O sonho de conhecer o mundo levou Rafael Pereira Modesto para longe de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Aos 18 anos, ele deixou o Brasil e passou a morar em diferentes países da Europa, até se estabelecer em Paris, na França, onde trabalhava como modelo e estilista.

Aos 39 anos, Rafael foi encontrado morto no apartamento onde morava, em Paris, no sábado (31).

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Conhecido pela alegria e pela paixão por moda e viagens, Rafael mantinha uma relação próxima com a família, mesmo vivendo a milhares de quilômetros de distância.

Segundo a madrasta, Juliana Costa, Rafael conversava diariamente com a mãe, a irmã e a avó ou, no máximo, a cada dois dias.

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O último contato de Rafael com a família ocorreu em 23 de outubro. Após uma semana sem notícias, os parentes ficaram preocupados e pediram ajuda a uma amiga que também mora na França para verificar se estava tudo bem.

A amiga foi até o apartamento, mas não conseguiu contato com Rafael. Os bombeiros e a polícia francesa foram acionados, arrombaram a porta e encontraram o corpo do brasileiro no imóvel.

"Foi desesperador. A gente ficou sem saber, mandando mensagens, tentando contato com alguém lá que pudesse falar alguma coisa dele e saber onde ele morava. Foi tudo muito difícil", disse Juliana.

A causa da morte não havia sido informada à família até a última atualização desta reportagem.

Paixão por moda e vontade de conhecer o mundo

Rafael atuava como modelo e estilista

Juliana conhecia Rafael havia cerca de 25 anos e acompanhou parte da infância e da adolescência dele. Quando se conheceram, ele tinha entre 14 e 15 anos.

Ela descreveu o enteado como um rapaz alegre, ambicioso e apaixonado por moda. Além de modelo, Rafael também trabalhava como estilista. Atualmente, porém, não tinha emprego fixo.

"Ele era um rapaz muito ambicioso, feliz, gostava de moda, ele trabalhava como estilista e modelo", afirmou.

Apesar da distância, Rafael continuava presente na rotina dos familiares. Segundo Juliana, ele demonstrava preocupação principalmente com a saúde da mãe, da avó e do pai. Recentemente, chegou a manter contato mais frequente com o pai depois que ele teve pneumonia.

"Ele era muito, muito, muito agarrado à avó materna e à mãe", contou.

A vontade de viajar e conhecer novos lugares também fazia parte dos planos de Rafael. Segundo a madrasta, ele gostava de passear e tinha o sonho de conhecer o mundo.

O modelo completaria 40 anos no dia 4 de dezembro. Para a família, a expectativa agora é conseguir trazê-lo de volta à cidade onde nasceu e onde vivem os parentes.

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Família tenta traslado do corpo

Além da dor da perda, os familiares enfrentam dificuldades financeiras para trazer o corpo de Rafael ao Brasil.

Segundo Juliana, os custos com documentação e traslado devem chegar a aproximadamente R$ 50 mil. Por isso, a família iniciou uma campanha por Pix, que arrecadou cerca de R$ 9 mil.

"Nosso objetivo nesse momento é conseguir trazer o corpo dele de volta. A gente queria muito que tivesse um auxílio do governo, nem falo financeiro, mas que fosse lá e ajudasse a resolver, porque é um custo muito alto", afirmou.

Uma cunhada de Rafael ficou responsável por manter contato com o consulado brasileiro e buscar orientações sobre os procedimentos necessários.

A família espera que o modelo seja velado e enterrado em Uberlândia, cidade onde nasceu e onde morou com os parentes no bairro Segismundo Pereira.

"Problemas a gente resolve, a gente não considera, a gente vai atrás. É o que a família inteira está fazendo", disse Juliana.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou que, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Paris, tem conhecimento do caso e está em contato com a família, a quem tem sido prestada a assistência consular devida.

Família não sabe a causa da morte de modelo

Como funciona o registro de óbito de um brasileiro no exterior?

1. O óbito é registrado na embaixada ou consulado brasileiro

O registro deve ser feito na representação brasileira responsável pelo país onde ocorreu a morte.

A declaração deve ser feita, de preferência, por um familiar, como cônjuge, filho, irmão, mãe ou pai.

Em alguns casos, um representante autorizado, como uma funerária, também pode realizar o procedimento.

2. É preciso apresentar documentos

Entre os principais documentos exigidos estão:

formulário de registro de óbito preenchido;

certidão de óbito emitida pelas autoridades locais;

documento de identidade brasileiro do falecido;

documento de identidade do familiar ou representante que fizer a declaração.

3. O registro é gratuito

A emissão da certidão consular de óbito não tem custo.

4. O documento precisa ser validado no Brasil

Depois de ser emitida pela embaixada ou pelo consulado, a certidão deve ser transcrita em um cartório de registro civil no Brasil para ter validade legal.

Como funciona o translado do corpo para o Brasil?

Além do registro de óbito, também é necessário emitir e legalizar outros documentos, entre eles:

autorização para o transporte internacional do corpo;

certidão de óbito original;

certificado de embalsamamento;

atestado sanitário comprovando que a morte não foi causada por doença contagiosa.

Em casos de doenças infectocontagiosas, o corpo deve ser transportado em uma urna metálica hermeticamente fechada.

🔎Os órgãos onde as certidões, certificados e atestados são emitidos variam conforme o país.

Quem paga pelo translado?

Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro não custeia despesas como:

translado do corpo ou das cinzas para o Brasil;

sepultamento no exterior.

Em regra, esses custos são de responsabilidade da família ou de pessoas e instituições que decidam prestar apoio financeiro.

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