Uma semana após o resultado inesperado das eleições, as ações do setor sob cobertura do JPMorgan acumulavam queda de 46%, desempenho 28 pontos percentuais inferior ao do Ibovespa. O movimento sucede uma valorização de 37% registrada entre o primeiro e o segundo turno. Ao mesmo tempo, a taxa nominal dos títulos brasileiros de dez anos avançou 2,5 pontos percentuais na última semana, superando 15%.
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O banco decidiu ajustar o custo de capital próprio das empresas, mas, por enquanto, manteve suas estimativas de resultados. A instituição aguarda a atualização das projeções macroeconômicas e a divulgação dos balanços do terceiro trimestre de algumas companhias.
O JPMorgan calcula que uma alta de 100 pontos-base na Selic média de 2027, atualmente estimada em 13,2% em seus modelos, provocaria uma redução de 5% a 10% nos lucros das empresas de locação de veículos. Para as companhias de infraestrutura, o impacto seria marginal.
Embora as ações estejam negociadas a múltiplos próximos dos menores níveis em cinco anos, o banco pondera que as avaliações podem perder relevância diante da perspectiva de revisões negativas de resultados, da continuidade da saída de capital estrangeiro do Brasil e de novas quedas dos múltiplos. Nesse ambiente, algumas empresas podem permanecer descontadas por um período prolongado, até que surjam catalisadores para uma recuperação.
Motiva ( MOTV3 ) e Rumo ( RAIL3 )
O JPMorgan aponta Motiva e Rumo como as principais escolhas no setor de transportes brasileiro por considerar que as duas companhias têm perfil relativamente mais defensivo e menor exposição a revisões negativas de resultados.
A Motiva é a preferida do banco, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,50, apoiada pelo modelo de negócios defensivo e pelo potencial de geração de valor com aditivos aos contratos de concessão de rodovias. Segundo os analistas, essas alterações podem representar um ganho superior a 10% em valor presente líquido (VPL), além de elevar em aproximadamente 1 ponto percentual a taxa interna de retorno real (TIR).
Entre os riscos para a tese estão a pressão inflacionária sobre os investimentos e um eventual desempenho mais fraco do tráfego, especialmente em um cenário de desaceleração econômica. Ainda assim, a companhia oferece maior previsibilidade de resultados em comparação com outros segmentos, já que 80% da receita conta com algum mecanismo de reajuste pela inflação.
Para a Rumo, o banco também mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20. Os analistas destacam a estratégia de geração de caixa da administração, apoiada por uma estrutura de investimentos mais leve e pela melhora das tarifas de frete.
O principal risco apontado é o fenômeno climático El Niño durante o desenvolvimento da safra 2026/27. Até o momento, porém, o plantio de soja tem apresentado evolução favorável.
Vamos ( VAMO3 )
O JPMorgan rebaixou a recomendação da Vamos de compra para neutra diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo.
A alavancagem da Vamos, de 2,9 vezes no terceiro trimestre de 2026, torna a empresa uma das mais expostas a um ambiente prolongado de juros altos. Segundo os analistas, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic média de 2027 poderia provocar uma revisão negativa de 9% nas estimativas de lucro da companhia, mantidas as demais variáveis constantes.
Apesar da queda de 63% das ações na última semana e da negociação próxima às mínimas históricas de valuation, o banco vê poucos catalisadores para uma recuperação dos múltiplos no curto prazo. Um cenário macroeconômico mais difícil, acompanhado de condições de crédito restritivas, também pode pressionar os resultados operacionais e provocar uma deterioração na retomada de ativos.
Por outro lado, o JPMorgan reconhece a melhora operacional recente da companhia. Nos últimos trimestres, a Vamos reduziu a retomada de ativos e elevou a taxa de utilização de sua frota, que se aproxima da meta de aproximadamente 90%. Esses indicadores haviam sido os principais fatores de pressão sobre os resultados em 2024 e 2025. O banco também vê de forma positiva a postura mais conservadora da administração e a sequência de resultados melhores.
Simpar ( SIMH3 )
O JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações da Simpar ( SIMH3 ), com preço-alvo de R$ 9,50, por avaliar que o desconto de holding da companhia, atualmente em 25%, já está alinhado ao valor justo estimado pelo banco. Embora reconheça os esforços da administração para reduzir o endividamento da controladora, a instituição acredita que novas iniciativas devem gerar benefícios modestos e podem não ser suficientes para diminuir esse desconto.
JSL ( JSLG3 )
Na avaliação da JSL, o JPMorgan mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 9,50. O banco considera a companhia uma tese interessante de investimento por seu posicionamento diferenciado em um setor fragmentado e pelo histórico de execução de sua estratégia de fusões e aquisições.
A empresa também está avançando em uma reorganização interna, com mudanças nas equipes comerciais e no alinhamento das operações aos três segmentos recém-criados: serviços dedicados, Intralog e JSL Conecta. Para o JPMorgan, essas iniciativas devem permitir que a JSL aproveite melhor as oportunidades de crescimento de longo prazo.
Localiza ( RENT3 )
O JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações da Localiza ( RENT3 ), com preço-alvo de R$ 50, diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo e da pressão competitiva das montadoras chinesas. Segundo o banco, essas fabricantes devem continuar agressivas nos preços e acelerar o lançamento de novos modelos, o que tende a pressionar a depreciação dos veículos.
Apesar desse cenário, os analistas destacam a capacidade de execução da Localiza. A companhia tem ampliado a diferença entre o retorno sobre o capital investido (ROIC) e o custo de capital, mesmo com a maior depreciação da frota. O JPMorgan também avalia que a empresa está bem posicionada para se beneficiar de uma eventual queda dos juros e da retomada dos fluxos de capital estrangeiro para o Brasil.
Ecorodovias ( ECOR3 )
O JPMorgan mantém recomendação de compra para a Ecorodovias, com preço-alvo de R$ 8,50, e destaca a resiliência do modelo de negócios e a maior previsibilidade dos resultados, apesar do plano de investimentos superior a R$ 60 bilhões e da expectativa de alavancagem elevada nos próximos anos.
Para o banco, o foco da companhia deve se voltar ao projeto da terceira pista da Ecovias Imigrantes. Os analistas também ressaltam a execução operacional consistente, com controle de custos e ganhos de eficiência, e apontam o avanço do empreendimento e a trajetória de redução do endividamento como principais pontos de atenção para os investidores.
Movida ( MOVI3 )
O JPMorgan mantém recomendação neutra para a Movida, com preço-alvo de R$ 8,50, devido aos retornos menores e à alavancagem mais elevada em comparação com a Localiza.
Apesar da avaliação mais cautelosa, o banco reconhece o desempenho operacional expressivo da locadora, refletido na alta dos preços de aluguel e nas margens de Ebitda em níveis historicamente elevados. A expectativa dos analistas é que essa tendência continue nos próximos trimestres.
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