Entre os principais marcos estão a eleição da 1ª mulher negra para governar um Estado norte-americano, da 1ª mulher indígena para o comando de um governo estadual e da 1ª mulher indígena para o Senado. A disputa também elegeu o 1º homem assumidamente gay e o 1º muçulmano para a Casa.
Mulheres negras e indígenas
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita a 1ª mulher negra a govern ar um Estado norte-americano. Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou o republicano Rick Jackson e também será a 1ª pessoa negra a comandar o Estado, que teve 83 governadores antes dela, todos homens e brancos. Sua vitória encerrou mais de duas décadas de governos republicanos na Geórgia.
Em 1968, Shirley Chisholm se tornou a 1ª mulher negra eleita para a Câmara dos Representantes, por Nova York. Desde então, outras mulheres negras conquistaram cadeiras no Congresso, mas nenhuma havia chegado ao comando de um governo estadual.
Já Deb Haaland, integrante da comunidade Laguna Pueblo, será a 1ª mulher indígena a comandar um Estado norte-americano. Ela já havia feito história em 2018, quando se tornou uma das duas primeiras mulheres indígenas eleitas para a Câmara dos Representantes. Em 2021, durante o governo de Joe Biden (2021-2025), ampliou esse pioneirismo ao assumir o Departamento do Interior e se tornar a 1ª indígena a comandar uma pasta do gabinete federal.
No mesmo pleito, a representação indígena avançou no Senado com a eleição de Peggy Flanagan, vice-governadora de Minnesota e integrante da comunidade White Earth Band of Ojibwe. Ela será a 1ª mulher indígena a ocupar uma cadeira na Casa. A conquista amplia a presença dos povos originários no Congresso, que já contava com Mary Peltola, eleita em 2022 como a 1ª pessoa indígena do Alasca a conquistar uma vaga na Câmara dos Representantes.
Na Flórida, o republicano Byron Donalds foi eleito o 1º governador negro do Estado. Já no Wisconsin, o democrata David Crowley se tornou o 1º homem negro a comandar o Executivo estadual. Os resultados ampliam uma presença historicamente restrita nesses cargos. Até as eleições de 2026, só 3 homens negros haviam sido eleitos diretamente para governar Estados norte-americanos: L. Douglas Wilder, na Virgínia, em 1989; Deval Patrick, em Massachusetts, em 2006; e Wes Moore, em Maryland, em 2022.
Moore foi reeleito neste ano e com as vitórias de Bottoms, Donalds e Crowley, os Estados Unidos terão 4 governadores negros simultaneamente. A mudança é significativa também pela distribuição partidária: enquanto Bottoms e Crowley são democratas, Donalds representa o Partido Republicano.
Mulheres ampliam presença no Senado
A participação feminina também avançou em Estados que nunca haviam elegido uma mulher para o comando do Executivo. Em Ohio, a democrata Amy Acton venceu a disputa e se tornou a 1ª mulher eleita governadora. O mesmo marco foi alcançado por Amy Klobuchar, em Minnesota, e pela republicana Marsha Blackburn, no Tennessee. Em Illinois, a democrata Juliana Stratton foi eleita para o Senado e assumirá, em janeiro de 2027, a cadeira atualmente ocupada por Dick Durbin. Com isso, ela se juntará a Lisa Blunt Rochester, de Delaware, e Angela Alsobrooks, de Maryland, eleitas em 2024 e já em exercício. Será a 1ª vez que 3 mulheres negras ocuparão simultaneamente cadeiras no Senado dos Estados Unidos.
Primeiro homem gay é eleito para o Senado
Na disputa pelo Senado em New Hampshire, o democrata Chris Pappas venceu o republicano John E. Sununu e se tornou o 1º homem assumidamente gay eleito para a Casa.
A vitória dá continuidade a uma trajetória de pioneirismo: em 2018, Pappas já havia se tornado o 1º integrante gay eleito para representar New Hampshire no Congresso, ao conquistar uma cadeira na Câmara dos Representantes.
A representação no Senado, porém, já havia alcançado um marco anterior. Em 2012, a democrata Tammy Baldwin, de Wisconsin, se tornou a 1ª pessoa assumidamente LGBTQIA+ eleita para a Casa.
A eleição amplia a diversidade de gênero na representação política norte-americana e marca uma nova etapa na presença de integrantes da comunidade LGBTQIA+ nos principais espaços de decisão do país.
A represent ação latina também avançou nos governos estaduais, com vitórias em 2 dos maiores Estados norte-americanos. No Texas, a democrata Gina Hinojosa, de ascendência mexicana, será a 1ª mulher latina a governar o Estado. Sua vitória também encerrou mais de 30 anos de governos republicanos: a última democrata a comandar o Executivo estadual havia sido Ann Richards, que deixou o cargo em 1995.
Na Califórnia, o democrata Xavier Becerra venceu a disputa e será o 1º latino eleito diretamente para o governo estadual desde 1875. Naquele ano, Romualdo Pacheco, também de ascendência mexicana, assumiu o cargo depois da renúncia do governador, mas não havia sido eleito diretamente para a função.
A presença de imigrantes também avançou nas assembleias estaduais. Sete brasileiros foram eleitos deputados estaduais em 4 Estados, todos pelo Partido Democrata.
Entre eles está Felipe Sousa-Lazaballet, nascido em Duque de Caxias (RJ), que conquistou sua 1ª eleição na Flórida, Estado de predominância republicana.
Imigrante desde a adolescência, Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e construiu sua trajetória política a partir da defesa dos direitos dos estrangeiros e da comunidade LGBTQIA+. Os outros 6 brasileiros eleitos estão em Massachusetts, Connecticut e Nevada.
Primeiro senador muçulmano
A diversidade também avançou no Senado com a eleição de Abdul El-Sayed por Michigan. Ele será o 1º muçulmano a ocupar uma cadeira na Casa, ampliando uma representação que, até então, estava concentrada na Câmara dos Representantes.
A presença muçulmana no Congresso começou a ganhar destaque em 2006, quando Keith Ellison se tornou o 1º muçulmano eleito para o Legislativo federal. Mais de uma década depois, em 2018, Rashida Tlaib e Ilhan Omar se tornaram as primeiras mulheres muçulmanas eleitas para a Câmara.
Com a vitória de El-Sayed, a representação desse grupo alcança pela 1ª vez o Senado.
Este texto foi escrito pela estagiária de Jornalismo Camila Fioranelli, sob supervisão da editora-assistente Giovanna Pacheco.

