No levantamento, que reúne companhias do índice MSCI Emerging Markets, o banco destaca que 71% das empresas já divulgaram seus resultados e aponta crescimento de 57% no lucro líquido na comparação anual. As receitas avançaram 33% e o Ebitda subiu 49%, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia na Ásia.
Apesar da forte correção recente das ações ligadas à inteligência artificial, o JPMorgan avalia que as principais fabricantes de semicondutores continuam apresentando fundamentos sólidos. Empresas como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC reportaram resultados acima do esperado e reforçaram perspectivas favoráveis para a demanda de IA até pelo menos 2028.
Segundo o banco, a conclusão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também pode funcionar como um catalisador para as bolsas emergentes ao reduzir parte da incerteza política global. Além disso, o JPMorgan entende que os mercados emergentes continuam negociando em níveis historicamente descontados e seguem relativamente pouco posicionados nas carteiras internacionais.
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No caso do Brasil, o banco vê um cenário mais desafiador do ponto de vista macroeconômico, mas destaca que os resultados corporativos têm mostrado resistência. Até o momento, as empresas brasileiras que divulgaram balanços registram crescimento médio de 7% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, com uma proporção maior de resultados acima das expectativas do que abaixo.
O principal suporte ao mercado brasileiro tem vindo do setor de energia. O JPMorgan cita especificamente a PRIO ( PRIO3 ) e a Vibra ( VBBR3 ) como destaques positivos da temporada. Em contrapartida, o desempenho do segmento de materiais continua sendo pressionado pela Vale ( VALE3 ), embora a mineradora tenha entregado Ebitda ligeiramente superior ao esperado pelo banco e pelo consenso do mercado, com destaque para o desempenho da divisão de cobre.
O relatório também observa que setores industriais e financeiros brasileiros vêm registrando crescimento anual dos lucros. Ainda assim, os estrategistas alertam que investidores seguem atentos à desaceleração do crédito e à possibilidade de pressão sobre as margens financeiras dos bancos diante de uma carteira mais conservadora.
Na América Latina, o México apareceu como um dos destaques da temporada de balanços. As empresas mexicanas entregaram crescimento de 28% no lucro líquido na comparação anual, impulsionadas principalmente pelos setores de mineração, petroquímica e construção.
Para 2027, o JPMorgan afirma que as revisões de lucro continuam positivas nos mercados emergentes, embora em ritmo mais moderado do que nos meses anteriores. O banco observa melhora das estimativas especialmente na Índia, enquanto Coreia do Sul e Taiwan seguem liderando os aumentos nas projeções de resultados corporativos.
Na estratégia regional, o Brasil permanece entre os mercados favoritos da estratégia global de emergentes do banco, ao lado de China, Coreia do Sul e Taiwan. A instituição argumenta que o mercado brasileiro combina avaliações descontadas, potencial de entrada de recursos internacionais e crescimento ainda positivo dos lucros, embora reconheça que o ambiente de juros elevados e incertezas domésticas limita um potencial mais expressivo de valorização no curto prazo.
Já para o universo emergente como um todo, a mensagem central é que os lucros seguem sustentando a tese de investimento. Mesmo com a concentração do crescimento em tecnologia, o JPMorgan vê sinais de melhora em outros setores e mercados, o que pode ampliar a base de sustentação para as bolsas emergentes em 2027.
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