A agenda dá ao Planalto a oportunidade de projetar o Brasil nas discussões internacionais sobre clima e ampliar sua presença em uma região considerada estratégica para o comércio exterior. Lula também pretende avançar na relação com a Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), bloco que reúne 11 países e que tem buscado estreitar os vínculos com o governo brasileiro.
A 1ª parada será em Antália, na Turquia. Lula participará, em 11 de novembro, da abertura da cúpula de líderes da COP31, ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
A participação do brasileiro entre os 3 oradores da abertura é tratada pelo governo como um reconhecimento do papel do Brasil nas negociações climáticas. O presidente já declarou que o Brasil chega à conferência como “o mais preparado” para discutir o tema .
A configuração da COP31 também tem um componente diplomático. Turquia e Austrália dividiram a condução do evento depois de um impasse sobre a sede da conferência. Os turcos ficaram com a presidência da COP e a agenda de ação, enquanto os australianos conduzem as negociações.
Lula levará à reunião resultados da política ambiental brasileira e tentará mobilizar novos parceiros para o financiamento de iniciativas de preservação. Entre os assuntos está o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) , mecanismo criado pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais.
O governo calcula que o fundo já reúne cerca de US$ 7,8 bilhões em compromissos e pretende usar a conferência para atrair novos aportes. A meta é chegar a US$ 10 bilhões até o fim de 2026. Reino Unido e Países Baixos anunciaram novas contribuições, que devem ser formalizadas durante a COP31.
O presidente também apresentará dados sobre a redução das emissões brasileiras e os menores índices de desmatamento da série histórica. O governo levará ainda os mapas do caminho para a transição energética e o combate ao desmatamento, além do balanço de R$ 7,8 bilhões captados pelo Fundo Amazônia. O Brasil já apresentou um mapa internacional para orientar a transição para longe dos combustíveis fósseis e entregou um documento com propostas para o fim da dependência dessas fontes .
A programação terá um evento sobre florestas em 11 de novembro, com participação de lideranças de Brasil, Reino Unido, Noruega, Guiana e Congo, entre outros países. Lula também deverá discursar na sessão de pronunciamentos nacionais e participar de um encontro com representantes da sociedade civil no dia 12.
Mais de 15 pedidos de reuniões bilaterais haviam sido encaminhados ao governo brasileiro. Um encontro com Erdogan é considerado provável, mas ainda depende de confirmação. A maior parte das conversas deverá se concentrar na manhã de 12 de novembro.
APROXIMAÇÃO COM A ÁSIA
Depois da Turquia, Lula seguirá para Manila, capital das Filipinas, onde participará da 49ª Cúpula da Asean, em 15 de novembro. O presidente também fará uma visita de Estado ao país no dia 14, com reuniões reservadas e ampliadas com o presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., além de um almoço oficial e um fórum empresarial.
Será a 1ª visita de um chefe de Estado brasileiro às Filipinas. A agenda foi fechado no ano em que os 2 países completam 80 anos de relações diplomáticas.
A aproximação com o bloco asiático é um dos principais objetivos políticos da etapa final da viagem. O Brasil tenta elevar seu atual status de parceiro de diálogo setorial da Asean para parceiro de diálogo, categoria que permite ampliar os canais de coordenação política e diplomática e os projetos de cooperação.
O pedido foi formalizado pelo governo brasileiro em janeiro de 2026. A mudança depende de consenso entre os integrantes do bloco. Segundo o Itamaraty, as manifestações recebidas nas conversas com os 11 países têm sido positivas, mas a decisão ainda não foi concluída.
A Asean tem peso econômico para o Brasil. O bloco respondeu por 15% do superávit da balança comercial brasileira e registrou saldo positivo de US$ 10 bilhões para o país. Reúne uma população superior a 700 milhões de habitantes e tem PIB combinado de US$ 4,25 trilhões.
A visita às Filipinas também terá uma agenda comercial. O governo brasileiro quer negociar a renovação do certificado sanitário que permite a exportação de carnes ao mercado filipino. A autorização vence em fevereiro de 2027, e sua renovação é considerada um gesto político importante para manter o acesso dos produtos brasileiros.
O fórum empresarial Brasil-Filipinas deverá reunir representantes de 113 empresas brasileiras. Entre os setores com interesse em ampliar negócios estão café, açaí, sucos, alimentos processados, massas, biscoitos e produtos agropecuários. A Embraer também tem interesse no mercado filipino.
Os 2 países compartilham ainda iniciativas de cooperação em transição energética e enfrentamento da mudança climática. Ambos participam do TFFF, o que abre espaço para o governo brasileiro buscar novos recursos para o mecanismo durante a visita.
A programação nas Filipinas inclui ainda a participação de Lula na abertura da cúpula da Asean, no dia 15, ao lado do presidente filipino e do secretário-geral da associação. O presidente também deverá conceder uma entrevista coletiva.
A viagem termina depois da participação na reunião do bloco, com retorno ao Brasil previsto após a agenda de 15 de novembro.
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