Valter Campanato / Agência Brasil

O preço da cesta básica no Vale do Paraíba subiu 1,63% em outubro de 2026, na comparação com setembro, e ficou mais caro pelo segundo mês consecutivo na região. Os dados são do levantamento divulgado nesta terça-feira (3) pelo Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes), da Universidade de Taubaté (Unitau).

O valor médio da cesta passou de R$ 2.947,02 para R$ 2.994,93 — um acréscimo de R$ 47,91 no mês. Desse total, R$ 47,39 (98,9%) vieram apenas do grupo de alimentação, que representa 90,28% do peso total do índice. O levantamento considera uma cesta familiar com 44 produtos, destinada a uma família de cinco pessoas.

O novo avanço ocorre após a alta de 2,18% registrada em setembro, que havia interrompido duas quedas seguidas em julho e agosto. Somados, os aumentos de setembro (R$ 62,87) e outubro (R$ 47,91) totalizam R$ 110,78, revertendo integralmente o alívio de R$ 106,37 acumulado durante o inverno.

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Campos do Jordão continua com a cesta mais cara da região, custando R$ 3.185,56, enquanto Taubaté mantém a mais barata, avaliada em R$ 2.904,31. A diferença entre os dois municípios chegou a R$ 281,25 (9,68%).

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Segundo o Nupes, essa variação reflete fatores estruturais, como o custo logístico para subir a Serra da Mantiqueira até Campos do Jordão e a maior concorrência comercial às margens da Via Dutra em Taubaté.

Veja o valor e a variação mensal em cada cidade:

Campos do Jordão: R$ 3.185,56 (+1,60%)

Caçapava: R$ 2.949,35 (+2,05% — maior alta percentual do mês)

São José dos Campos: R$ 2.940,51 (+1,46%)

Taubaté: R$ 2.904,31 (+1,39% — menor alta percentual do mês)

Chuvas e arroba do boi recorde puxam alta

De acordo com os economistas do Nupes, dois fatores principais pressionaram os preços em outubro:

Excesso de chuvas no Sudeste: O volume de chuva acima da média, iniciado em setembro, persistiu em outubro, prejudicando a colheita, o manejo no solo encharcado e a qualidade de hortaliças no interior paulista e no Triângulo Mineiro.

Disparada da carne bovina: Pela primeira vez, a arroba do boi gordo superou a marca de R$ 400 no mercado futuro da B3, impulsionada pela oferta restrita de animais prontos para abate (que teve queda de 12,11%), encarecendo cortes nobres nos supermercados.

Na média regional do Vale do Paraíba, os produtos que registraram as maiores altas em outubro foram:

🧅 Cebola: +20,54% (segunda alta seguida, após avançar 15,43% em setembro)

🍅 Tomate salada: +17,50% (subiu pelo 2º mês após disparar 45,34% em setembro)

🥭Mamão Formosa: +15,02%

🥬 Alface: +9,66% (solo encharcado comprometeu folhosas)

🥩 Contrafilé: +6,93%

🥩 Alcatra: +6,74%

Já entre os itens que ficaram mais baratos na região estão:

🥕 Cenoura: -17,21% (4º mês seguido de queda, acumulando recuo de 48% devido ao alto estoque em São Gotardo-MG)

🥒 Abobrinha: -6,72% (devolveu parte da disparada de 56,06% registrada em setembro)

🧄 Alho: -6,30% (avanço da colheita da safra nacional no Cerrado ampliou a oferta)

Os três grupos que compõem a cesta tiveram alta em outubro: alimentação (+1,78%, passando para R$ 2.703,69), limpeza doméstica (+0,28%, a R$ 138,84) e higiene pessoal (+0,09%, a R$ 152,40).

*Estagiário colaborou sob supervisão de Alice Aires.

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