Alunos da Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes, em Marechal Thaumaturgo, distante mais de 500 quilômetros da capital Rio Branco, estão há mais de um mês sem merenda escolar. A denúncia é de um servidor da instituição, que pediu para não ter o nome divulgado, feita ao g1.

A falta de alimentos, conforme o servidor, afeta mais de 400 estudantes e tem provocado até a redução do tempo das aulas.

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Segundo ele, o problema de abastecimento não é recente e ocorre de forma recorrente desde o início do ano, com períodos de interrupção que chegam a 10 ou 15 dias. "Esse ano está complicado. Antes, a merenda era bem mais regular. Agora falta, passa 10, 15 dias e depois chega novamente. A equipe gestora não está parada, está sempre buscando resolver esse problema, mas não consegue", relatou.

Agora no g1

Ao g1, a Secretaria de Educação confirmou o atraso na entrega e disse que está trabalhando para solucionar os problemas relacionados ao transporte e assim, "garantir que o reabastecimento da alimentação escolar seja realizado o mais rápido possível", diz trecho. (Veja nota mais abaixo)

Atualmente, conforme o relato, a escola não possui alimentos no estoque. O funcionário soube que a equipe gestora já encaminhou diversos ofícios solicitando o envio de novos itens, mas não recebeu uma previsão para a regularização do abastecimento.

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A escola funciona nos três turnos, com ensino médio nos períodos da manhã e da tarde e Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite. Cerca de 40% dos estudantes são moradores da zona rural e precisam percorrer longas distâncias de barco para chegar às aulas. Alguns saem de casa cerca de 4h.

Segundo o servidor, no período da manhã, as aulas começam às 7h e, normalmente, terminam às 12h30. Com a falta de merenda, a unidade passou a reduzir o tempo das aulas dos três turnos, de 60 para 50 minutos, mantendo cinco horários por dia.

Conforme a denúncia, alguns alunos conseguem comprar lanches em estabelecimentos próximos ou recebem alimentos entregues por familiares. Outros, principalmente os que vivem na zona rural, enfrentam mais dificuldades por causa das condições financeiras e da distância até suas casas.

"Alguns conseguem comprar merenda lá fora da escola, geralmente quem mora na cidade e tem mais condição, mas outros, sobretudo os que moram no interior, que são cerca de 40% e não podem, porque as condições são poucas. Essa é a única escola de ensino médio aqui da cidade", lamenta.

Falhas de logística

Outro problema apontado pelo servidor é a logística de transporte da merenda até Marechal Thaumaturgo. Como parte dos alimentos chega por embarcações, o deslocamento pode aumentar o tempo de espera e dificultar o abastecimento da unidade.

Ele relatou ainda preocupação com a qualidade de alguns produtos recebidos, especialmente carnes, que, segundo ele, já chegaram em condições inadequadas para o consumo.

Além da falta de merenda, o denunciante mencionou pendências relacionadas à infraestrutura da escola. Entre elas está a reforma da cobertura da quadra esportiva, que teria sido anunciada, mas ainda não foi executada.

"É muito complicado. Quando chega aqui, a carne muitas vezes não vem em boas condições. A direção acaba tendo que aproveitar o que consegue, porque, se jogar fora é pior e vai faltar ainda mais para os alunos", afirmou.

Nota da Secretaria de Educação

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), informa que, em razão de dificuldades logísticas, houve atraso na entrega de gêneros alimentícios à Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes.

A Secretaria está trabalhando para solucionar os problemas relacionados ao transporte e garantir que o reabastecimento da alimentação escolar seja realizado o mais rápido possível.

A SEE esclarece que os alimentos não perecíveis são enviados em quantidades previstas para atender aproximadamente 45 dias, enquanto os perecíveis, como as carnes, são entregues, em média, a cada 15 dias, em razão das condições de conservação e da capacidade de armazenamento das unidades escolares.

Nas escolas de difícil acesso, as carnes são transportadas congeladas para preservar sua qualidade. Quanto à denúncia sobre a qualidade das carnes, a SEE informa que não recebeu, até o momento, registros ou notificações formais de produtos entregues em condições inadequadas nessa unidade.

Os gestores escolares são orientados, conforme os procedimentos estabelecidos pela Secretaria, a verificar as condições dos alimentos no ato do recebimento, recusar produtos que estejam em desacordo com as especificações contratuais e registrar formalmente qualquer irregularidade, acompanhada das devidas comprovações, para que sejam adotadas as providências cabíveis.

Rio Branco-AC, 3 de novembro de 2026. Reginaldo Prates - Secretário de Estado de Educação e Cultura

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