O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 ocorre neste domingo (8). Com a proximidade da prova, a ansiedade pode se intensificar entre os estudantes que se preparam para o certame. Pensamentos acelerados, dificuldade para dormir e falta de apetite estão entre algumas manifestações sentidas por alguns candidatos nesse período.

Para ajudar a enfrentar este momento, a psicóloga Victória Sales, em entrevista ao g1 e à Rede Amazônica, orienta aos estudantes controlar a autocobrança, respeitar os limites do corpo e utilizar técnicas para recuperar a concentração.

A profissional explica que a ansiedade tende a aumentar porque o exame é visto por muitos candidatos como uma etapa decisiva para o futuro. Segundo ela, a expectativa pela aprovação pode fazer com que a prova adquira uma importância ainda maior, o que intensifica a preocupação com o desempenho.

Neste sentido, familiares podem apoiar os estudantes, evitando pressões por resultados imediatos. A profissional reforça que prova não determina sozinha o futuro do estudante.

“É super normal isso acontecer. Com a proximidade da prova do Enem, a gente aumenta a ansiedade, os pensamentos ficam mais acelerados. E isso acontece porque essa prova é vista como um evento muito importante, que pode ser até ameaçador pelo estudante”, detalhou.

Psicóloga fala sobre tensão de estudantes na véspera do Enem

Segundo Victória, mesmo após meses de estudos, alguns candidatos chegam à última semana com a sensação de que poderiam ter se dedicado mais. Para a psicóloga, o momento não deve ser usado para tentar compensar todo o conteúdo que não foi estudado.

A psicóloga diz que os estudantes devem reconhecer o trajeto percorrido durante a preparação. A profissional recomenda ainda que os candidatos identifiquem esses pensamentos sem deixar que determinem como vão enfrentar o exame.

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De acordo com Victória, também é importante ajustar as expectativas e compreender que não é necessário acertar todas as questões do exame para fazer uma boa prova.

A profissional orienta ainda aos candidatos evitar aumentar a pressão nos últimos dias e procurar manter uma rotina que favoreça o descanso e o bem-estar.

“Então, se você estudou, você está preparado para essa prova e não precisa ser perfeito na prova. Trabalhar essa expectativa é muito importante, porque os estudantes acabam achando que precisam acertar todas as questões. E, na verdade, eles só precisam fazer uma boa prova com o conhecimento que já têm”, afirmou.

Técnicas para recuperar a concentração

Segundo a profissional, entre os sintomas associados à ansiedade está a dificuldade para dormir, dor de cabeça, taquicardia e alterações no apetite. Ela destaca que o sono é parte importante da preparação, pois contribui para funções como atenção, memória, velocidade de processamento e tomada de decisões.

“Os estudantes acabam caindo nas armadilhas de querer analisar tudo, e isso acaba fazendo com que o cérebro fique mais cansado. No dia seguinte, você não funciona muito bem”, disse.

Para os momentos em que a ansiedade aumenta durante a prova, a profissional recomenda uma técnica de respiração controlada: inspirar lentamente por três segundos e soltar o ar de forma ainda mais lenta, durante seis segundos.

“Quando eu estou muito ansiosa, a respiração fica mais curtinha. E esse processamento fica muito bagunçado. O que eu posso fazer? Eu posso parar um pouquinho, respirar lentamente por três segundos e soltar essa respiração mais lentamente ainda por seis segundos”, orientou.

Técnicas de respiração e ancoragem podem aliviar a ansiedade para a prova

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Outra estratégia passada pela psicóloga é a técnica de ancoragem conhecida como “cinco, quatro, três, dois, um”, que ajuda a direcionar a atenção para o momento presente. O exercício consiste em:

identificar cinco coisas que a pessoa consegue ver;

quatro que consegue ouvir;

três sensações físicas;

dois cheiros; e

De acordo com a profissional, a proposta é interromper, por alguns instantes, o ciclo de pensamentos sobre o futuro e concentrar a atenção no ambiente ao redor. Segundo ela, depois do exercício, o estudante pode retomar a atenção às questões.

A psicóloga ressalta, porém, que sentir ansiedade diante de uma prova importante é natural e que o objetivo não deve ser exigir de si mesmo uma tranquilidade absoluta.

“Quando a ansiedade está muito forte, os pensamentos ficam muito intensos e capturam a nossa atenção do momento presente para o momento futuro. A cabeça fica: ‘E se eu não passar? E se eu não for bem nessa prova? O que eu vou fazer?’. Com essa técnica, eu ajudo a trazer os sentidos de volta para o momento presente, aliviando a ansiedade”, descreveu.

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