Santa Casa de Marília/Reprodução
Morreu nesta segunda-feira (2), o paciente que foi submetido a uma cirurgia de retirada de um tumor no cérebro e durante o procedimento tocou violão e cantou a música "Tempo Perdido", da banda Legião Urbana.
O supervisor de engenharia Fábio Aparecido Pereira dos Reis, tinha 51 anos, e foi diagnosticado no dia 2 setembro com glioma, um tipo agressivo de tumor cerebral. No dia 8 do mesmo mês ele passou pelo procedimento.
Morador de Pompeia (SP), ele permaneceu consciente durante parte da cirurgia para que a equipe médica pudesse monitorar, em tempo real, funções neurológicas essenciais, como fala, raciocínio e coordenação motora.
Para isso, os médicos costumam pedir para que o paciente desempenhe atividades com as quais tem familiaridade. Apesar da cirurgia ter ocorrido conforme o esperado, o paciente acabou não resistindo ao período pós-operatório e morreu nesta segunda-feira (2). O enterro de Fábio foi realizado na manhã desta terça-feira (3) no Cemitério Municipal de Pompeia.
Retirada do tumor
Paciente toca violão e canta Legião Urbana durante cirurgia no cérebro em Marília
O neurocirurgião Ruy Okaji, responsável pela cirurgia, explicou que a técnica de craniotomia com o paciente acordado é utilizada pela equipe há mais de 20 anos em casos específicos. Ao saber que o supervisor de engenharia tocava e cantava, a equipe incorporou o instrumento ao protocolo de testes.
O procedimento ocorreu na Santa Casa de Marília (SP) e foi registrado pela equipe médica. (Veja no vídeo acima).
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Segundo o médico, Fábio foi anestesiado no início da operação para a abertura craniana. Em seguida, foi despertado e estimulado a fazer testes de linguagem, leitura, cálculos simples, memória e, por fim, canto, considerado uma função cerebral complexa ligada à comunicação verbal.
"Enquanto a linguagem era testada, o cérebro foi todo mapeado, sendo possível identificar o tumor e as áreas sadias, além de planejar o procedimento de ressecção. A importância do paciente estar acordado em algumas cirurgias neurológicas é a possibilidade de mapear as áreas eloquentes do cérebro. Assim, é possível retirar a maior quantidade possível do tumor com o menor risco de sequelas", destacou Okaji.
Dr. Ruy Okaji durante procedimento para retirada de tumor cerebral no músico Fábio
Santa Casa de Marília/Reprodução
A apresentação improvisada emocionou o corpo clínico presente na sala, composto por anestesistas, neurofisiologista, fonoaudiólogas, instrumentadores e enfermeiras.
Sintomas e diagnóstico
A música sempre foi um hobby para Fábio, hábito que acabou fazendo a diferença durante a operação. "Ele sempre gostou muito de tocar violão, guitarra e cantar. Já fez shows em barzinhos, festas de aniversário e churrascos de família e amigos", disse a esposa de Fábio, Edineuza Reis, de 55 anos, em entrevista ao g1 após a cirurgia.
O problema de saúde começou a se manifestar pouco tempo antes do procedimento. De acordo com Edineuza, os primeiros sinais de alerta foram dores de cabeça frequentes, episódios de confusão mental, alterações na fala e falhas de memória.
"Ele já tinha passado por cardiologista, gastroenterologista e neurologista e ficou afastado do trabalho por uma semana. Um dia, eu percebi que ele estava mais confuso e o levei para a Santa Casa de Marília. Lá fizeram uma tomografia de crânio e descobriram o tumor. Ele foi direto para a UTI, porque o cérebro precisava desinchar antes da cirurgia", relatou a mulher.
Fabio Aparecido Pereira dos Reis fez uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral enquanto tocava violão e cantava Legião Urbana
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