O irmão de Marilene de Fátima, de 53 anos, mulher encontrada morta em avançado estado de decomposição dentro do próprio apartamento, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, lamentou a morte da irmã e disse que a família não conseguiu perceber a situação a tempo. O corpo foi encontrado na quinta-feira (5), depois que o imóvel foi comprado em um leilão.

A suspeita é que ela estivesse morta há aproximadamente um ano.

"É triste que isso tenha acontecido. Agora, vamos descobrir o que aconteceu. Infelizmente, não conseguimos perceber a tempo. Agora é seguir em frente", lamentou o irmão da vítima que não quis ser identificado.

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Kalina Poliana, que comprou o imóvel, disse que recebeu autorização do filho da antiga proprietária para entrar no apartamento (veja prédio abaixo). Com a ajuda de um chaveiro, ela conseguiu abrir a porta e encontrou o corpo sobre uma cama, envolto em uma coberta.

Prédio onde mulher foi encontrada

Família sem notícias da antiga proprietária

Segundo o irmão, a família perdeu o contato com Marilene em outubro de 2025. Na época, ela ligou dizendo que o apartamento havia sido penhorado e pediu R$ 1,8 mil emprestados. Ele respondeu que não tinha o dinheiro.

O filho e a irmã de Marilene chegaram a ir até o apartamento para tentar ajudá-la a resolver a situação, mas ela recusou a ajuda.

No dia seguinte, Marilene voltou a entrar em contato com a família e pediu outros R$ 400 emprestados. Os parentes, então, tentaram entender o motivo do novo pedido.

Segundo o irmão, os familiares procuraram a Caixa para obter informações sobre os procedimentos de penhora de imóveis. Na ocasião, descobriram que a cobrança recebida por Marilene poderia ser um trote. Para ele, a irmã pode ter acreditado na abordagem por estar emocionalmente abalada com a possibilidade de perder o apartamento.

“No dia seguinte, ela voltou a pedir dinheiro, dessa vez R$ 400. Depois descobrimos que a Marilene havia sido vítima de um trote. Ela teria acreditado na abordagem porque o apartamento já estava em processo de leilão”, relembrou o irmão.

Depois disso, Marilene voltou a entrar em contato com os familiares e disse que se mudaria para Varjão de Minas. Em seguida, bloqueou todos eles.

O filho também chegou a oferecer ajuda para pagar as dívidas da mãe, mas ela recusou.“Ele está desesperado com a morte da mãe”, disse o irmão de Marilene.

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Corpo encontrado por nova proprietária

O apartamento estava completamente fechado e os vizinhos não sentiram o cheiro do corpo. A compradora do imóvel no leilão contou que também não sentiu nenhum odor incomum ao entrar no imóvel.

Já no quarto, que estava fechado, ela viu um volume em cima da cama debaixo de cobertas e com travesseiros ao lado e estranhou a situação.

"Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama", disse Kalina Poliana.

A mulher contou que ficou com medo e chamou o chaveiro para olhar dentro do quarto. "Ele voltou e me disse 'tem uma mulher morta lá dentro', eu não acreditei", afirmou.

Após verificar que realmente tinha um corpo na cama, a mulher ficou abalada e não conseguiu chamar a polícia. O chaveiro acionou as autoridades.

A reportagem também apurou que o apartamento foi deixado limpo e em bom estado pela antiga dona.

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Polícia apura circunstâncias da morte

Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A perícia técnica esteve no apartamento e não constatou lesões no corpo, que foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

Amostras de material biológico foram coletadas e enviadas para exames laboratoriais em Belo Horizonte. Os testes devem ajudar a confirmar ou descartar a hipótese de morte por intoxicação por medicamentos ou substâncias venenosas.

A investigação inicial indica que o corpo permaneceu no apartamento por aproximadamente um ano. A polícia também informou que não havia registros de boletins de ocorrência ou informações anteriores sobre o desaparecimento de Marilene.

O sepultamento ocorreu às 10h de sexta-feira (6), no cemitério de Major Porto, em Patos de Minas.

Apartamento ficou fechado por mais de um ano

Ao g1, Vanilda Sousa, responsável pela assessoria de arrematantes do leilão em questão, explicou que a venda de um imóvel em leilão acontece sem nenhuma vistoria prévia.

Segundo Vanilda, o apartamento foi leiloado após a proprietária parar de pagar o financiamento do bem.

"No caso a devedora poderia pagar a dívida em 15 dias, conforme a lei. Então, a Caixa notificou ela e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo desse imóvel vir a leilão", informou. O imóvel foi adquirido por Kalina Poliana em 09 de outubro.

A advogada responsável pelo caso, Lahra Lopes, informou ao g1 que a equipe jurídica irá entrar com uma ação para tentar anular o leilão, visto que a nova proprietária manifestou o desejo de cancelar a aquisição do imóvel.

A equipe aguarda o resultado da perícia do Instituto Médico Legal (IML), que poderá indicar a data aproximada do falecimento da antiga proprietária.

"Precisamos verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria”, explicou a advogada.

O g1 entrou em contato com a Caixa para solicitar um posicionamento sobre o ocorrido e para saber qual é o procedimento realizado pelo banco em casos de imóveis que vão a leilão. A reportagem aguarda retorno.

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