Um dos principais motores dessa migração é a busca pelo ensino superior, sobretudo em cursos de alto custo no mercado brasileiro. Uma reportagem do jornal ABC Color , de outubro de 2025, revelou que, dos 45.872 estudantes de Medicina no Paraguai, 35.273 são brasileiros (76,9% do corpo discente nacional na área). Essa presença se adensa na região de fronteira: mais de 33,5% desse grupo (15.389 alunos) estão concentrados no departamento de Alto Paraná.

O grande atrativo reside no custo-benefício. No Paraguai, o valor médio da mensalidade de medicina gira em torno de 3 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 2.645,00). O valor é muito mais barato do que a média de 9.500,00 a R$ 11.500,00 por mês no Brasil.

Essa injeção constante de alunos estrangeiros movimenta cerca de US$ 20 milhões mensais à economia local com mensalidades, moradia, alimentação, transporte e serviços. Após a formatura, a grande maioria regressa ao Brasil para prestar o Revalida, etapa indispensável para obter o registro profissional e exercer a medicina no país natal.

No campo corporativo, a atração é exercida pela Lei de Maquila , regime que concede expressivos incentivos fiscais a indústrias voltadas à exportação. As companhias brasileiras já representam 70% de todas as empresas estrangeiras operando sob esse modelo no Paraguai, sendo responsáveis pela geração de 25 mil empregos locais .

Impulsionadas por esse ambiente competitivo, companhias brasileiras como JBS, Karsten, Lupo, Kidy, Efisa e Fiasul investiram mais de US$ 182 milhões em operações no Paraguai entre 2025 e 2026. A indústria têxtil lidera esse fluxo, reunindo 89 das 232 maquiladoras brasileiras no país —um movimento de grandes marcas e varejistas focado em escapar da elevada carga tributária e da perda de competitividade da indústria nacional.

AFETADOS PELO UENO BANK

Apesar de não haver dados oficiais públicos sobre a quantidade de correntistas brasileiros afetados pela crise do Ueno Bank, considerando que cerca de 40% a 60% da população paraguaia mantinha uma conta no banco, estima-se que entre 108 mil e 162 mil brasileiros foram afetados.

Esse intervalo é obtido aplicando diretamente os percentuais de impacto sobre o total da comunidade brasileira, partindo da premissa de distribuição uniforme de bancarização; ou seja, pressupõe-se que a adesão e o acesso aos serviços do banco entre os brasileiros sigam a mesma proporção observada no restante da população paraguaia (que corresponderia a um total de aproximadamente 2,8 milhões a 4,21 milhões de pessoas atingidas no país).