Ao todo, foram selecionadas 32 propostas, com orçamento total de R$ 200 milhões. As pesquisas buscam soluções para aprimorar políticas públicas existentes ou desenvolver novas iniciativas.
O que são os CCDs?
Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento são voltados à pesquisa em parceria com órgãos públicos, cuja participação é obrigatória, e, preferencialmente, com empresas ou organizações não governamentais.
A proposta é encontrar soluções para desafios existentes por meio da pesquisa, incentivando o desenvolvimento científico e tecnológico e contribuindo para a criação ou o aprimoramento de políticas públicas.
Os projetos selecionados podem receber até R$ 2 milhões por ano da Fapesp, por um período máximo de cinco anos. Para isso, é obrigatória a participação de pelo menos um órgão governamental — municipal, estadual ou federal — como parceiro cofinanciador.
As instituições participantes também devem oferecer contrapartida financeira, com recursos próprios para complementar o financiamento.
Os cinco Centros de Ciência para o Desenvolvimento que serão sediados pela Unicamp são:
CPT-MOBi, no Instituto de Geociências (IG), voltado à descarbonização do transporte rodoviário;
Centro de IA Generativa aplicada à avaliação no ensino superior, no Instituto de Computação (IC);
LAPPI-GOVe, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec), dedicado à governança energética municipal;
CPPLEI, no Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), voltado ao planejamento energético integrado;
CEPoPI, na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira, dedicado a evidências e governança para políticas públicas de inovação.
CPT-MOBi vai funcionar no Instituto de Geociências
A proposta dos centros são encontrar soluções para desafios existentes por meio da pesquisa. (Foto: Divulgação)
O Centro Paulista de Inteligência Estratégica para a Descarbonização do Transporte Rodoviário (CPT-MOBi) será coordenado pela professora Flávia Consoni, do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), e terá como parceira pública a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
A pesquisa, intitulada “Integração Inteligente e Sistêmica de Dados para o Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas de Descarbonização no Setor de Transporte Rodoviário”, pretende estudar os desafios da transição para uma economia de baixo carbono no setor de transporte rodoviário.
O foco está nesse segmento porque ele concentra mais de 30% das emissões de gases de efeito estufa no estado de São Paulo.
A análise será realizada por meio de um observatório que reunirá dados, estudos, monitoramentos e avaliações de políticas públicas existentes. A estrutura deverá integrar informações e produzir análises para apoiar decisões e avaliar as medidas de descarbonização.
Centro de IA generativa será voltado à educação
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Inteligência Artificial Generativa Aplicada ao Processo de Avaliação no Ensino Superior será sediado no Instituto de Computação (IC). A proposta é desenvolver soluções tecnológicas que contribuam para o ensino e a aprendizagem na educação superior pública a distância.
O responsável pelo projeto é o professor Julio Cesar dos Reis. A iniciativa conta com a parceria da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).
Segundo o professor, a pesquisa pretende investigar, desenvolver e avaliar um ecossistema automatizado capaz de integrar a criação de atividades educacionais, a elaboração de critérios de avaliação, a correção de trabalhos, a produção de feedbacks formativos e a análise de dados educacionais.
O objetivo é propor e validar métodos de geração automática de atividades avaliativas com base em materiais didáticos textuais e audiovisuais, alinhados aos objetivos de aprendizagem e aos parâmetros pedagógicos definidos pelos docentes.
A iniciativa também prevê a formação de profissionais qualificados e a disseminação do conhecimento científico e tecnológico por meio de publicações, softwares de código aberto e transferência de tecnologia para instituições públicas de ensino.
LAPPI-GOVe vai atuar na governança energética municipal
O Laboratório de Programas e Projetos Integrados para a Governança Energética Municipal (LAPPI-GOVe) será sediado na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec). O projeto é coordenado pelo professor Luiz Carlos Pereira da Silva.
A pesquisa parte do entendimento de que os desafios da transição energética nos municípios não envolvem apenas a disponibilidade de tecnologias, mas também a capacidade de governança necessária para transformar oportunidades técnicas em resultados concretos para a população.
Nesse contexto, o laboratório atuará na integração entre ciência, gestão pública e implementação de políticas, com foco na produção de conhecimento aplicado, no desenvolvimento de métodos e instrumentos replicáveis e na geração de evidências para fortalecer a capacidade institucional dos municípios.
CPPLEI vai desenvolver plataforma de planejamento energético
O Centro Paulista de Planejamento Energético Integrado (CPPLEI), sediado no Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), desenvolverá uma plataforma computacional para simular os impactos econômicos, sociais e ambientais de diferentes escolhas de matriz energética no estado de São Paulo e no Brasil.
A ferramenta será utilizada para apoiar as atividades da Subsecretaria de Energia do Estado de São Paulo, parceira institucional do projeto, e também ficará disponível para a comunidade acadêmica e outros agentes do setor.
Coordenado pelo professor Marcelo Pereira da Cunha, o centro pretende aprimorar a plataforma para permitir simulações mais precisas de diferentes cenários energéticos.
O Centro Paulista de Planejamento Energético Integrado (CPPLEI) será coordenado pelo professor Marcelo Pereira da Cunha. (Foto: Divulgação)
O planejamento envolve projetar a demanda por energia em períodos de uma a três décadas, considerando o consumo de setores como indústria, serviços, transportes e residencial. A partir dessas projeções, será possível identificar a oferta necessária, incluindo fontes de energia elétrica e combustíveis, como os de origem fóssil, o etanol e o biodiesel.
O diferencial do projeto está na integração de modelos energéticos, econômicos, ambientais e de transportes em uma única plataforma. Como as escolhas da matriz energética afetam custos, preços e o nível de atividade econômica, o modelo também busca avaliar a relação entre essas decisões e o Produto Interno Bruto (PIB).
A metodologia permitirá analisar previamente as consequências de cada decisão em três dimensões: econômica, considerando as mudanças na atividade dos setores produtivos; social, com foco na geração de empregos; e ambiental, avaliando as emissões de gases de efeito estufa e a demanda por recursos naturais, como a água.
A meta é fornecer dados científicos consistentes para auxiliar gestores públicos na escolha de estratégias alinhadas ao desenvolvimento socioeconômico sustentável.
CEPoPI será sediado na FCA, em Limeira
O Centro de Evidências e Governança para Políticas Públicas de Inovação (CEPoPI) será instalado na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira. Coordenado pelo professor Rafael de Brito Dias, o projeto terá como parceiras a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) do Estado de São Paulo.
A proposta é produzir e organizar evidências para apoiar políticas públicas de inovação, aproximando a produção científica dos processos de formulação, implementação e avaliação dessas iniciativas.
As regiões de Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Vale do Paraíba e Litoral Norte serão prioritárias para as atividades do centro.
“O CEPoPI busca aproximar a produção de conhecimento pela Universidade dos processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas”, afirma Dias. “O Centro reunirá competências da FCA em áreas como ciência de dados, inteligência artificial, monitoramento de políticas e inovação pública”, acrescenta o professor.
Para a diretora da FCA, professora Milena Pavan Serafim, a aprovação representa um marco para o fortalecimento científico e institucional da faculdade.
“O CEPoPI nasce de competências consolidadas na própria FCA e evidencia nossa capacidade crescente de formular e liderar projetos estratégicos, interdisciplinares e de grande impacto”, afirma.
A criação do centro marca a primeira participação da FCA como instituição-sede de um CCD. Pesquisadores da faculdade também integram o Centro de Estudos sobre Urbanização para o Conhecimento e a Inovação (CEUCI), coordenado por Serafim.
Unicamp também terá centro de pesquisa sobre envelhecimento
Além dos cinco CCDs, a Unicamp sediará, no Instituto de Biologia (IB), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), também financiado pela Fapesp. A iniciativa será dedicada ao estudo do envelhecimento, com o objetivo de compreender os mecanismos biológicos envolvidos nesse processo e desenvolver estratégias para promover uma vida mais longa e saudável.
O centro será coordenado pelo professor Marcelo Alves Mori e reunirá especialistas de diferentes áreas, como biologia, medicina, matemática, estatística e educação.
o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) será coordenado pelo professor Marcelo Alves Mori. (Foto: Divulgação)
A proposta inclui estudos pré-clínicos, análises moleculares e bioquímicas, pesquisas computacionais e acompanhamento de indivíduos ao longo do tempo.
“Uma das premissas do projeto é que o envelhecimento não começa na velhice, mas é um processo contínuo, que se inicia desde o nascimento. A partir dessa perspectiva, os pesquisadores pretendem identificar fatores associados à aceleração ou à desaceleração do envelhecimento e investigar estratégias que permitam ampliar o período de vida com saúde”, explica Mori.
Entre as iniciativas previstas está a formação de grupos para acompanhar indivíduos, incluindo servidores da própria Unicamp. Os participantes poderão realizar análises clínicas e receber informações sobre seus resultados, enquanto os pesquisadores utilizarão os dados para compreender as trajetórias individuais de envelhecimento.
O centro também pretende reunir dados retrospectivos de até cinco milhões de brasileiros ou mais, com abrangência nacional. Por meio de ferramentas computacionais e inteligência artificial, a equipe buscará identificar padrões relacionados ao envelhecimento da população e desenvolver métodos para acompanhar suas mudanças ao longo dos anos.
Combate à desinformação
As pesquisas abordarão temas como envelhecimento do sistema nervoso, alterações nutricionais e metabólicas, relação entre envelhecimento e infecções virais e possíveis efeitos de medicamentos sobre esse processo.
Outro objetivo é investigar mecanismos biológicos associados a doenças relacionadas à idade, abrindo caminhos para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
Além das pesquisas, o centro atuará na divulgação científica e no combate à desinformação. A proposta é ampliar o acesso da população a informações confiáveis sobre envelhecimento saudável, cuidados com pessoas idosas e prevenção de doenças, em uma área frequentemente marcada pela circulação de conteúdos pseudocientíficos.
A iniciativa também buscará transformar os resultados das pesquisas em soluções tecnológicas, em parceria com empresas e instituições nacionais e internacionais.
O Cepid funcionará ainda como uma plataforma de formação para estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado, com oportunidades de treinamento técnico. O projeto prevê ampliar parcerias internacionais e contribuir para a criação de uma rede latino-americana de pesquisa em envelhecimento, articulada a instituições de referência de diferentes países.
Desafio para a pesquisa
Para a pró-reitora de Pesquisa da Unicamp, Ana Frattini, a aprovação de um Cepid é uma tarefa complexa, marcada pela alta competitividade.
“A iniciativa vinda do IB foca num tema altamente relevante para uma sociedade cuja expectativa de vida só aumenta: o envelhecimento. Para a Unicamp, a aprovação trará o impulsionamento necessário para que a equipe multidisciplinar desenvolva inovações que, por certo, terão alto impacto para a sociedade no futuro”, afirma a pró-reitora. “O potencial para atração de empresas interessadas nestas novas tecnologias é enorme”, acrescenta.
A pró-reitora de Pesquisa, Ana Frattini, diz que a aprovação de um Cepid é uma tarefa complexa. (Foto: Divulgação)
Frattini também destaca os impactos do investimento em pesquisa científica de qualidade, que pode ampliar o retorno econômico e a produtividade do estado, além de contribuir para a formação de profissionais altamente qualificados.
Segundo ela, três dos cinco CCDs recém-aprovados contribuirão para a governança e o planejamento energético do estado e do país, com foco na sustentabilidade ambiental e nas necessidades da sociedade.
A pró-reitora também cita dois centros já implantados na Unicamp, voltados ao desenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas com deficiência auditiva. Um deles trabalha na produção de materiais didáticos bilíngues com tecnologias digitais, enquanto o outro desenvolve um sistema de tradução automática entre Libras e português com inteligência artificial. Ambos recebem recursos da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Como funcionam os Centros de Ciência para o Desenvolvimento
Os CCDs são núcleos de pesquisa criados em parceria com órgãos públicos, cuja participação é obrigatória, e, preferencialmente, com empresas e organizações não governamentais. Os projetos devem apresentar soluções concretas para desafios identificados, promover o avanço científico e tecnológico e contribuir para a criação ou o aprimoramento de políticas públicas.
Os selecionados podem solicitar à Fapesp até R$ 2 milhões por ano, por um período máximo de cinco anos. As instituições participantes também devem oferecer contrapartidas financeiras equivalentes ao valor solicitado. Além disso, é obrigatória a participação de pelo menos um órgão governamental, municipal, estadual ou federal, como parceiro cofinanciador.
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