegou carona em um Cessna Citation Excel, de prefixo PR-AAA. O voo saiu de Brasília às 5h05 de 27 de outubro e pousou em San Fernando, na Argentina, às 8h40 do mesmo dia.
San Fernando fica a cerca de 1.200 km de Puerto Iguazú, de onde decolou o jatinho Gulfstream G400 , de prefixo LV-JQW, que levou o congressista e sua família para Miami , nos Estados Unidos.
Não fica claro pela reportagem do “Fantástico” como Flávio viajou dentro da Argentina nesse cenário. A apuração diz que teria sido por avião. A TV Globo afirma também que Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, e as duas filhas do casal viajaram em um voo separado, de Brasília para Cascavel (Paraná), em 27 de outubro. Uma van pegou as 3 no aeroporto. Entende-se que elas atravessaram a fronteira entre Brasil e Argentina por terra.
A reportagem cita duas possibilidades no dia 27 de outubro:
Flávio estava em uma van que cruzou a fronteira na noite de 27 de outubro, conforme informado pelo governo argentino (leia mais abaixo);
Flávio chegou a Puerto Iguazú em um voo vindo de Buenos Aires e ficou horas dentro do jatinho à espera da família.
Flávio declarou que foi procurado pela TV Globo e que só aceitou falar se a entrevista fosse veiculada na íntegra. Segundo o senador, a emissora “preferiu não seguir adiante” . Ele também declarou que tudo indicava que o “Fantástico” exibiria uma reportagem a seu respeito sem dar o direito de resposta a ele.
Em nota, o advogado de Flávio, Frederick Wassef, disse que “nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada” . Declarou que o senador não fugiu, não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu nem tem condenação criminal.
“Existe apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros, ainda em fase inicial, na qual não há qualquer prova ou indícios contra Flávio Bolsonaro” , afirmou (leia a íntegra ao final do texto).
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o Cessna usado na rota Brasília-San Fernando, segundo reportagem da TV Globo , pertence à empresa Jet Line Locações e Serviços Aéreos, que tem como sócias Christine Tomaz de Souza e Flávia Oliveira Correa Tomaz, irmã e mulher de Willer Tomaz, respectivamente.
Ao “Fantástico” , a assessoria de Tomaz disse ser falsa a informação de que um avião pertencente a ele ou empresas vinculadas a sua família tenham sido utilizadas por Flávio Bolsonaro e sua família para deixar o Brasil. Ele também negou envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro e afirmou que todas as movimentações foram realizadas de “maneira plenamente rastreável” .
O que se sabe da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil:
onde estava Flávio em 27 de outubro – o site argentino Infobae publicou à 1h de 27 de outubro que o senador havia deixado o Brasil e embarcado para os EUA em um jatinho a partir de Puerto Iguazú. Em Brasília, nenhum aliado sabia dizer com 100% de certeza onde estava o senador, que não se manifestou em nenhum momento do dia. O congressista descumpriu uma ordem judicial e não entregou os passaportes, como Moraes tinha determinado ;
aviso da Argentina – a Direção Nacional de Migrações da Argentina disse às 2h01 de 28 de outubro que Flávio, a mulher e as duas filhas do casal tinham entrado no país por terra pela cidade de Puerto Iguazú. Informou também que a família embarcou em um jatinho rumo a Guayaquil (Equador);
voo para Miami – o avião com os Bolsonaros partiu para Guayaquil à 0h22 de 28 de outubro. Pousou na cidade equatoriana às 5h46. A aeronave evitou o espaço aéreo brasileiro. Depois da escala, o Gulfstream G400 decolou rumo a Miami, onde pousou às 10h24. O voo de Flávio foi acompanhado por 927 mil pessoas no site Flightradar24 ;
Flávio nos Eua – o paradeiro do senador só ficou 100% confirmado quando ele, a mulher e as duas filhas foram filmados saindo do jatinho ;
quem sabia da viagem – de acordo com o próprio congressista , a decisão foi tomada com a mulher. Em seu 1º vídeo desde que saiu do país, Flávio declarou que não contou a nenhum aliado porque a “chance de dar errado seria maior” .
O QUE DIZ A DEFESA DE FLÁVIO
Eis a nota do advogado Frederick Wassef:
“Nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada.
“Eventuais vazamentos de informações são ilegais e contribuem para a construção de narrativas distorcidas dos fatos.
“Flávio Bolsonaro não fugiu. A utilização do termo ‘fuga’ é falsa e não corresponde à realidade.
“O senador não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu e não possui condenação criminal. Tem sua ficha limpa e recebeu quase 60 milhões de votos.
“Sua viagem, portanto, não representa fuga de absolutamente nada.
“A informação de que Flávio Bolsonaro teria fugido é falsa e configura desinformação (fake news).
“Existe apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros, ainda em fase inicial, na qual não há qualquer prova ou indícios contra Flávio Bolsonaro.
“Dessa forma, é leviano e representa um grave equívoco utilizar a palavra ‘fuga’ para se referir à viagem do senador, sobretudo sem informações oficiais ou elementos que sustentem tal afirmação.”

