Atualmente, cada geração mantém seu próprio séquito de fãs Divulgação/Quatro Rodas

Seu nome era Volkswagen Golf GTI. Com 110 cv de potência, grade dianteira com salpicos de vermelho, bancos com tecido xadrez, manopla do câmbio em forma de bola de golfe… prometia diversão garantida ao volante . Foi a partir dele que a sigla GTI passou a ser sinônimo de carros esportivos , ágeis e de alto desempenho… e com injeção de combustível.

Multimídia rouba a cena para contrariedade dos puristas Divulgação/Quatro Rodas

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O Golf GTI era o esportivo para todos: leve, ágil e acessível. A estreia mundial aconteceu no Salão de Frankfurt de 1975 e os números de performances causaram impacto: velocidade máxima de 182 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em nove segundos, algo totalmente inusitado para um Volkswagen, na época.

Tecido xadrez e alavanca de câmbio em forma de bola eram marcas características Divulgação/Quatro Rodas

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O motor 1.6 com injeção eletrônica Bosch K-Jetronic era o mesmo do Audi 80 GTE, desenvolvido sob a liderança do então diretor técnico, Ferdinand Piëch, o consagrado engenheiro austríaco, neto de Ferdinand Porsche. E o Golf GTI chegou às lojas custando 13.850 marcos alemães (equivalente a 7.079 euros, ou R$ 42.542 hoje, sem inflação).

1976–1983 O Golf estreou como um esportivo acessível e econômico Divulgação/Quatro Rodas

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CHEGA O MOTOR 16V A primeira geração teve uma vida longa, produzida durante sete anos, até 1983. Em 1984, chega a segunda, um modelo mais maduro, mas também 100 quilos mais pesado. A diversão continuou, apesar de o motor de duas válvulas por cilindro inalterado ter sofrido um pouco com o aumento do peso. Esse motor foi produzido até 1991, mesma data em que estreia a terceira geração do carro. Mas, bem antes disso, o modelo passou a ter outra motorização, que foi a primeira 16V, com quatro válvulas por cilindro, em 1986. Com 139 cv sob o capô e uma suspensão rebaixada em 10 mm, as sensações proporcionadas pelo GTI podiam ser resgatadas.

1984–1991 Maior e mais pesado, foi o primeiro a ter um motor multiválvulas Divulgação/Quatro Rodas

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HERESIA MOVIDA A DIESEL Na década de 1990, tudo se tornou mais redondo, mais suave, mais global – incluindo o GTI. O Golf III GTI surgiu em novembro de 1991 e, visualmente, focava-se menos em agressividade e mais no conforto. Para muitos puristas, esta mudança de design representou uma ruptura estilística, mas o que causou um sentimento de traição à fiel comunidade de adoradores foi a timidez de rendimento do motor. A potência de 115 cv, do 2.0 de oito válvulas, constituía um retrocesso e não era digna de um GTI, diziam com razão os fãs. Até porque havia o VR6, equipado com motor V6 de mesmo nome e com 174 cv, que passava a ser o novo macho alfa da família Golf. A VW emendou a mão rapidamente e, em janeiro de 1993, lançou o GTI com motor de 16 válvulas e 150 cv, o que permitiu um final de vida (em 1997) mais honroso.

1991–1998 Estreou um design de formas arredondas e uma versão movida a diesel Divulgação/Quatro Rodas

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Antes de se despedir, essa geração protagonizou outra polêmica, porém. Foi em 1996, um ano antes portanto. A VW introduziu um motor a diesel na linha Golf e o esportivo ganhou uma segunda sigla atada a seu nome: GTI TDI, equipado com o motor 1.9 TDI, de 110 cv. Para os fiéis, isso foi uma heresia – embora o diesel estivesse em alta, na Europa, naquela época.

EDIÇÃO ESPECIAL DE 25 ANOS Hoje, o Golf e a sigla GTI são ícones. Mas houve tempos em que a VW não se importava com isso e o que havia sido insinuado com o Golf GTI III concretizou-se no IV (1998-2003). O modelo descambou numa mera versão de acabamento/equipamento – coisa que acontecia nos Estados Unidos, com nomes como Mustang, Camaro, mas que os europeus não estavam acostumados a ver.

1998–2003 Na quarta geração, a GTI era uma versão comum, sem atitude esportiva Divulgação/Quatro Rodas

Felizmente, a edição especial “25 Anos de GTI”, da qual foram produzidas apenas 3.000 unidades, mostrou o que devia ser um verdadeiro GTI. Começando pelo motor quatro cilindros turbo e 180 cv, associado a uma caixa manual. Detalhes como rodas BBS de 18 polegadas com raios cruzados, pinças de freio vermelhas, faróis escurecidos e um pacote aerodinâmico ajudavam a marcar diferenças, tal como a suspensão rebaixada em mais 10 mm em comparação com o GTI “normal”. Por dentro, a esportividade era assegurada pelos bancos esportivos com a assinatura da Recaro, aplicações e detalhes em vermelho, o teto preto e a manopla do câmbio (em forma de bola de golfe) com acabamento em alumínio escovado e o logotipo GTI.

2004–2008 Trouxe câmbio DSG e autoblocante eletrônico Divulgação/Quatro Rodas

DIFERENCIAL AUTOBLOCANTE Com a quinta geração (2004-2008) aconteceu um regresso às origens. O motor 2.0 turbo a gasolina com injeção direta (TFSI) alcança, pela primeira vez, 200 cv e foi acoplado a uma transmissão manual de seis velocidades. Aleluia! E, em estreia na linha Golf GTI, passa a existir uma caixa manual de dupla embreagem de seis velocidades, como opção. Além disso, o Golf GTI V podia estar dotado de um kit de rebaixamento da suspensão em 15 mm, que a tornava mais precisa e esportiva, além de um diferencial autoblocante eletrônico – estamos falando sempre do mercado europeu, porque algumas especificações do Golf nunca chegaram a outros mercados. A edição especial do GTI V, Edition 30, acrescentou 30 cv à potência (totalizando 230 cv).

2009–2012 Amortecedores adaptativos melhoraram o comportamento Divulgação/Quatro Rodas

SUSPENSÃO REBAIXADA O lema da sexta geração (2009-2012) era “refinamento em vez de fogo de artifício”. Os produtos de qualidade não envelhecem, antes amadurecem e esse foi o caso do Golf GTI. Não se tratou de um novo começo radical, mas sim de uma revisão cuidada do antecessor consagrado, mantendo-se a utilização da comprovada plataforma PQ35.

Debaixo do capô, surge um novo motor 2.0 TSI que produzia 210 cv de potência. A suspensão esportiva estava rebaixada em 22 milímetros à frente e 15 milímetros atrás, o sistema XDS passou a ser de série (essencialmente um controle de estabilidade melhorado), atuando como bloqueio eletrônico do diferencial e utilizando os freios para evitar a patinagem da roda interior na curva. Pela primeira vez num GTI, eram montados amortecedores eletrônicos adaptativos (DCC). Uma inovação que não agradou a todos foi o sistema de escape com “gerador de som”, que também direcionava o som amplificado para dentro do habitáculo.

2013–2019 Foi o primeiro desenvolvido sobre a plataforma modular MQB Divulgação/Quatro Rodas

POTÊNCIA CHEGA A 310 CV Na sétima geração do Golf GTI (2013-2019) também houve avanços tecnológicos significativos. Pela primeira vez, o carro assentava sobre a Plataforma Modular Transversal (MQB), conseguindo, por isso, “emagrecer” 42 quilos. O chassi foi melhorado com um eixo traseiro multibraços e um diferencial autoblocante XDS+. Com o toque de um botão, a suspensão adaptativa DCC passava de descontraída a firme, podendo desempenhar a missão de ser um veículo de passeio ou um devorador de curvas.

O motor 2.0 TSI (EA888) foi evoluindo. Os 220 cv crescem para 230 cv na versão Performance. Esta geração é rejuvenescida no meio do seu ciclo de vida, recebendo uma nova caixa automática de dupla embreagem de sete velocidades (DQ381). E aqui começam as edições especiais: o Clubsport com até 290 cv (via função boost) e o Clubsport S, um dois-lugares com produção limitada a 400 unidades, com potência máxima de 310 cv (determinante para o seu registro de volta mais rápida no circuito de Nürburgring em 7:49.21 minutos).

E, em 2019, havia lenha para queimar: o GTI TCR que esticava o rendimento máximo até os 290 cv e 38,8 kgfm de torque e a velocidade máxima até os 260 km/h.

Novo patamar dinâmico

O mote da oitava geração (lançada em 2020) é “o software junta-se à estabilidade”. Quer se adore o Golf VIII GTI, quer se revire os olhos ao contemplar o seu volante com comandos hápticos, uma coisa ninguém pode negar: a VW elevou a dinâmica de condução a um novo patamar nesta geração graças ao novo e mais potente “cérebro”.

2020– Versão comemorativa de 50 anos traz motor de 325 cv de potência Divulgação/Quatro Rodas

O gestor de dinâmica de condução atua como um controlador central, coordenando o XDS e os componentes de dinâmica lateral do controle adaptativo de amortecimento DCC, tornando o carro mais neutro e estável sem sacrificar a sua agilidade.

No lançamento, o motor 2.0 TSI, o EA888 evo4, debitava 245 cv e 37,7 kgfm. E, a partir de maio de 2024, 265 cv. O GTI Clubsport eleva o patamar aos 300 cv e, o mais recente elemento do clã, o GTI Edition 50, atinge 325 cv e 42,2 kgfm.