No universo do hipismo e da criação de cavalos de alta linhagem, porém, não é raro encontrar animais avaliados em mais de R$ 1 milhão. Para se ter uma ideia dos valores movimentados nesse mercado, o Leilão Dejet Impacto, realizado durante a ExpoLondrina 2026, em abril, no Paraná, arrecadou cerca de R$ 2 milhões com a venda de dez lotes de cavalos da raça Brasileiro de Hipismo e três de embriões, segundo a organização do evento.
Além do alto valor dos animais, riscos como lesões durante os saltos, doenças repentinas e acidentes no transporte levam proprietários a buscar apólices (contratos) de seguro sob medida para proteger seu patrimônio.
Segundo Afonso Arinos, diretor de Canais e Agronegócio em Seguros da Alper Seguros, a corretora não fixa os valores dos equinos, mas exige comprovação documental do valor de mercado para calcular o custo do seguro.
Documentos como registro genealógico, contratos de compra e venda, histórico de premiações, fotos, vídeos e laudos veterinários são analisados para respaldar a avaliação do cavalo.
Para contratar um seguro de vida para o animal, o valor mínimo de cobertura é de R$ 3 mil. Esse montante corresponde à importância segurada, ou seja, ao valor máximo previsto para indenização em caso de sinistro (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro).
Já o prêmio (valor final pago pelo cliente à seguradora ao contratar o seguro), é calculado multiplicando essa quantia pela taxa do risco, conforme esclarece Daniel Camargo, superintendente de Consumer da seguradora FF Seguros.
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O que o seguro de cavalos cobre?
As coberturas variam conforme a seguradora e vão desde o pacote básico até proteções adicionais que podem ser contratadas à parte. De acordo com a Alper, o pacote inicial costuma ser voltado para animais de passeio e lazer mantidos em haras e inclui garantias para:
Acidentes e doenças (inclusive síndrome cólica);
Asfixia, envenenamento, intoxicação e ingestão acidental de corpo estranho;
Incêndio, raio, explosão e vendaval;
Ataque de outros animais e complicações no parto;
Inoculações vacinais e outras medidas de ordem profilática, necessárias à preservação da saúde do animal, decorrentes de ordem pública ou estipulação médico-veterinária devidamente comprovadas;
Transporte (compreendendo embarque, trajeto e desembarque);
Eutanásia por indicação médico-veterinária, conforme critérios da apólice.
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Para cavalos de competição ou reprodutores, Arinos pontua que a Alper recomenda coberturas complementares.
“A principal diferença está na finalidade e no nível de exposição. Animais de competição precisam de módulos adicionais, como Perda de Função Esportiva, reembolso de emergências veterinárias, necropsia, roubo ou furto qualificado e extensão para território internacional, essencial para quem compete fora do país.”
— Afonso Arinos, da Alper Seguros
Já a FF Seguros oferece cobertura básica para a vida do cavalo e seu transporte rodoviário ou aéreo em competições nacionais e internacionais. Entre as garantias opcionais estão o reembolso de até R$ 30 mil em despesas cirúrgicas e hospitalares para preservar a vida do animal e a indenização por perda da função esportiva, caso ele fique total e permanentemente incapacitado para a atividade prevista na apólice.
Papel da genética
Além disso, cavalos de alto desempenho também cumprem outros papéis, como a atuação na reprodução e no melhoramento genético de raças, movimentando valores elevados com a comercialização de sêmen, embriões e potros. Diante desse potencial econômico, o mercado oferece garantias voltadas para a reprodução e a proteção dos filhotes.
De acordo com a Alper, existem coberturas adicionais para essa finalidade, que contemplam:
Perda de Função Reprodutiva: para garanhões com descendentes comprovados;
Prenhez ao Desmame: que é a proteção do feto ou potro do 91º dia de gestação aos quatro meses de vida.
Onde o Seguro Rural entra?
Uma dúvida comum entre proprietários e produtores é a diferença entre a proteção específica para equinos e o seguro rural tradicional. O seguro para cavalos é uma modalidade do seguro pecuário, desenhada exclusivamente para resguardar a vida, a saúde, o transporte e a aptidão esportiva ou reprodutiva de cavalos, éguas e muares (mulas e jumentos).
Já o seguro rural amplo tem um escopo muito mais abrangente e voltado à atividade agropecuária como um todo. Ele engloba diferentes modalidades de proteção, incluindo coberturas para lavouras contra eventos climáticos, pecuária de corte e leite, florestas plantadas, benfeitorias, máquinas, equipamentos e outros bens do produtor rural.
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Exigências, carências e franquias
O transporte dos cavalos para treinos e competições também exige cuidados. Para garantir a cobertura do seguro, a FF Seguros determina que os animais sejam transportados em veículos adequados, como trailers ou caminhões-baú em bom estado, com documentação regularizada e equipamentos de segurança apropriados.
Outra questão importante é a carência, período após a contratação em que determinadas coberturas ainda não podem ser acionadas.
Na FF Seguros, não há esse prazo de espera para acidentes durante treinos ou provas. No entanto, doenças e lesões anteriores à contratação ficam fora da cobertura, mesmo que o animal não tenha apresentado sintomas, observa Camargo.
Já a Alper explica que, em apólices com cobertura para doenças, a carência costuma variar de 15 a 30 dias, podendo ser menor em casos de síndrome cólica, condição que provoca dores abdominais e pode exigir atendimento veterinário de emergência.
Para procedimentos cobertos, como cirurgias e exames, o proprietário também precisa arcar com uma franquia de 5% a 15% das despesas, dependendo da idade, da atividade e do valor do cavalo. Exames exigidos antes da contratação, como radiografias, também são pagos pelo dono do animal.
Em casos de eutanásia, as seguradoras geralmente exigem um laudo veterinário que comprove a gravidade irreversível do quadro e a necessidade do procedimento para liberar a indenização. A prática deve seguir os critérios da Resolução nº 1.000/2012 do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Em emergências durante competições, a seguradora pode dispensar a autorização prévia, desde que receba fotos e vídeos que comprovem a gravidade da situação.
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