O cenário faz com que as expectativas para os resultados do terceiro trimestre de 2026 de mineradoras e siderúrgicas se tornem menos otimistas, já que os preços realizados menores de minério de ferro devem impactar o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês). Outro aspecto que pautará os balanços será o preço do aço, por aumento nos custos.

Confira os dias dos balanços:

Vale ( VALE3 ): 29 de outubro de 2026

Usiminas ( USIM5 ): 30 de outubro de 2026

Gerdau ( GGBR4 ): 26 de outubro de 2026

Metalúrgica Gerdau ( GOAU4 ): 26 de outubro de 2026

Aura Minerals ( AURA33 ): 12 de novembro de 2026

CSN ( CSNA3 ): 12 de novembro de 2026

CSN Mineração ( CMIN3 ): 10 de novembro de 2026

Veja o calendário completo: Confira o calendário de resultados do 3º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira

Vale ( VALE3 )

Para a Vale ( VALE3 ), a projeção do Itaú BBA é de queda de 14% no Ebitda proforma, em US$ 3,502 bilhões. A métrica exclui efeitos de acordos de Brumadinho e Mariana e reflete melhor o panorama operacional da companhia. O recuo vem principalmente da divisão de ferrosos, com queda esperada em 13% e Ebitda a US$ 2,66 bilhões. O segmento acompanha a baixa de 7% aproximadamente no preço realizado do minério de ferro, para US$ 88 a tonelada. Outro detrator do resultado, segundo o BBA, é o aumento do frete, que deve compensar o aumento de 4% nos embarques.

Já a divisão de metais básicos deve ter queda de Ebitda de 19%, para US$ 1,04 bilhão, devido aos menores volumes de cobre após a parada de Sossego, aos preços mais baixos do níquel e aos maiores custos de manutenção.

O Safra também classifica a Vale entre os destaques negativos da temporada, apontando que a queda dos preços do minério de ferro deve mais do que compensar os avanços operacionais vistos no trimestre.

O JPMorgan tem visão similar e destaca os custos C1 elevadores que devem marcar o desempenho do terceiro trimestre.

“No segmento de Metais Básicos, projetamos uma retração do Ebitda na comparação trimestral, principalmente devido aos maiores custos na operação de níquel, combinados a preços mais baixos. Em cobre, os volumes devem recuar cerca de 5% na comparação anual”, considera o banco estrangeiro.

CSN Mineração ( CMIN3 )

Para a CSN Mineração ( CMIN3 ), a análise do Itaú BBA aponta para um dos resultados mais pressionados do setor no terceiro trimestre. O banco estima Ebitda de R$ 469 milhões, queda de 54% na comparação trimestral, refletindo principalmente a deterioração dos preços realizados do minério de ferro.

A expectativa é de preço médio de US$ 38,9 por tonelada FOB, abaixo dos US$ 49,1/t registrados no segundo trimestre. Além disso, os volumes devem cair 16%, para 9,9 milhões de toneladas. O BBA também projeta aumento do custo caixa C1, excluindo terceiros, em US$ 2 por tonelada, para US$ 26/t. A leitura está alinhada à do Safra, que vê a mineradora entre os destaques negativos da temporada de resultados diante do ambiente de preços mais fracos para o minério de ferro e da pressão de custos observada no trimestre.

CSN ( CSNA3 )

Já para a CSN ( CSNA3 ), o Itaú BBA estima Ebitda de R$ 1,922 bilhão no trimestre, recuo de 31%, com margem Ebitda de 19,1%, ante 24,5% no período anterior. Na divisão de aço, o resultado operacional deve atingir R$ 525 milhões, queda de 17%, pressionado por custos maiores.

Segundo o banco, o aumento de 3% nos custos por tonelada deve mais do que compensar os ganhos decorrentes da alta de 2% nos volumes vendidos no mercado doméstico. Já a operação de mineração deve registrar queda de aproximadamente 50% no Ebitda, impactada por preços e volumes menores de minério de ferro, além de despesas mais elevadas com frete. O cenário também reforça a avaliação do Safra de que a pressão de custos continua sendo um dos principais desafios para as companhias do setor no terceiro trimestre.

O JPMorgan afirma que os resultados da divisão de mineração devem pressionar negativamente o desempenho consolidado da companhia. Nos demais segmentos, o negócio de aço também deve registrar retração em relação ao trimestre anterior, analisa o banco estrangeiro, já que a empresa priorizou uma estratégia focada em volume em detrimento de valor, enquanto os custos aumentaram ao longo do período

Usiminas ( USIM5 )

Para a Usiminas ( USIM5 ), a projeção do Itaú BBA é de Ebitda de R$ 619 milhões, queda de 10% frente ao trimestre anterior. A divisão de aço deve responder pela maior parte desse resultado, com Ebitda estimado em R$ 608 milhões, recuo de 2%. O banco destaca que a alta de 3% no custo dos produtos vendidos por tonelada tende a neutralizar os efeitos positivos do aumento de 2,5% nos volumes embarcados e da valorização de 2% nos preços domésticos.

Na mineração, o Ebitda deve cair para R$ 11 milhões, refletindo o fechamento de parte da capacidade produtiva em setembro e custos operacionais mais elevados. Na visão do Safra, a companhia também deve enfrentar um trimestre desafiador, marcado pela combinação de pressão de custos e menor contribuição da operação de mineração.

Aura Minerals ( AURA33 )

Para a Aura Minerals ( AURA33 ), a projeção do Itaú BBA é de Ebitda de US$ 213 milhões no terceiro trimestre, o que representa alta de 9% na comparação trimestral. Segundo o banco, o desempenho deve ser impulsionado pelo aumento de 15% nos volumes produzidos, para 89,1 mil unidades equivalentes de ouro (GEOs), movimento que deve contribuir para a redução de 4% do custo caixa, para US$ 1.450 por GEO. A melhora operacional deve compensar o impacto de preços realizados mais fracos para o ouro.

Em linha com essa visão, o JPMorgan destaca que o crescimento da produção nas minas da companhia deve sustentar um Ebitda mais forte no período e ressalta que a mineradora segue confiante em seu guidance, além de projetar uma evolução operacional ainda mais favorável no quarto trimestre.

Gerdau ( GGBR4 )

Para a Gerdau ( GGBR4 ), o Itaú BBA estima Ebitda de R$ 3,65 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 6% em relação ao trimestre anterior. O principal destaque continua sendo a operação da América do Norte, onde a margem Ebitda deve atingir 27,8%, alta de 2,1 pontos percentuais, beneficiada por um aumento de 4% na receita por tonelada em dólar, suficiente para compensar a queda de 4% nos embarques causada por paradas de manutenção na usina de Midlothian. No Brasil, a expectativa é de estabilidade, com margem próxima de 10,5%.

A avaliação é semelhante à do JPMorgan, que vê a unidade norte-americana como o principal vetor de resultados da companhia, apoiada por preços mais elevados. Já a operação brasileira deve enfrentar um ambiente mais desafiador, com custos maiores e volumes mais fracos, embora sem comprometer a expectativa de crescimento consolidado do Ebitda no trimestre.

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