Realizada na terça-feira (3), a votação garantiu ao Partido Democrata o controle das duas Casas do Congresso americano — a Câmara dos Representantes e o Senado. O resultado configura uma derrota política para o presidente Donald Trump, do Partido Republicano.
Com o novo cenário, os democratas assumem o controle da pauta legislativa em Washington pelos próximos dois anos, impondo desafios e freios à gestão republicana.
O Palácio do Planalto não divulgou pronunciamento oficial sobre os resultados. Nem o presidente Lula nem o vice-presidente Geraldo Alckmin comentaram a vitória democrata até a última atualização desta reportagem.
Repercussão entre aliados do governo
Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos
Integrantes da base governista e ministros comemoraram a virada legislativa em Washington e traçaram paralelos com a política nacional.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que as eleições americanas apontam para uma "mudança de rumo" no mundo.
"Um verdadeiro tsunami americano varreu os EUA. Mudança de rumo no mundo que começou com a onda vermelha aqui no Brasil. Derrota de Trump é uma vitória do mundo democrático. Viva a Democracia", escreveu o ministro em sua conta no X.
O deputado André Janones (Rede-MG), coordenador do canal "Exército do Lula" na campanha da reeleição do presidente, disse ver influência do cenário brasileiro no pelito dos EUA.
"A realidade é que a vitória do presidente Lula está inspirando o mundo inteiro. A gente tá mostrando pro mundo que, sim, nós podemos vencê-los de uma vez por todas!", publicou o parlamentar.
Já o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ironizou ao parafrasear um bordão comumente adotado por setores conservadores. "Acontece no Brasil, acontece nos EUA. No final, quem interferiu fomos nós", postou Randolfe.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) usou a hashtag "TheBolsonarosEffect", que, em português, significa "o efeito Bolsonaro" e afirmou que as urnas mandaram um recado contra o avanço de grupos radicais.
"Derrota acachapante de Trump mostra que os EUA e o mundo estão dispostos a impedir que a extrema-direita destrua o nosso futuro", declarou o petista.
O presidente nacional do PSB, João Campos, disse que a votação é uma resposta aos excessos e à radicalização do governo republicano.
"O recado das urnas ultrapassou o Congresso e chegou a redutos históricos republicanos: Gina Hinojosa, primeira governadora latina do Texas; Keisha Lance Bottoms, primeira mulher negra eleita governadora dos EUA, na Geórgia; e Rob Sand, vencedor em Iowa", citou Campos.
"Mais do que uma derrota de Trump, o resultado revela a formação de uma maioria diversa, que rejeita a política do confronto permanente e reafirma a força da democracia. Uma mensagem que ultrapassa as fronteiras americanas", completou o ex-prefeito do Recife (PE).
A deputada Duda Salabert (PDT-MG) também destacou os marcos de representatividade nas urnas americanas e a contenção de alas de extrema-direita.
"Trump perdeu o controle do Congresso nos EUA, e as eleições de meio de mandato foram marcadas por conquistas históricas: primeira mulher indígena eleita para o Senado; primeira governadora negra da história dos EUA, na Geórgia; primeiro senador muçulmano eleito; primeira governadora indígena, no Novo México; primeiro senador abertamente gay", elencou Duda Salabert.
"Os resultados representam uma mudança na correlação de forças políticas nos EUA e uma reação eleitoral ao facismo de Trump. Estamos presenciando o fim da era do retrocesso", complementou a parlamentar.
Direitista também critica Trump
O ex-candidato a presidente e líder do Partido Missão, Renan Santos, criticou tanto a condução dos EUA pelo governo Trump quanto a aproximação dos republicanos com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Essa desgraça de direita retardada dos republicanos, que tem nos Bolsonaro sua filial, tomaram uma taca. Que acabem logo. Trump toca um governo essencialmente corrupto que traiu seus eleitores. Que surja algo novo no lugar", afirmou Renan em uma rede social.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante um comício de campanha para as eleições de meio de mandato, no Ocean Center, em Daytona Beach, na Flórida, em 30 de outubro de 2026.
Brendan SMIALOWSKI / AFP

