“Se ele apresentar um documento autorizando a quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão” , declarou Lula ao encerrar o discurso.
A fala foi feita durante uma mobilização de campanha que reuniu apoiadores da Bahia e de Petrolina, em Pernambuco. Um dos motes do evento foi a cobrança para que Flávio autorize a abertura de seus sigilos. A militância entoou frases como “Abre o sigilo, Flávio” e “Se tá tudo certo, mostra o que há” .
Lula também incentivou a mobilização de apoiadores nos últimos dias da campanha. Disse que o grupo deveria continuar nas ruas e nas redes sociais até a votação, marcada para domingo (25.out).
Cobrança por transparência
A declaração veio depois de a defesa do presidente protocolar no Tribunal Superior Eleitoral um pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e de familiares. A medida abrange os últimos 8 anos e está condicionada à reciprocidade de Flávio. O prazo para resposta é 4ª feira (21.out).
Durante o ato, a campanha do presidente associou a abertura dos sigilos à transparência e à investigação de possíveis irregularidades. As cobranças foram feitas em músicas e palavras de ordem entoadas pelos participantes.
No trecho do discurso sobre o debate, Lula não especificou a quais sigilos se referia nem detalhou o procedimento para a autorização.
A proposta é uma resposta à troca de críticas sobre corrupção durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18.out). No confronto, Flávio mencionou suspeitas envolvendo o filho do presidente, enquanto Lula cobrou explicações sobre o patrimônio do senador e questionou a origem dos recursos para a compra de um imóvel.
Durante o debate, Lula mencionou o pedido de R$ 134 milhões relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse” , sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atribuído ao senador em negociações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Discurso mira o Nordeste
No mesmo evento, Lula pediu que eleitores que não votaram no 1º turno fossem convencidos a comparecer às urnas. Também mencionou pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo.
O presidente declarou que o resultado da eleição definirá os rumos do país e citou políticas de educação, soberania nacional e propostas de seu governo. Entre elas, mencionou a criação do Pé-de-Meia Universitário e a intenção de enviar ao Congresso uma proposta de transporte gratuito nos fins de semana.
Lula estava acompanhado de Marília Arraes (PDT-PE), senadora; João Campos (PSB-PE), presidente nacional do partido; Teresa Leitão (PT-PE), senadora; Humberto Costa (PT-PE), senador; Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil; Jaques Wagner (PT-BA), senador; Jerônimo Rodrigues (PT-BA), governador da Bahia; e Rafael Fonteles (PT-PI), governador do Piauí.

