Segundo a companhia, o adiamento decorre da “necessidade de prazo adicional para a conclusão dos trabalhos de elaboração, consolidação e revisão das informações contábeis e financeiras periódicas” por parte da empresa e de seus assessores.
A varejista explicou que a mudança ocorre “no contexto dos processos operacionais decorrentes da recuperação judicial em curso”.
“A extensão do cronograma visa assegurar a consistência, precisão e conformidade técnica das demonstrações financeiras a serem divulgadas, bem como o pleno atendimento às exigências regulatórias aplicáveis”, afirmou a companhia.
O Grupo Casas Bahia informou ainda que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre eventuais desdobramentos relevantes.
Casas Bahia já havia adiado balanço do 2º trimestre
O novo adiamento ocorre menos de três meses após a Casas Bahia também ter postergado duas vezes a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026 . Inicialmente programado para 12 de agosto, o balanço foi remarcado para o dia 14 e acabou sendo divulgado na madrugada de domingo, 16 de agosto.
Na ocasião, a varejista registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 10,1 bilhões , ante perdas de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025. O resultado foi impactado por R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes , sem impacto no caixa do trimestre.
Em bases ajustadas, o prejuízo somou R$ 978 milhões. A receita líquida avançou 1,6% na comparação anual, para R$ 6,97 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.
Recuperação judicial envolve R$ 17,3 bilhões em dívidas
No mesmo dia da divulgação do balanço do 2º trimestre, a Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial , envolvendo R$ 17,3 bilhões em passivos , dos quais aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a créditos quirografários, ou seja, sem garantia real.
O pedido ocorreu em meio ao agravamento das dificuldades financeiras da varejista e ao redimensionamento de suas operações, que incluiu o fechamento de 298 lojas.
Em 21 de outubro , a Justiça de São Paulo autorizou o processamento da recuperação judicial da companhia e de outras nove empresas do grupo. A decisão manteve a suspensão das execuções contra as empresas e determinou a apresentação de documentos pendentes em até 30 dias. O plano de recuperação ainda depende da aprovação dos credores.
Busca por recursos para manter as operações
Paralelamente, a Casas Bahia vem buscando novas fontes de financiamento para sustentar suas atividades durante a reestruturação.
Em outubro, a empresa obteve uma linha de crédito de até R$ 250 milhões com o Banco do Brasil , por meio de uma operação de antecipação de recebíveis.
Mais recentemente, reportagem publicada em 24 de outubro apontou que a varejista negociava um empréstimo de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões , na modalidade DIP financing , destinada a financiar empresas em recuperação judicial. Segundo a publicação, o objetivo era alcançar R$ 1 bilhão em financiamentos para apoiar a continuidade das operações.
Mudanças na condução da reestruturação
A companhia também promoveu mudanças na equipe responsável pelas negociações com os credores.
Em 23 de outubro, a Casas Bahia anunciou a contratação de Camille Faria , sócia da Althia Partners, para liderar as negociações e a condução do plano de recuperação judicial, em conjunto com os executivos da varejista.
A executiva, que liderou a recuperação judicial da Americanas e participou da reestruturação da Oi, substituiu Mateus Tessler na função. A companhia informou que a consultoria Alvarez & Marsal permanece no processo, apoiando a estruturação e a modelagem do plano.
Poucos dias depois, em 28 de outubro, a Casas Bahia comunicou a renúncia de Raphael Oscar Klein ao conselho de administração . A empresa informou que avaliará oportunamente a recomposição do colegiado.
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