O caqui de Itatiba poderá ganhar um reconhecimento que associa sua produção à história e à identidade do município. O Sebrae-SP, a Casa da Agricultura (CATI) e a Secretaria Municipal de Agricultura iniciaram os trabalhos para uma futura solicitação de Indicação Geográfica (IG) da fruta.

Na segunda semana de outubro, representantes das instituições se reuniram com o Sindicato Rural e a Secretaria de Cultura e Turismo para realizar um diagnóstico da produção local. O levantamento integra a etapa de preparação para o pedido de reconhecimento.

A iniciativa busca fortalecer a reputação do caqui itatibense, ampliar suas oportunidades de mercado e valorizar os produtores rurais. O processo está em fase inicial, e o reconhecimento ainda não foi concedido.

Tradição centenária e produção de seis mil toneladas

Segundo registros da Prefeitura, os primeiros pés de caqui foram plantados em Itatiba em 1925. Atualmente, o município conta com 73 produtores registrados e aproximadamente 160 hectares destinados ao cultivo.

Dados da Secretaria Municipal de Agricultura apontam que a safra 2025/2026 alcançou seis mil toneladas, com faturamento de R$ 12 milhões e crescimento de 20% em relação ao período anterior.

Considerado o carro-chefe da fruticultura municipal, o caqui também faz parte da identidade cultural e turística de Itatiba, com uma festa dedicada à valorização da fruta e de quem trabalha no campo.

Reconhecimento pode ampliar oportunidades

A Indicação Geográfica reconhece a relação de um produto ou serviço com seu território de origem. Para o caqui de Itatiba, a expectativa das instituições envolvidas é transformar a tradição produtiva em um diferencial de mercado, fortalecendo a identificação da fruta pelos consumidores.

O analista de negócios do Sebrae-SP, Alonso da Silva, destaca que a preparação envolve organização dos produtores, fortalecimento da governança e qualificação técnica.

“Na prática, essa conquista representa uma oportunidade de transformar a identidade e a história de um território em desenvolvimento econômico”, afirma.

Segundo ele, o reconhecimento pode contribuir para a valorização do produto, estimular o turismo e gerar oportunidades para a região. Esses resultados dependem também do trabalho de posicionamento e desenvolvimento da cadeia produtiva.

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“Itatiba já ocupa uma posição de destaque na produção de caqui e possui uma tradição construída ao longo de gerações. A Indicação Geográfica representa uma oportunidade de transformar esse patrimônio produtivo em um diferencial competitivo ainda mais forte”, avalia Alonso.

Festa do Caqui fortalece ligação com o turismo

Criada em 2003, a Festa do Caqui é uma das principais vitrines da produção local. O evento reúne comercialização da fruta, passeios a propriedades rurais, atividades gastronômicas, artesanato e atrações voltadas à história do cultivo no município.

Em 2026, a 21ª edição recebeu mais de 50 mil visitantes e comercializou 12 toneladas de caqui, segundo os dados apresentados no levantamento.

A ligação entre agricultura e turismo é uma das frentes que podem ser beneficiadas pelo reconhecimento da origem do produto, ampliando a visibilidade das propriedades e das tradições locais.

Valorização do trabalho no campo

Para o secretário municipal de Agricultura, Erik Carbonari, a busca pela IG representa uma oportunidade de fortalecer a comercialização e dar maior visibilidade ao trabalho dos produtores.

“Os produtores poderão agregar valor ao produto e conquistar uma remuneração diferenciada por uma fruta reconhecida por sua origem, qualidade e tradição”, afirma.

O secretário também destaca a participação do Sebrae-SP, da Associação dos Produtores Rurais de Itatiba e do Sindicato Rural na construção da iniciativa. A proposta é que a valorização alcance tanto a produção quanto a história do caqui no município.

Da redação – Fotos: Divulgação

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