O resultado representa uma derrota para o governo de Donald Trump (Partido Republicano), que foi um dos principais alvos das campanhas democratas. Os opositores concentraram suas críticas em pautas econômicas, como o aumento do custo de vida, e na participação dos EUA na guerra contra o Irã.

Leia as reações de líderes pelo mundo:

Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China , afirmou nesta 4ª feira (4.nov.2026) durante entrevista a jornalistas que as eleições de meio de mandato são um assunto interno dos Estados Unidos.

“A China está disposta a continuar trabalhando com os EUA para preservar e cumprir os importantes entendimentos comuns alcançados pelos 2 chefes de Estado, intensificar a comunicação, administrar adequadamente as divergências, ampliar a cooperação e construir uma relação construtiva de estabilidade estratégica, com base nos princípios de respeito, equidade e reciprocidade” , declarou.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (PSOE, centro-esquerda), celebrou a vitória democrata nas eleições norte-americanas.

“Ontem [3.nov] , a sociedade estadunidense votou contra as políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra o privilégio das elites” , escreveu o premiê em suas redes sociais.

Na publicação, Sánchez também fez referência à recente vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil e às eleições gerais em seu próprio país, marcadas para 29 de novembro . O premiê concorre à reeleição e tem como adversários Alberto Nuñez Feijóo (Partido Popular, centro-direita) e Santiago Abascal (Vox, direita).

“Ocorreu no Brasil. Acaba de ocorrer nos EUA. E ocorrerá logo em Espanha. A onda de extrema direita na qual querem surfar Feijóo e Abascal já não cresce: se desmorona” , disse.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf , afirmou em publicação no X que os norte-americanos que foram às urnas disseram não à guerra.

“Por consciência ou pelo custo de vida: os norte-americanos disseram não à guerra, e nós endossamos essa mensagem” , escreveu Qalibaf.

“Se o governo dos EUA trair a vontade popular para servir a patrocinadores e chantagistas, aprenderá que o nosso ‘não’ vem acompanhado de um pesadelo” , acrescentou.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius , deu parabéns aos democratas por sua “vitória histórica” no Congresso norte-americano. Segundo a Al Jazeera , ele afirmou que o governo dos EUA continuará o mesmo e que Berlim seguirá cooperando com Washington com base na confiança.

Ao discursar na Conferência de Segurança de Berlim, Pistorius acrescentou que não sabia quais eram os planos de Trump para o futuro próximo, mas que a Alemanha procuraria estabelecer contato tanto com democratas quanto com republicanos.

ÁFRICA DO SUL

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa (CNA, centro-esquerda), afirmou que a vitória democrata no Congresso norte-americano pode inaugurar uma “nova era nas relações mundiais” .

Segundo a Bloomberg :, Ramaphosa também declarou: “Vimos que os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, e o povo norte-americano se pronunciou” .

O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov , pediu cautela e afirmou que é preciso aguardar a conclusão da apuração, segundo a agência estatal de notícias RIA.

“A postura da liderança do Partido Democrata a respeito das relações com a Rússia é fortemente negativa. Não há nada de novo nisso” , disse.

“Nossos princípios em relação à Ucrânia, assim como nossa política externa em geral, não se baseiam em considerações de curto prazo e, naturalmente, não dependem das oscilações do cenário político em outros países. Continuaremos nosso trabalho de acordo com as diretrizes do presidente da Federação Russa” , acrescentou.

O QUE SÃO AS ELEIÇÕES DE MEIO DE MANDATO

As midterms são as eleições realizadas na metade dos 4 anos de mandato do presidente norte-americano. A Presidência não está em disputa, mas o resultado define com quais forças políticas o governo precisará negociar no Congresso.

Neste ano, os eleitores votaram para todas as 435 vagas da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado . Os deputados têm mandatos de 2 anos; os senadores, de 6, com renovação de aproximadamente 1/3 da Casa a cada eleição.