A decisão foi anunciada depois da reunião de 2 dias do comitê, realizada na 3ª feira (3.nov) e nesta 4ª feira (4.nov). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 114 kB).
O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes da Selic em um cenário de desaceleração mais acentuada da economia brasileira, mas com inflação acima do limite superior da meta.
A decisão foi unânime entre os 7 integrantes do Copom. O comunicado não apresentou sinalização explícita sobre quando os cortes poderão ser retomados.
INFLAÇÃO ACIMA DA META
O BC também elevou suas projeções para a inflação e alertou para a deterioração das expectativas de preços.
Segundo o comunicado, a inflação acumulada e a média das medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus também se afastaram da meta de 3%. As estimativas passaram a indicar:
2026 – inflação de 5,2%;
2027 – inflação de 4,8%.
No cenário de referência do próprio Copom, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027 .
Para o 2º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%, acima do centro da meta.
O BC afirmou que incorporou às projeções os choques de oferta observados desde a reunião anterior, principalmente os relacionados ao petróleo e seus derivados.
RISCOS FISCAIS E CÂMBIO
O Copom destacou que continua acompanhando os efeitos da política fiscal sobre os ativos financeiros e a condução da política monetária.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza” , afirmou.
Entre os principais riscos para a inflação, o BC citou a possibilidade de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada, estímulos ao consumo e manutenção da inflação de serviços acima do esperado.
O colegiado também alertou para a desancoragem das expectativas de inflação em prazos mais longos, que dificulta o processo de redução dos preços e aumenta o custo da política monetária.
PETRÓLEO E CENÁRIO EXTERNO
O BC avaliou que o ambiente internacional se tornou mais adverso com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo e derivados.
A manutenção de políticas monetárias mais restritivas nas economias avançadas também foi apontada como fator de risco para países emergentes, diante da maior volatilidade dos ativos financeiros e das commodities.
Segundo o Copom, esses fatores exigem cautela na condução da política monetária brasileira.
Apesar dos riscos inflacionários, o BC disse que a atividade econômica brasileira apresenta uma desaceleração mais intensa do que a observada anteriormente.
O enfraquecimento se concentra principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. O mercado de trabalho permanece resistente, mas já apresenta sinais de perda de força.
O Copom afirmou que os indicadores são compatíveis com uma trajetória de desaceleração da economia ao longo de 2026.
O colegiado destacou que a Selic permanece em nível substancialmente contracionista, ou seja, elevado o suficiente para restringir o consumo e os investimentos e ajudar a conter a inflação.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta” , afirmou.
A manutenção da Selic foi aprovada pelos 7 integrantes do Copom:
Gabriel Galípolo (presidente);
Ailton de Aquino Santos;
Gilneu Francisco Astolfi Vivan;
Izabela Moreira Correa;
Nilton José Schneider David;
Rodrigo Alves Teixeira.
A decisão interrompeu a sequência de cortes dos juros iniciada anteriormente pelo Banco Central. Na reunião de setembro, o colegiado havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.

