Ex-secretário municipal de Saúde de Campinas, Carmino passa a ocupar a cadeira 52 da Academia, que tem como patrono Raul Carlos Briquet. Ele é o terceiro titular da posição, sucedendo os médicos José Aristodemo Pinotti e Enio Buffolo.

Trajetória de Cármino

Professor titular de hematologia, hemoterapia e terapia celular da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), Carmino tem trajetória ligada à pesquisa científica, à formação de profissionais e à gestão pública da saúde. Além de comandar a pasta em Campinas, foi secretário estadual da Saúde de São Paulo entre 1993 e 1994.

O médico destacou a honra de integrar a instituição e a responsabilidade de contribuir com suas atividades. A escolha ocorreu por meio de votação entre os acadêmicos.

“Para mim é uma grande honra e uma grande responsabilidade assumir a cadeira de número 52”, afirmou Carmino. Ele também ressaltou a trajetória da entidade, fundada em 1895, e seu acervo histórico sobre a medicina.

“Eu me senti extremamente honrado e com grande responsabilidade de participar ativamente das atividades da Academia e poder deixar também um legado à semelhança dos que me antecederam”, disse.

Carmino destaca evolução da medicina

Formado em Medicina pela Unicamp em 1975, Carmino acompanhou transformações importantes na área ao longo da carreira. Ao comentar as mudanças na profissão, ele destacou os avanços tecnológicos em exames, diagnósticos e tratamentos.

“Eu me formei em 1975 e, naquela época, por exemplo, o ultrassom estava começando, não havia tomografia, não havia PET-CT, ressonância era muito rara e rudimentar”, lembrou.

Segundo o médico, a evolução tecnológica ampliou as possibilidades da medicina, mas não eliminou a importância da relação entre profissional e paciente. Para ele, a qualidade do atendimento depende de três pilares: a arte médica, as habilidades práticas e o conhecimento científico.

O primeiro envolve conversar com o paciente, ouvi-lo e examiná-lo para construir um raciocínio clínico antes de recorrer a exames complementares. O segundo está relacionado às habilidades desenvolvidas pelo profissional, como procedimentos cirúrgicos e técnicas cada vez mais sofisticadas. O terceiro exige atualização constante diante das mudanças no conhecimento científico.

“Os médicos precisam conversar, os médicos precisam ouvir, os médicos precisam examinar porque isso te faz criar um raciocínio fisiopatológico e um entendimento de cada paciente”, afirmou.

Carmino também destacou que os avanços científicos exigem estudo contínuo dos profissionais. Para ele, acompanhar as mudanças é essencial para evitar que o conhecimento médico fique defasado.

Inteligência artificial e relação com o paciente

Ao abordar o uso crescente da inteligência artificial (IA), Carmino afirmou que a tecnologia pode ser uma ferramenta importante, mas não deve substituir o papel do médico na condução do atendimento.

“Ainda que a IA esteja grassando e a gente use como ferramenta em muitos momentos, na verdade, ainda não abrimos mão da arte médica e nem podemos abrir mão de ter o comando de todas essas ações nas ciências da vida”, declarou.

A avaliação reforça a importância que o médico atribui à combinação entre recursos tecnológicos, conhecimento científico e contato humano. Na visão dele, mesmo com as transformações da profissão, a medicina continua sendo uma atividade em que pessoas cuidam de pessoas.

Trajetória na Unicamp

Carmino concluiu a graduação em Medicina na Unicamp em 1975 e fez residência em medicina interna e hematologia e hemoterapia. Concluiu o doutorado em 1986 e a livre-docência em 1996. Entre 1997 e 1998, realizou pós-doutorado na Universidade de Gênova, na Itália, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Desde 2001, é professor titular de hematologia, hemoterapia e terapia celular do Departamento de Clínica Médica da FCM-Unicamp. Sua atuação acadêmica e científica tem ênfase em onco-hematologia, especialmente em linfomas malignos, leucemia mieloide crônica e transplante de medula óssea.

O médico também coordenou o Centro de Hematologia e Hemoterapia da Unicamp, o Hemocentro, em dois períodos: de 1985 a 1993 e de 2006 a 2012. Ao longo da carreira, participou de estudos clínicos nacionais e internacionais e publicou mais de 500 artigos científicos, segundo seu currículo.

Carmino também é autor de livros sobre saúde pública, entre eles Minha Vida na Saúde Pública: Os Desafios das Epidemias , publicado em 2022, e A Epopeia do SUS: Um Avanço Civilizatório , lançado pela Editora da Unicamp em 2024.

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