A declaração foi feita em vídeo e repercutida pelo portal grego CNN.gr . Na avaliação do empresário, essas duas atividades oferecem oportunidades porque atendem a necessidades que estão surgindo com a expansão da inteligência artificial.

O conselho chama atenção porque não envolve necessariamente criar programas complexos ou competir com gigantes da tecnologia. O foco está em resolver problemas reais e atender empresas que precisam adaptar suas operações.

Quais são as duas áreas recomendadas pelo investidor?

Kevin O’Leary aponta dois caminhos que considera especialmente promissores para profissionais em início de carreira.

O primeiro é a implementação de ferramentas de inteligência artificial em pequenas empresas, ajudando empresários a utilizar a tecnologia para melhorar processos.

O segundo está relacionado aos data centers, instalações que concentram servidores e equipamentos necessários para executar sistemas digitais e aplicações de IA.

Embora sejam áreas diferentes, ambas fazem parte da mesma transformação tecnológica. Uma está ligada à utilização da inteligência artificial, enquanto a outra fornece a infraestrutura necessária para seu funcionamento.

Primeira oportunidade: ajudar pequenas empresas a usar IA

Para O’Leary, muitas empresas desejam aproveitar os recursos da inteligência artificial, mas ainda não sabem como começar.

É nesse espaço que podem surgir oportunidades para profissionais capazes de orientar a escolha de ferramentas e organizar sua utilização.

Um pequeno comércio, por exemplo, pode precisar melhorar o atendimento aos clientes, organizar informações sobre vendas ou reduzir o tempo dedicado a tarefas administrativas.

O especialista em implementação de IA procura identificar essas necessidades e apresentar soluções compatíveis com o orçamento e a rotina do negócio.

O trabalho não depende necessariamente de desenvolver uma tecnologia própria, mas exige conhecimento técnico e capacidade de entender problemas empresariais.

O que um profissional dessa área pode fazer?

Existem diferentes possibilidades de atuação para quem decide trabalhar com implementação de inteligência artificial.

Uma delas é organizar sistemas de atendimento que auxiliem na resposta a perguntas frequentes dos consumidores.

Outra envolve automatizar atividades repetitivas, como classificação de informações, preparação de relatórios e organização de dados comerciais.

Também é possível ajudar empresas a utilizar ferramentas para apoiar a produção de conteúdo, desde que exista revisão humana e controle de qualidade.

O ponto central é oferecer um serviço com resultado verificável. Para conquistar clientes, não basta apresentar uma ferramenta moderna; é necessário demonstrar como ela melhora uma atividade da empresa.

Pequenos negócios brasileiros podem representar oportunidades

No Brasil, a proposta tem aplicações práticas em diversos setores.

Comércios de bairro, escritórios, clínicas, prestadores de serviços e pequenas indústrias podem apresentar dificuldades para incorporar novas tecnologias.

Muitos desses estabelecimentos não possuem equipes próprias de desenvolvimento de software ou profissionais dedicados exclusivamente à transformação digital.

Um prestador de serviços especializado pode ajudá-los a identificar processos que poderiam ser melhorados com inteligência artificial.

Entretanto, a implantação deve considerar custos, segurança dos dados, treinamento dos funcionários e a legislação aplicável, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados.

A oportunidade não é simplesmente vender acesso a aplicativos, mas oferecer uma solução que funcione na rotina do cliente.

Como começar a trabalhar com inteligência artificial?

Para quem está iniciando, um caminho possível é aprender a utilizar ferramentas de IA e compreender suas limitações.

Depois, vale estudar processos comuns em pequenas empresas, como atendimento, vendas, controle de estoque e organização administrativa.

A experiência prática pode começar com projetos demonstrativos ou atividades supervisionadas que permitam avaliar resultados.

Também é importante desenvolver conhecimentos sobre privacidade, proteção de informações e revisão de respostas produzidas automaticamente.

A especialização em um setor específico pode facilitar a identificação de problemas recorrentes e a criação de serviços mais adequados às necessidades dos clientes.

Segunda oportunidade: trabalhar com data centers

A outra área destacada por Kevin O’Leary está relacionada aos centros de processamento de dados, conhecidos como data centers.

Essas instalações abrigam servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e estruturas necessárias para manter serviços digitais funcionando.

Com o crescimento das aplicações de inteligência artificial, aumenta também a necessidade de infraestrutura capaz de executar operações computacionais complexas.

Isso envolve não apenas computadores de alto desempenho, mas também fornecimento confiável de energia, refrigeração e manutenção especializada.

Na avaliação do investidor, profissionais preparados para atuar nessa cadeia podem encontrar oportunidades importantes.

Por que a inteligência artificial precisa de data centers?

Ferramentas de inteligência artificial dependem de equipamentos físicos para executar suas operações.

Quando uma pessoa utiliza um sistema de IA, o processamento pode acontecer em servidores instalados em centros de dados, dependendo da aplicação.

Esses equipamentos consomem eletricidade e produzem calor, exigindo sistemas de refrigeração e monitoramento.

Além disso, a operação precisa manter conectividade e disponibilidade para atender aos usuários.

Por isso, a expansão da inteligência artificial envolve investimentos em infraestrutura física, e não apenas no desenvolvimento de programas.

Quais profissionais podem trabalhar nessa área?

O setor de data centers reúne atividades que vão além da programação.

Engenheiros eletricistas podem trabalhar com sistemas de fornecimento e distribuição de energia. Técnicos especializados em climatização podem atuar na refrigeração dos equipamentos.

Também existem funções relacionadas à manutenção, redes de computadores, segurança física e monitoramento operacional.

Cada atividade exige conhecimentos e níveis de formação específicos.

Para quem deseja entrar nesse mercado, cursos técnicos, formação superior e experiência em ambientes de infraestrutura podem representar caminhos de preparação.

A oportunidade mencionada por O’Leary não significa que todas as funções tenham salários elevados ou contratação garantida.

É preciso ter muito dinheiro para começar?

Um dos aspectos mais interessantes da declaração é a diferença entre os investimentos necessários em cada área.

Prestar serviços de implementação de IA pode permitir o início de uma operação pequena, dependendo das ferramentas utilizadas e da experiência do profissional.

Já construir um data center exige investimentos elevados em terreno, equipamentos, energia e infraestrutura.

Entretanto, trabalhar no setor não significa necessariamente ser proprietário dessas instalações.

Um jovem pode buscar emprego, estágio ou prestação de serviços em empresas que já atuam no mercado.

Essa distinção é importante para evitar a impressão de que seria necessário investir milhões para aproveitar as oportunidades relacionadas aos centros de dados.

Por que O’Leary destaca a idade de 25 anos?

A declaração utiliza os 25 anos como referência para alguém que está no começo da trajetória profissional e pode dedicar tempo ao desenvolvimento de novas competências.

Na visão do investidor, escolher cedo uma área com necessidades crescentes pode permitir acumular experiência e construir relacionamentos profissionais.

Entretanto, isso não significa que pessoas mais velhas estejam excluídas dessas oportunidades.

Profissionais que já trabalham com administração, engenharia, tecnologia ou atendimento empresarial também podem adaptar seus conhecimentos.

O conselho está relacionado principalmente à escolha de especialização e à capacidade de perceber demandas que ainda não são plenamente atendidas.

Conselho não significa promessa de enriquecimento

Embora a declaração venha de um investidor conhecido, ela representa uma avaliação pessoal sobre possíveis oportunidades de mercado.

Não existe garantia de que trabalhar com IA ou data centers resultará em enriquecimento.

O sucesso depende de fatores como formação, qualidade dos serviços, concorrência, demanda e capacidade de executar projetos.

Também é importante lembrar que a tecnologia evolui rapidamente, o que exige atualização profissional constante.

Antes de investir tempo ou dinheiro em uma nova carreira, vale analisar oportunidades concretas de trabalho e as competências exigidas.

O que os brasileiros podem aprender com a declaração?

A principal mensagem de Kevin O’Leary é que o crescimento da inteligência artificial pode beneficiar profissionais que resolvam problemas criados pela própria expansão da tecnologia.

De um lado, existem empresas que precisam aprender a utilizar ferramentas digitais de maneira eficiente. Do outro, existe uma infraestrutura física que precisa ser construída, operada e mantida.

São atividades diferentes, mas que podem oferecer possibilidades para profissionais com perfis técnicos e comerciais variados.

O detalhe mais interessante é que as duas áreas recomendadas pelo investidor não exigem necessariamente a criação de uma inteligência artificial revolucionária. Na avaliação dele, ajudar pequenos negócios a usar a tecnologia e trabalhar na infraestrutura que permite seu funcionamento são caminhos que merecem atenção de quem está construindo uma carreira.