O nome do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), repercutiu nas redes sociais nesta semana depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) suspendeu, a pedido dele, o patrocínio de R$ 32 milhões de estatais a clubes de futebol mineiros. Autodenominado político de direita, Cleitinho foi chamado de "camarada" e "socialista", em um episódio que chamou atenção para o contraste entre posições adotadas por ele ao longo de sua carreira política.
Cleitinho defende pautas conservadoras nos costumes e na segurança pública, propõe menor intervenção do Estado na economia e apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Ao mesmo tempo, já levantou bandeiras mais associadas à esquerda, como o fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado em outubro (veja abaixo as principais pautas apoiadas por Cleitinho, que transitam pelos dois campos da política).
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Em relação aos questionamentos sobre sua posição ideológica, Cleitinho já afirmou publicamente que é de direita, mas disse que tem "consciência de classe" e que nunca vai "votar contra o trabalhador".
"Não venha com essa ladainha, com essa conversa fiada de falar que eu não sou de direita, não, pelo contrário. Agora, acima de qualquer ideologia, primeiro o povo, e depois, o povo", disse, no Plenário do Senado, em 14 de abril deste ano.
Esta reportagem aborda os posicionamentos de Cleitinho sobre os seguintes temas:
Participação do estado na economia
Fim da escala 6x1
Anistia a condenados por atos golpistas de 8 de janeiro
Procurada pelo g1, a assessoria do governador eleito reforçou, em nota, que ele "sempre deixou claro que é de direita, mas que foi eleito para governar para todos os mineiros". Disse, ainda, que "mais importante do que qualquer discussão ideológica é apoiar aquilo que melhora a vida das pessoas".
Em meio a um cenário de polarização, Cleitinho tem adotado um discurso de pacificação. No dia da votação de segundo turno das eleições, ele pediu que eleitores de Lula (PT) e Flávio se abraçassem e falou que "nós somos um só povo".
O político também afirmou, durante a campanha, que iria dialogar com quem quer que fosse eleito presidente.
Montagem de fotos de Cleitinho Azevedo (Republicanos) e de meme publicado nas redes
Como o governador já se posicionou a respeito de diferentes temas
Participação do estado na economia
Ao longo da campanha para o governo, Cleitinho defendeu um "estado menor" e com menos burocracia, pautas associadas ao liberalismo econômico.
"O que a gente quer fazer aqui é um estado menor para que o povo tenha poder nisso e o empresário também. A fonte de riqueza, que eu canso de falar, não é o estado, o estado é só fonte de despesa. O estado tem que parar de ser inimigo. [...] Temos que trabalhar para desburocratizar, é isso que eu vou fazer, para que o trabalhador, o empreendedor, o empresário tenha liberdade de trabalho", disse, em entrevista à TV Globo em 28 de agosto.
Cleitinho (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial
Cleitinho já afirmou ser contra o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar e defendeu a pena de morte.
"Direitos humanos é para humanos direitos, e não para vagabundo. Então, não quero saber se a minha Polícia Militar... se precisar de matar vagabundo, vai matar", declarou, em vídeo publicado nas redes sociais em agosto.
O governador eleito também é favorável à redução da maioridade penal.
"Marginais de 16, 14, 15 anos, que não passam de um marginal, de um criminoso, têm que ir para a cadeia", falou, em vídeo postado em junho.
Fim da escala 6x1
Cleitinho apoiou o fim da escala 6x1 no Congresso Nacional e nas redes sociais durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), apresentada por parlamentares da esquerda. O Senado aprovou a proposta em outubro, o que foi considerado uma vitória do presidente Lula em meio à campanha do segundo turno.
"Essa pauta da questão da escala não é uma pauta ideológica, gente. Vai lá na rua, vai no shopping, vai no supermercado e pergunta ao trabalhador se ele é de esquerda ou de direita. Ele está se lixando para isso. Ele quer ter um pouco de dignidade. [...] Ele tem que trabalhar nessa maldita escala 6x1, o poder de compra dele acabou, o custo de vida dele está lá em cima e ele tem que trabalhar igual a um condenado", disse, em discurso no Senado em maio de 2026.
Cleitinho já se posicionou contra o aborto. Em setembro de 2023, em pronunciamento no Plenário do Senado, ele criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por colocar em julgamento a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.
"Eu vou ser bem simples aqui e objetivo: 'Cleitinho, por que você é contra o aborto?' Eu sou a favor da vida. E o engraçado é que a ideia que vem do aborto é de quem está vivo. Eu vou repetir novamente: a ideia do aborto é de quem está vivo", afirmou.
Ao votar favoravelmente à medida provisória de Lula que instituiu o programa "Gás do Povo", que concede a famílias de baixa renda botijão de gás gratuito ou desconto na compra, Cleitinho defendeu a aplicação de políticas de assistência social.
"Eu não sou aliado do presidente Lula, não serei aliado dele. Sou oposição, mas não sou oposição ao Brasil. Tudo que for a favor do povo, em benefício do povo, eu vou votar", falou em fevereiro deste ano.
O governador eleito também criticou privilégios concedidos a políticos, tema que costuma abordar em vídeos publicados nas redes sociais.
"Enquanto a gente tiver aqui auxílio disso, auxílio daquilo... Até o Judiciário tem um monte de auxílio, andam com segurança, agora podem ter até segurança vitalícia. Aqui a gente tem plano de saúde vitalício. Que moral eu tenho para falar alguma coisa aqui quando vem um benefício para o povo?", questionou.
Anistia a condenados por atos golpistas de 8 de janeiro
O governador eleito defende a concessão de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"E que ela [a anistia] seja ampla, geral e irrestrita. Não vem com esse negócio de dosimetria, não, porque dosimetria não tem nada a ver. Quem está ali, que está precisando da anistia, é gente que não fez nada. E é nítido, tem várias pessoas que não fizeram nada", afirmou, em discurso no Senado em novembro de 2025.
Depois de pedir uma foto com a influenciadora Virginia Fonseca durante uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas Esportivas em maio de 2025, Cleitinho disse que a atitude foi um erro e defendeu o fim das bets no Brasil.
"A gente precisa dar um fim nessa questão das bets. [...] Inclusive, eu queria que o próprio presidente Lula, que já fez alguns discursos, já falou sobre isso... Mande projeto, Lula. Eu faço questão de apoiar. Em todos os projetos que forem para acabar com essa porcaria aqui, você terá meu apoio e eu vou defender em Plenário aqui", afirmou, no Senado, em julho de 2026.
Em setembro, o presidente Lula assinou uma medida provisória que proíbe as bets no país. Depois disso, o atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou que Codemig e Cemig destinariam R$ 32 milhões a clubes de futebol mineiros como forma de compensar as perdas decorrentes do fim dos contratos com empresas de apostas.
Nesta semana, no entanto, o TCE-MG suspendeu os contratos de patrocínio, a pedido de Cleitinho. O governador eleito afirmou que tem "outras prioridades".
"A gente está vendo o próprio governo dizendo que a partir de janeiro pode não ter dinheiro para pagar os servidores. A gente está passando pela transição aqui e vendo também que está faltando merenda nas escolas. [...] Eu não posso aceitar como governador pegar mais de R$ 30 milhões da Cemig e da Codemig e colocar agora em time de futebol", falou.
Cleitinho (Republicanos-MG) em discurso no Senado
Carlos Moura/Agência Senado
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