Segundo os médicos, a suspeita é que o bebê nasceu cerca de uma hora antes de ser encontrado. A Polícia Civil de Cosmópolis chegou a ir em unidades de saúde onde gestantes fazem acompanhamentos e visitaram as mulheres grávidas, mas nada suspeito foi encontrado.
Tentativa de homicídio
No primeiro momento, o caso foi registrado como abandono de incapaz, mas por conta da situação física em que o bebê foi encontrado e o local do abandono, a Polícia Civil passou a considerar como tentativa de homicídio.
De acordo com o delegado do caso, Marco Antônio Pozeti, ainda há muitos laudos para serem concluídos para constatar o que realmente aconteceu.
“Para verificar se houve mesmo esse ferimento ou se foi proveniente do parto ou se foi provocado após o nascimento. Se não foi provocado dentro do ventre da mãe. Então, tem várias coisas para serem analisadas”, disse.
O recém-nascido, um menino, foi abandonado ao lado de um vaso sanitário em uma viela na Rua Guilhermina Kovaleski, local utilizado para descarte irregular de lixo. Ele foi encontrado por um morador da região após uma pessoa não identificada bater em seu portão e avisar que uma criança havia sido “jogada próximo ao córrego”.
Bebê foi encontrado com cortes profundos no peito
De acordo com a Polícia Militar, o recém-nascido ainda estava com o cordão umbilical quando foi encontrado. Em entrevista à reportagem da EPTV Campinas, Daniel Pereira de Lima, que encontrou o bebê, relatou que, ao ouvir o choro, imaginou que fosse um gato.
“A hora que eu saí, eu ouvi um chorinho aqui, mas eu pensei que era gato. Aí eu falei para a minha esposa: ‘Não, Naiara, é gato’. Aí eu falei: ‘Não, vou mais para a frente para ver, porque, se for gato dentro do tio, eu vou ter que tirar, né’”, contou.
Ao se aproximar da margem do córrego para verificar de onde vinha o som, Daniel encontrou o recém-nascido. Em seguida, ele pegou a criança, a entregou à esposa e acionou a Polícia Militar (PM).
Naiara Antônia Fonseca, esposa de Daniel, disse que o bebê estava sem roupa e com coloração roxa, temperatura abaixo do normal e dois cortes na região da barriga.
Depois disso, o casal ligou para a ambulância de Cosmópolis, que levou o bebê para o Hospital da cidade, onde o recém-nascido recebeu os primeiros cuidados.
Durante o atendimento, foram identificados cortes profundos na região do tórax do bebê e, devido à impossibilidade de constatar a gravidade dos ferimentos, ele foi estabilizado e encaminhado para Campinas .
Bebê recém-nascido foi abandonado na madrugada desta terça-feira (20), em um córrego no Parque Dona Esther, em Cosmópolis. (Foto: EPTV Campinas)
Conselho tutelar acompanha o caso
O conselho tutelar de Cosmópolis continua acompanhando o caso e já acionou a Vara da Infância e da Juventude.
“É melhor que a pessoa entregue a crianças, do que fazer isso. O bebê poderia ter morrido”,
diz Giseli de Castro Filho, conselheira tutelar.
VOCÊ VIU? Entenda denúncias de bebês vivos após curetagem no Hospital Estadual de Sumaré
Duas mulheres denunciaram neste ano que continuaram grávidas depois de passarem por procedimentos de curetagem no Hospital Estadual de Sumaré. Em um dos casos, a paciente de 40 anos chegou à 35ª semana de gestação e afirma enfrentar dificuldades para manter o acompanhamento de pré-natal de alto risco na unidade.
A mulher havia recebido, em fevereiro, o diagnóstico de uma gestação sem formação de embrião. Após passar pelo procedimento no hospital, continuou sentindo dores e, 19 dias depois, descobriu em outro serviço de saúde que havia um feto com batimentos cardíacos.
Em agosto, outra paciente também relatou ter descoberto uma gestação em evolução cerca de um mês depois de receber diagnóstico de aborto espontâneo e ser submetida a atendimento no mesmo hospital.
A curetagem uterina é um procedimento cirúrgico utilizado para retirar material do interior do útero em determinadas situações obstétricas.
O Hospital Estadual de Sumaré informou que abriu uma sindicância para analisar o atendimento da paciente de 40 anos e que adotará as medidas cabíveis caso sejam identificadas irregularidades.
Sobre a denúncia feita em agosto, a unidade informou que a apuração ainda não foi concluída.
Grávida passa por curetagem por engano e descobre feto vivo sem líquido amniótico em Sumaré — Foto: Reprodução/EPTV
Diagnóstico apontou gestação sem embrião
O caso mais recente começou em 19 de fevereiro, quando a paciente realizou uma ultrassonografia particular. Segundo o laudo, havia uma “gestação tópica não evolutiva”, situação em que a gravidez não apresenta evolução esperada.
Ela foi encaminhada ao Hospital Estadual de Sumaré e afirma que novos exames realizados na unidade confirmaram o diagnóstico.
“Falaram que realmente a gravidez não tinha evoluído porque o saco gestacional estava muito grande. Pediram uma ultrassonografia para ter certeza antes do procedimento e constou novamente que não tinha embrião”, contou.
Após a curetagem, a mulher recebeu alta, mas continuou apresentando dores e cólicas nas semanas seguintes.
Por orientação da mãe, procurou a Maternidade de Campinas 19 dias depois.
Durante uma nova ultrassonografia, foi constatada uma gestação de aproximadamente sete semanas e três dias, com batimentos cardíacos.
Pré-natal passou a ser considerado de alto risco
A paciente retornou ao Hospital Estadual de Sumaré para comunicar o resultado. Segundo ela, o médico que a atendeu demonstrou surpresa ao saber que a gravidez continuava e determinou o início de acompanhamento de alto risco devido ao procedimento realizado anteriormente e ao histórico de prematuridade.
A gestante afirma, no entanto, que passou a enfrentar dificuldades no acompanhamento.
Segundo o relato, as consultas eram realizadas por profissionais diferentes e, a partir de 26 de agosto, começaram a ocorrer cancelamentos sucessivos sob justificativa de falta de médicos.
Ela também relata falta de orientações sobre medicamentos utilizados para tratar anemia e dificuldades para obter informações sobre o próprio atendimento.
Gestante relata atendimento após acidente de carro
Durante a gravidez, a mulher também se envolveu em um acidente de trânsito.
Ela afirma que bateu a cabeça e apresentou sangramento e, ao procurar o Hospital Estadual de Sumaré, permaneceu aguardando atendimento antes de ser orientada a buscar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
Agora, com 35 semanas de gestação, a paciente diz ter receio sobre onde deverá procurar atendimento quando entrar em trabalho de parto.
“Quando eu sentir dor e tiver que ir para o hospital, para onde eu vou? O medo de voltar a um hospital onde foi cometido um erro muito sério. Mas a minha maior alegria está sendo ter ela. É o meu milagre”, afirmou.
Segundo caso foi registrado em agosto
Em agosto, uma mulher descobriu que continuava grávida cerca de um mês após receber diagnóstico de aborto espontâneo.
O hospital também abriu investigação interna para analisar o caso. Segundo a unidade, a apuração ainda está em andamento.
Paciente de 40 anos está na 35ª semana de gestação após passar por uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré e descobrir depois do procedimento que permanecia grávida — Foto: Clausio Tavoloni/EPTV
O que diz o Hospital Estadual de Sumaré
Em nota, o hospital lamentou o ocorrido e informou que abriu sindicância para apurar a conduta da equipe responsável pelo atendimento da paciente de 40 anos.
A unidade afirmou que, caso sejam constatadas irregularidades, serão tomadas as providências cabíveis.
Sobre o acompanhamento atual, o hospital informou que a gestante está em pré-natal e tem uma nova consulta marcada para quarta-feira.
Hospital Estadual de Sumaré — Foto: HES/UNICAMP
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